Notícias

Tim Cook publica carta aberta aos acionistas

Na tarde desta quarta-feira, o manda-chuva da Apple, Tim Cook, publicou uma carta aberta direcionada aos acionistas da companhia. Nela, ele avisa que as vendas de iPhones foram menores do que o previsto e que eles não devem esperar recordes de faturamento na próxima apresentação dos Resultados Fiscais.





Isto é bem raro de acontecer na Apple. Geralmente cartas abertas deste tipo são publicadas quando algo mais sério acontece, como por exemplo quando o mesmo Tim Cook pediu desculpas públicas pelo vexame dos Mapas, ou então quando aconteceu o chamado antennagate do iPhone 4.

Neste caso, a intenção é antecipar a decepção dos acionistas quando forem publicados os resultados fiscais do trimestre OUT-NOV-DEZ.

O fato é que a Apple acabou vendendo bem menos iPhones do que imaginava nesse último trimestre. E Tim culpa mercados emergentes (como o Brasil) que contribuíram para este resultado.

“Nós esperávamos uma fraqueza econômica em mercados emergentes, e isso acabou tendo um impacto significativamente maior do que havíamos planejado. O dólar forte criou ventos contrários que reduziram nosso crescimento de receita.”

Tim também citou a queda na economia da China como fator importante dos resultados negativos. Mas disse que outros como México, Polônia, Malásia e Vietnam tiveram crescimento notável.

Apesar disso, ele afirma que o número da base instalada de dispositivos ativos cresceu e é maior do que nunca. Isto significa que não há menos gente usando iPhones e iPads, pelo contrário, há mais.

Ele também tranquiliza, dizendo que o faturamento com serviços, wearables e Mac bateu mais uma vez seu recorde histórico, com destaques ao Apple Watch e ao AirPod.

“Não podemos mudar as condições macroeconômicas, mas estamos realizando e acelerando outras iniciativas para melhorar nossos resultados. Uma dessas iniciativas é tornar simples a troca de um telefone em nossas lojas, financiar a compra em parcelas e oferecer ajuda na transferência de dados do atual para o novo telefone. Isso não é ótimo apenas para o meio ambiente, é ótimo para o cliente, pois o telefone existente funciona como um subsídio para o novo telefone e é ótimo para os desenvolvedores, pois pode ajudar a aumentar nossa base instalada.”

Os resultados fiscais definitivos serão publicados no final de janeiro, no dia 29.

Tags
Mostrar mais

Ale Salvatori

Applemaníaco desde 1995, quando precisou aprender a usar um Mac em uma semana para conseguir um emprego em uma agência de publicidade. Acha que a Apple não é mais a mesma depois da saída do Gil Amelio.

Artigos Relacionados

  • BS

    Posso estar errado, mas eu fiquei feliz com esta notícia! Claro que ele não vai dizer, mas acredito que o aumento no preço dos novos aparelhos contribuiu para este resultado (e acredito também que não só nos mercados emergentes, mas em todos)…
    Isso é bom pois, quem sabe assim a Apple não revê os preços para os aparelhos deste ano…

    • Concordo com vc e compartilho da mesma esperança, redução dos preços! Mas… acho pouco provável um novo lançamento com preços menores sem “perdas” para nós consumidores.

    • João Luiz Gomes Silveira

      Nada vai mudar, ele falou que o erro foi não ter vendido o XR antes. Vai continuar assim… um XR todo ano e um XS custando um rim. Como o XR já vem “capadinho” pode mudar pouca coisa que vai parecer novidade, tipo iPhone XR2 com tela OLED … Shut up and take my money!

  • Jayme Pires

    Qual a dificuldade de admitir que o preço é um grande inimigo da Apple em todo o mundo?

  • Fabrício

    Não sei dos outros mercados emergentes, mas acredito que o Brasil era um exímio importador informal dos EUA e acho que não era pouca coisa não. A venda oficial nunca chegou perto das vendas do mercado cinza.
    A alta do dólar, mesmo para quem compra lá fora, impactou. Além disso, some o fato dos aparelhos mesmo em dólar estarem mais caros.
    Acabei lembrando da musiquinha: O tempo passa, o tempo voa, e até a poupança de um certo banco não continuou numa boa.
    Saturação do mercado, queda do poder de compra ou concorrência apresentando bons produtos com menores preços?

  • Será que teremos o programa de troca do iPhone no Brasil em breve? Ele cita isso como uma forma de melhorar esses resultados, justamente nos mercados que ele cita como “emergentes”. Na torcida!

