Brasil é onde o Apple TV mais cresce, mas a Apple ainda ignora produção local

Por iLex
Imagem de yousafbhutta

O Brasil se tornou o mercado que mais cresce para o Apple TV e já ocupa a segunda posição global em número de assinantes da plataforma. A informação foi confirmada por Eddy Cue, vice-presidente sênior de serviços da Apple, durante um evento em Santa Mônica para apresentar as apostas de 2026 do Apple TV.

O dado é expressivo. Mas ele revela um paradoxo: mesmo com crescimento acelerado e base consolidada de usuários, a Apple nunca produziu uma série ou filme brasileiro para a plataforma.

A estratégia da Apple: qualidade acima de volume

Desde o lançamento do Apple TV, a Apple adotou uma abordagem distinta de seus concorrentes.

Em vez de licenciar grandes catálogos ou adquirir bibliotecas prontas, a empresa decidiu produzir exclusivamente conteúdo original.

Segundo Cue, a meta nunca foi ser a plataforma com maior quantidade de títulos, mas sim com o maior padrão de qualidade. Esse posicionamento ajudou a consolidar a marca como sinônimo de produção premium.

O catálogo inclui obras de cineastas como Martin Scorsese e Spike Lee, e filmes como Assassinos da Lua das Flores, lançado primeiro nos cinemas e depois no streaming, reforçam essa estratégia de prestígio e relacionamento com a indústria tradicional.

A Apple também mantém presença constante em festivais como Cannes, fortalecendo sua imagem no circuito cinematográfico internacional.

Brasil: crescimento acelerado, investimento inexistente

Segundo Eddy Cue, o Brasil é hoje o mercado que mais cresce para o Apple TV no mundo e o segundo maior em número de assinantes.

Apesar disso, não há produções brasileiras originais na plataforma, nem anúncios de projetos locais em desenvolvimento.

Cue reconhece que o Brasil tem grande potencial criativo, mas afirma que o processo de desenvolvimento de séries e filmes é lento e exige tempo para manter o padrão de qualidade da empresa.

Enquanto isso, a Apple já expandiu produções para países como México e Colômbia. No caso do Brasil, o crescimento ocorre mesmo sem essa contrapartida.

Plataformas como Netflix, Amazon e Disney investem fortemente em produção local no Brasil há anos. Séries e filmes brasileiros se tornaram parte essencial da estratégia de expansão dessas empresas no país.

Esse movimento não é apenas cultural. Ele é estratégico. Produção local aumenta engajamento, fidelização e relevância da marca em mercados regionais.

A Apple tem intensificado os investimentos em filmes com potencial para disputar o Oscar, usando a premiação como vitrine global para ampliar a visibilidade do Apple TV.

Então, nada mais coerente do que começar a investir em produção brasileira de qualidade, não só para reforçar o mercado local, mas também tirar proveito da nossa arte.

Regulamentação pode mudar o cenário

No Brasil, discute-se a possibilidade de regulamentação do streaming, incluindo cotas obrigatórias de conteúdo nacional, como já acontece em diversos países europeus.

Caso isso avance, plataformas estrangeiras podem ser obrigadas a investir localmente.

A Apple afirmou acompanhar o debate, mas não anunciou nenhuma medida concreta.

Se o país é o mercado que mais cresce para o serviço, eventuais exigências regulatórias podem acelerar decisões estratégicas que até agora vêm sendo adiadas.

Até quando a Apple irá continuar ignorando o Brasil?

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