Opinião

[opinião] Apple Watch: a revolução que não veio

Apple Watch

Muitos de vocês repararam que demoramos para publicar um artigo sobre o novo relógio da Apple. Isso foi proposital, pois foi preciso um tempo para todas as informações serem absorvidas. Se tivéssemos publicado logo após o evento, muitos dados seriam imprecisos, como por exemplo o fato dele ser ou não a prova d’água, esclarecido somente horas depois.

Pode-se dividir o evento de terça-feira em dois momentos: antes do início e depois da apresentação. Antes, a Apple elevou ao máximo a régua das expectativas, fazendo-nos acreditar que seria apresentado um produto revolucionário, que mudaria mais uma vez o mercado. Os rumores indicavam o anúncio de um “acessório de vestir” que seria diferente de todos os smartwatches existentes hoje no mercado. Todo o ar de surpresa nos fez lembrar os velhos tempos em que Steve Jobs nos surpreendia no palco.

Mas depois da apresentação, ficamos com um gostinho amargo na boca. Durante a transmissão tentamos, de forma confusa, buscar entender onde que aquele relógio (sim, no final foi um relógio mesmo) era diferente dos outros. Onde estava escondida a magia que, na nossa certeza do momento, iria aparecer?

Watch

Tim Cook se mostrou bastante orgulhoso com o que apresentava, com um sorrisão largo no rosto. A impressão que se tinha é que, para ele, aquele lançamento teve o mesmo nível de importância que teve o iPhone e até o próprio Mac, que 30 anos atrás foi lançado naquele mesmo palco. O Watch é o “produto de Tim Cook“, assim como os outros foram os de Steve Jobs. Ele chegou a afirmar categoricamente que será “um próximo capítulo na história da Apple“.

Mac Cook Feliz

Tim Cook parece ter tentado reativar alguns truques do passado, como a frase One More Thing. Mas seu Campo de Distorção da Realidade não é tão forte quanto era o de Steve Jobs. Apesar do discurso constante de que “tudo é lindo, maravilhoso e revolucionário“, a equipe de Cook não conseguiu nos convencer realmente de tudo isso.

É preciso deixar claro que não estamos falando aqui das tradicionais “decepções pós-rumores“. Não esperávamos um acessório que frite ovos com feixe de laser, nem um tele-transportador tipo Star Trek. Só queríamos um produto que fosse “A” resposta para alguma necessidade que temos no dia-a-dia, como geralmente são os produtos da Apple. O iPhone foi assim, o iPad também, e hoje em dia não conseguimos viver mais sem eles.

O iPhone, quando surgiu, era único em seu mercado. O iPad, quando surgiu, mostrou ao mundo como deveria ser um tablet. Até mesmo o iPod, que era “só um tocador de MP3“, nos mostrou como eram terríveis aqueles tocadores minúsculos com tela pequena, que só apresentava o nome do arquivo sem mais nenhum outro detalhe. Foram produtos que nos mostraram novos conceitos de manipularmos coisas do nosso dia-a-dia.

O Watch faz isso? Aparentemente ainda não. Ele não apresenta nenhuma diferença de conceito em relação aos produtos que já existem no mercado, muitos surgidos depois dos rumores de que a Apple entraria no segmento. E o que mais assusta é que ele só será lançado no ano que vem, o que permite que a concorrência já melhore seus produtos e deixem o Watch defasado antes mesmo de chegar ao mercado.

Watch

É claro que gosto é algo muito pessoal e não dá para afirmar categoricamente que o produto é feio ou bonito. Mas a impressão que dá inicialmente é que este parece ser um relógio voltado para geeks e não para pessoas comuns que não ligam tanto para tecnologia. Ele é relativamente grosso para um relógio e o incômodo de ter que tirá-lo todo o final do dia para carregar a bateria é algo que só faz quem gosta muito de ter várias informações no seu pulso.

Outro fator que pode desagradar a muitos é o fato de não ser a prova d’água. Ele é resistente à água, permitindo tomar uma ducha com ele ou ver as informações embaixo de chuva. Mas se alguém lhe atirar em uma piscina ou você quiser entrar no mar após uma corrida, não poderá esquecer de tirá-lo do pulso antes, sob pena de ficar sem dispositivo.