    • No Brasil este tipo de programa nunca compensou muito.
      O valor do desconto oferecido é bem abaixo daquele obtido revendendo o aparelho para alguém.

  • Eduardo Ticianelli

    “Tim culpa mercados emergentes (como o Brasil) que contribuíram para este resultado.”

    Países emergentes (como o Brasil) culpam Tim por vender o modelo que deveria ser de entrada (não fosse a manutenção de modelos antigos em linha) por mais de cinco salários mínimos.

    • Eu entendi sua colocação e concordo com seu pensamento. Estamos no mesmo time dos que acham um absurdo os preços atuais dos iPhones, principalmente do XR.

      Porém, permita-me apenas fazer uma observação: o nosso salário mínimo é vergonhosamente baixo, principalmente se comparado com outros países. Ele não serve de referência para nada.

      • Eduardo Ticianelli

        Sim, nosso salário mínimo é vergonhosamente baixo, mas como referência ele serve sim. Em 2008, no lançamento do iPhone 3G, o preço mínimo do aparelho sem descontos de contrato com operadoras era de 899 reais e o salário mínimo era de 415 reais. Ou seja, com o dobro de um salário mínimo, se comprava o aparelho mais moderno do mercado, sem concorrentes diretos, enquanto hoje, com esse valor, não se compra nem um iPhone 7, que já tem dois anos de mercado.

        Tudo bem que a Apple não tem culpa da crise financeira no Brasil, mas mesmo nos EUA, o valor subiu muito acima da inflação: De 199 dólares para 749, sendo que a inflação no período foi de pouco mais de 16% e com um diferencial muito grande: Agora a Apple tem concorrentes no mercado. Deixando de lado as preferências de sistema operacional, existem smartphones muito mais baratos no mercado que conseguem substituir o iPhone no dia-a-dia.

        Então, ou a Apple volta a inovar e oferecer novos features que sejam úteis e exclusivos, ou precisa revisar essa política de preços. Trocar apenas a cor e etiqueta de preço não funciona num mercado tão concorrido.

        • Danilo F. Sousa

          Colocação perfeita!

        • Carlos Kiss

          Nunca entrei para responder comentários, mas abro uma exceção para este. Perfeito.

        • Fabrício

          Eu acreditava que o valor de $199 dos primeiros era atrelado à fidelização de 2 anos, não? Não lembro deles serem vendidos sem plano.
          O meu 3GS comprei full price por $650.

          • Eduardo Ticianelli

            Sim, você está correto. Procurei os valores de lançamento quando estava escrevendo meu comentário e deixei esse detalhe escapar. Fiz uma pesquisa rápida agora para verificar os preços não subsidiados. Aparentemente a Apple só começou a permitir a venda dos aparelhos sem contrato no final do ciclo de vida do 3G, quando o 3GS já estava prestes a ser lançado. Saía por 599 a versão 8GB e 699 pela versão 16GB. Olhando para as duas pontas da linha, isso significa um aumento de 25% no iPhone mais barato e de 95% para o mais caro.

            Então de qualquer maneira, o preço do iPhone atual mais barato subiu 9% a mais que a inflação e o preço de se ter um top de linha subiu assustadores 79% a mais que a inflação. Esse valores já são significativos em um mercado forte. Em mercados emergentes tornam-se proibitivos.

  • pedrob

    Certeza que o preço influenciou e muito para queda porém acredito que a principal razão ( e essa realmente o tim cook nunca ira admitir) é que em termos de inovação o iPhone não tem mais vantagem se comparado a concorrência. Se você pegar até o iPhone 6 o nível de um iPhone era infinitamente superior ao de outros celulares, seja em perfomance, funções etc, hoje em dia não, e aí o preço pesa na decisão de compra até porque um android equivalente ao iPhone XS tá custando menos da metade do preço.

  • Milton

    Nos EUA 1000 “unidades financeiras” já é algo caro, porém não é algo absurdamente de outro mundo para um celular top de linha como um XS. Entretanto 7, 8 ou 9 mil unidades financeiras no Brasil é algo absurdamente de outro mundo para um país de renda per capita enormemente inferior a países de primeiro mundo. Lógico que venderia menos. Eu adoraria ter um XS substituindo meu iPhoje 7 mas com esses preços, mesmo eu que sou uma pessoa de classe média, acabo ficando de fora.

Back to top button
Close