O verdadeiro rival do iPad não é o Android e sim os próprios iPads antigos

Durante muitos anos, parecia óbvio que o principal concorrente do iPad era o Android. Samsung, Xiaomi, Lenovo e diversas outras marcas tentaram disputar espaço no mercado de tablets com preços mais baixos e fichas técnicas agressivas. Mas, na prática, a Apple continua dominando o segmento com folga.

Só que existe um detalhe curioso acontecendo nos bastidores: o maior problema do iPad hoje talvez não venha da concorrência.

Pode estar dentro da própria Apple.

Segundo dados da International Data Corporation, a Apple encerrou o quarto trimestre de 2025 com 17,1 milhões de iPads enviados ao mercado, alcançando 41,9% de participação global.

Os números continuam fortes e mostram que o tablet da Apple segue praticamente sem rival direto.

Além disso, os resultados financeiros mais recentes também foram positivos. No trimestre encerrado em 28 de março de 2026, a receita da divisão iPad chegou a US$ 6,91 bilhões, acima dos US$ 6,4 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Mas existe um ponto importante por trás desses números: boa parte das vendas vem justamente do iPad mais barato.

O iPad virou “bom demais” para ser trocado

Um dos maiores méritos da Apple sempre foi a longevidade dos seus produtos. E o iPad talvez seja o melhor exemplo disso.

Mesmo depois de muitos anos, os aparelhos continuam rápidos, recebem atualizações do iPadOS e ainda entregam uma experiência excelente para a maioria das pessoas.

Isso é ótimo para o consumidor. O problema é convencer alguém que já tem um iPad relativamente recente a comprar outro.

Hoje, um iPad Pro M1 usado ou recondicionado ainda parece mais premium que um iPad Air novo em vários aspectos. O mesmo vale para o iPad Pro M2.

Esses modelos oferecem recursos que continuam impressionando até hoje, como tela ProMotion de 120 Hz, Face ID, áudio mais potente, Thunderbolt e displays melhores. E muitas vezes aparecem no mercado usado por preços próximos aos de um iPad Air atual.

Na prática, isso cria uma concorrência interna muito forte.

O consumidor deixa de comparar iPad com Android e passa a comparar um iPad novo com um iPad de dois ou três anos atrás que ainda funciona perfeitamente.

O problema dos acessórios faz o preço disparar

Existe ainda outro fator complicando essa situação.

O iPad de entrada parece relativamente acessível quando analisado sozinho. Mas basta adicionar uma capa com teclado e talvez uma Apple Pencil para o valor subir rapidamente.

E é nesse momento que muita gente começa a olhar para um MacBook mais básico.

Claro que são produtos diferentes. O iPad continua sendo excelente para consumo de conteúdo, mobilidade, touch e anotações com caneta.

Mas para estudar, escrever textos, trabalhar com documentos, responder e-mails e navegar na web, a diferença entre os dois ficou muito menor do que era alguns anos atrás.

Isso torna mais difícil justificar a compra de um iPad novo, principalmente quando o aparelho antigo ainda atende muito bem.

O iPad Air talvez precise mudar

O problema não é falta de vendas. Os números mostram exatamente o contrário.

A questão é que a Apple criou uma linha de produtos tão durável que acabou gerando um efeito curioso: os próprios aparelhos antigos começaram a competir com os modelos atuais.

E talvez seja por isso que o iPad Air precise evoluir mais.

Uma tela de 120 Hz, Face ID e mais armazenamento base já mudariam bastante a percepção do produto.

Hoje, muita gente ainda olha para um iPad Pro antigo e sente que ele entrega mais do que um iPad Air recém-lançado.

Além disso, a Apple também poderia rever o preço dos acessórios. Porque enquanto teclado e caneta continuarem custando tão caro, o valor real da experiência completa continuará afastando parte dos consumidores.

Quem sabe o sucesso do MacBook Neo e a mudança de CEO na empresa não nos traga boas notícias no futuro?

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