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A arte imita a vida: como o jailbreak mudou a telefonia mundial

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O mundo inteiro hoje concorda que a App Store é uma revolução na telefonia. Ela trouxe uma facilidade inexistente nesse mercado, possibilitando que você amplie constantemente as funções do seu celular. Tanto que BlackBerry, Android, Nokia e Windows Mobile já estão correndo atrás da mesma fórmula de sucesso, montando suas lojas próprias nos mesmos moldes daquela da Apple.

Mas o que talvez nem todo mundo saiba ou tenha se dado conta é que essa fórmula não foi criação da Apple. Ela vem de antes, de uma maneira não oficial: quem a inventou foi a mesma comunidade que fez nascer o jailbreak do iPhone.

Não faz muito tempo, o mercado de telefonia conhecia uma fórmula só: você comprava um celular e ficava com o mesmo aparelho com exatamente as mesmas funções durante um, dois ou três anos, até ele se tornar ultrapassado tecnologicamente. Você até poderia instalar alguns joguinhos em java, mas além de complicados para comprar (serviços via SMS nem sempre muito confiaveis), pareciam mais “brinquedinho para criança” (ou como diz o Jobs, baby toys) pois geralmente contavam com uma resolução limitada.

Ironicamente estou usando o verbo no passado, mas ainda tem muito celular assim. 🙂

Depois de anos com essa mesma fórmula, o mercado de telefonia celular estava começando a mostrar sinais de estagnação, com as operadoras fazendo malabarismos para manter as vendas.

O telefone revolucionário

Em janeiro de 2007 é anunciado o iPhone, com uma plataforma revolucionária que tinha várias características de um computador portátil: bom processador, boa resolução gráfica, tela bem maior que qualquer outro celular, além de rodar em um software próprio baseado em Unix, um dos mais conceituados e estáveis sistemas operacionais. Parecia que era o momento de finalmente termos um computador na palma da mão.

Em junho daquele ano, quando foi efetivamente lançado, a história foi outra. Existiam aplicativos nativos que vinham com o aparelho (16 ao todo), mas foi uma decepção geral ao se descobrir que não era possível instalar nenhum aplicativo adicional. Em contra-partida, Steve Jobs tentou usar seu famoso “campo de distorção da realidade” para convencer a todos que aplicativos baseados na internet (conhecidos como webapps) era uma solução muito melhor, pois muita gente já conhecia os padrões da web.

Mas pela primeira vez, este campo de distorção não funcionou. Os desenvolvedores, que  desde o início do ano esperavam ansiosamente o lançamento do telefone, ficaram indignados por saber que não poderiam programar para o iPhone não por limitação do hardware, mas por uma impossibilidade imposta pela própria Apple.

O nascimento do Installer

Com isso, não demorou muito para que as primeiras soluções de desbloqueio do celular começassem a aparecer, abrindo todas as portas que estavam fechadas. Isso fez com que vários programadores se interessassem pela plataforma, criando aplicativos independentes que rodavam nativamente no aparelho.Installer

A comunidade começou a crescer rapidamente e logo se fez necessário arranjar uma maneira fácil de instalar o crescente número de aplicativos que ia surgindo. Foi então que surgiu o histórico Installer.

Ele era fantástico: um programa dentro do telefone que buscava na internet por aplicativos para instalar no celular. Era muito fácil e prático, coisa inédita até então.

A fórmula funcionava tão bem que a Apple teve que jogar a toalha: ou ela abria o iPhone para aplicativos de terceiros, ou ela perderia a guerra, pois um celular cheio de aplicativos era muito mais atraente e rico que a versão oficial.

Foi então que ela deu o pulo do gato, copiando descaradamente a fórmula inventada pelo jailbreak. No dia 11 de julho de 2008 ela lança a App Store, nada mais que um clone do Installer, melhorado.

A resposta da Apple

O enorme sucesso da App Store deve-se à alguns pontos chaves. Um deles (talvez o maior) é que o aparelho já vinha com o aplicativo da loja instalado no telefone, sem precisar fazer peripécias geeks para desbloquear o aparelho. Além disso, a organização era impecável, possibilitando que o usuário conhecesse e analisasse o aplicativo antes de baixá-lo. A integração com o iTunes também facilitou muito as coisas, pois eliminou a tarefa desagradável de ter que procurar todos os aplicativos de novo, um a um, para reinstalá-los cada vez que restaurava-se o firmware.

Quando a arte imita a vida

Graças ao jailbreak e ao Installer, a Apple se viu obrigada a abrir o seu telefone à aplicativos de terceiros e a criar um dispositivo de instalação e gerência dos mesmos. E fez tão bem que tornou-se o carro chefe na atual publicidade do iPhone, elevando as vendas do modelo 3G às alturas.

Hoje o Installer ainda existe, mas foi substituído em popularidade pelo Cydia, devido ao atraso de atualização ao ser lançado o firmware 2.0.

É por isso que quando surgem projetos como o hacking do bluetooth, programas independentes de GPS com navegação curva-a-curva e outros tantos, fazemos questão de ressaltá-los, pois esse é o caminho que pode fazer com que a Apple adote futuramente todas estas funções que hoje ela limita.

Alguém consegue imaginar o iPhone hoje sem a possibilidade de instalar novos aplicativos? Se sua resposta for “não”, agradeça ao jailbreak.

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Ale Salvatori

Applemaníaco desde 1995, quando precisou aprender a usar um Mac em uma semana para conseguir um emprego em uma agência de publicidade. Acha que a Apple não é mais a mesma depois da saída do Gil Amelio.

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