Revolução por minuto

Um produto para ser revolucionário precisa mudar nossos hábitos, alterar o status quo. O problema do Apple Watch é que ele não irá substituir nosso iPad e nem nosso iPhone; pelo contrário, você precisará ter o iPhone sempre com você para usar muitas de suas funções. Se pararmos para pensar, ele não faz nada que o iPhone já não faça hoje, a não ser uma maneira mais fácil de registrar os batimentos cardíacos. O resto, como contador de passos, GPS, fotos, música, mensagens, tudo o iPhone 5s hoje já faz.



Na verdade, será mais um gadget que você deverá se preocupar em deixar carregado todos os dias.

Alguns podem achar estranho um blog de iPhone estar falando mal da Apple, mas nosso objetivo nunca foi defender a Apple e sim nos preocupar em sempre passar informações úteis e fiéis aos nossos leitores. Se grande parte das vezes falamos bem é porque ela geralmente faz produtos muito bons, que mudam a nossa vida. Mas quando ela pisa na bola ou oferece algo que não nos agrada, sempre colocamos de forma transparente para vocês e quem nos acompanha há mais tempo já percebeu isso.

A Apple acabou de entrar em um mercado que já existe, de uma forma não muito diferente do que a concorrência já oferece (e isso, claro, nos choca, pois estávamos acostumados de outra maneira). A vantagem para nós é que, ao contrário dos smartwatches da Motorola, Samsung e LG, este será compatível com iPhone. De resto, não terá nada que possamos nos vangloriar, pelo menos por enquanto.

Claro que ainda é cedo para sabermos se o Apple Watch será sucesso ou não. A empresa pretende evoluir algumas coisas no aparelho antes dele chegar ao mercado (pois não foi nem mesmo aprovado pela FCC, a Anatel americana) e as próximas versões podem ganhar ótimas melhorias que o transforme no objeto dos sonhos que todos queremos. Mas até que isso aconteça, o evento de terça acabou se mostrando uma comédia de Shakespeare: Muito barulho por nada.

Pontos positivos

É claro que o Watch, mesmo não sendo nenhuma revolução, tem vários pontos positivos que atrairão diversos tipos de consumidores. Para quem usa hoje braceletes de saúde (do tipo NikeBand ou UP da Jawbone) junto com o iPhone, irá adorar mudar para o Watch, pois ele permitirá que se interaja com o celular sem tirá-lo do bolso.

Quem usava o antigo iPod nano como relógio também deverá adorar as novidades e as diversas funções que foram adicionadas, permitindo fazer muito mais coisas.

E até quem gosta de tecnologia deverá curtir bastante poder ter tantas informações no seu pulso, em tempo real. Até então, quem era usuário de iPhone não tinha esta possibilidade de forma tão ampla e tão interativa com o iOS.


Watch

Características principais do Apple Watch:

  • Resistente à água (mas não permite mergulhos)
  • Bateria com duração de 24h (a Apple pretende melhorar isso até o lançamento)
  • Três coleções: Watch (aço inoxidável), Watch Sport (alumínio) e Watch Edition (ouro 18 quilates)
  • Dois tamanhos: 42mm e 38mm
  • Diversos modelos de pulseiras, cambiáveis
  • Conta passos e registra a frequência cardíaca do usuário, em tempo real
  • Navegação pelo sistema feito através de dois botões, um deles giratório
  • Possibilidade de enviar desenhos a outros amigos que também tenham o Watch
  • Possibilita ler e enviar mensagens recebidas no iPhone próximo
  • Permite interagir com a Siri no seu iPhone próximo
  • Exibe navegação em Mapas usando o GPS de um iPhone próximo
  • Recebe notificações de aplicativos, quando conectado na internet (pelo Wi-Fi ou seu iPhone próximo)
  • Você pode abrir a porta do seu quarto em hoteis compatíveis com a função
  • Você pode usá-lo para pagamentos do Apple Pay, se tiver um iPhone com você
  • Pode interagir com a sua casa, se você tiver acessórios compatíveis (homekit)
  • Pequenas vibrações com várias intensidades para diversos usos
  • Funcionará com iPhone 6, 5s, 5c e 5.
  • Preço inicial de US$349, lá nos EUA.

O seu lançamento nos Estados Unidos deverá acontecer nos primeiros meses de 2015. Não há previsão de quando ele começaria a ser vendido no Brasil.

Conteúdo original © Blog do iPhone



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Ale Salvatori

Applemaníaco desde 1995, quando precisou aprender a usar um Mac em uma semana para conseguir um emprego em uma agência de publicidade. Acha que a Apple não é mais a mesma depois da saída do Gil Amelio.

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