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Preocupante: Apple retira jogos da App Store coreana classificados na categoria Entretenimento

Uma notícia nada agradável para os brasileiros.

O jornal The Korea Herald informou hoje que a Apple decidiu retirar todos os jogos classificados como Entretenimento na App Store da Coreia do Sul, por causa de uma reclamação de uma agência do governo coreano. Assim como no Brasil, os jogos eletrônicos no país asiático devem, por lei, passar por uma classificação oficial antes de serem disponibilizados para a venda.

O curioso é que lá existe a categoria Games na App Store, mas ela é completamente vazia. A lei local obriga os desenvolvedores a enviar suas produções à Game Rating Board, instituição governamental que regula os jogos, para que eles sejam analisados e eventualmente receberem uma permissão de venda. Como esse processo deve ser feito pela própria Apple (ela é quem vende os aplicativos), a empresa decidiu não publicar jogos no país, assim como fez no Brasil.

Mas rapidamente os coreanos descobriram um jeitinho de contornar este problema, da mesma maneira que os brasileiros também fazem: publicar seus jogos na área Entretenimento. Por algum tempo, a maçã fingiu que não viu.

O problema é que a agência coreana não gostou nada desta gambiarra e repreendeu fortemente a Apple, ameaçando tomar medidas mais fortes para que as leis locais sejam respeitadas. A empresa americana, em sua política de evitar problemas governamentais, eliminou imediatamente todos os jogos localizados na categoria Entretenimento.

Este é um grande golpe para os usuários coreanos, que recentemente receberam muito bem o início das vendas do iPhone no país. A categoria Games é a que mais apresenta downloads no mundo inteiro.

Felizmente a atitude da Apple não parece ter se repercutido em outros países, como o Brasil. Mesmo assim, a notícia é preocupante, ao saber que o nosso Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação, responsável pela classificação dos jogos no Brasil, poderia também tomar atitude parecida ao do governo coreano, se quisesse.

Pior: desenvolvedores de jogos podem, com isso, se sentir ameaçados e não publicarem mais nenhum de seus títulos na categoria entretenimento, com medo de uma ação futura.

A situação fica cada vez mais difícil para o consumidor brasileiro na App Store. :/

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iLex

Robô virtual que tem como missão organizar o site e ajudar leitores. De tempos em tempos ele desvirtua e tenta fazer outras coisas, mas nada que um hard reset não resolva.

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  • Rodrigo

    Estranho

  • Como já observei em outro post, o aplicativo Pocket God deve ter caído nessa malha, estava na categoria Entretenimento por muito tempo até que desapareceu da loja brasileira.

    E pelo contato que fiz com o Ministério da Justiça a respeito disso:
    (…) é obrigatório que o titular ou representante legal de jogo eletrônico protocole requerimento a este Departamento, conforme regulamentação da Portaria 1.100/06

    E o mais irritante:
    Assim, este Ministério é responsável apenas por atribuir classificação etária às obras audiovisuais, conforme consta na referida Portaria, não sendo de competência deste Departamento versar sobre a conveniência ou não do representante.

    Ou seja, problema deles, não estão nem aí.

  • Opa…

    O.o

  • enquanto isso, na Austrália, onde os jogos eletrônicos também são classificados pelo governo (e podem inclusive ser proibidos por lá, através da “classificação recusada” – todos os jogos vendidos por lá têm que ter uma classificação, e a recusa na classificação quer dizer na prática que tal jogo foi proibido), a categoria “Games” está disponível na App Store. talvez o governo australiano não aceite apenas o seu próprio sistema.
    pelo menos os jogos não podem ser proibidos no Brasil pelo próprio MJ/Dejus (quase sempre que um jogo eletrônico é proibido no Brasil, é culpa do Congresso)

  • João

    Triste isso viu?
    Só estimulam cada vez mais
    os brasileiros a procurarem as
    maneiras alternativas……

  • Ale

    Dentre todas as maneiras possíveis de comprar jogos na App Store a única que por enquanto não deu problema é a do Chile!!

    Na Argentina já houve um relato de conta banida que li aqui no blog!

    Em outro tópico alguns estão com problemas na loja americana!

    Agora vem este fato na Coreia…. Tudo mto intrigante!!

    De qq forma qq solução alternativa é bem cindo, pois no fundo o que queremos é a liberdade de comprarmos jogos e curtí-los!!

  • Alex iPilot

    Respeito quem tem opinião divergente, claro, mas insisto que não vejo justificativa para a Apple não acatar a legislação brasileira, como fazem TODAS as outras produtoras de games.

    A Apple é uma empresa fantástica, seus produtos são revolucionários e tudo o mais, mas para mim, o mercado brasileiro é DISCRIMINADO. Na sua visão preconceituosa nós somos “terceiro mundo”, na pior das formas pejorativas de classificar. Não temos nem iTunes Store!

    Não colocar os jogos no Brasil é fácil, retirá-los da Coreia é mole… Quero ver se faria isso nos EUA ou na Europa (caso a regra mudasse por lá).

    O Steve Jobs já deu alguma entrevista comentando como a Apple vê o mercado brasileiro e qual a sua visão sobre nós? Seria interessante saber.

  • JanjaBoy

    EU, digo EU acho que se é lei tem que ser respeitada por todos. Essa maneira de burlar colocando jogos em outra categoria, é SAFADESA de quem faz vista grossa. Seja quem for. Se o titio Jobs quer vender, venda respeitanto as leis de cada pais. E acho ridículo de quem fica “dodói” porque a lei é assim. Escreva para o seu senador, ou não lembra em quem votou?

    • Como se fosse adiantar alguma coisa. Burocracia raramente se reduz, uma vez que a lei foi implementada voltar atrás pode gerar muita dor de cabeça, por isso duvido que mandar e-mail pra qualquer político trará melhorias nesse sentido.

      Nós, principalmente pessoas influentes como blogueiros (sim, você iLex), deveríamos nos mobilizar e exigir respostas plausíveis e atitudes da Apple, que nos trata como mercado virtual (resolva seus problemas no FAQ, compre com cartão internacional, espere 1 mês pelo seu produto).

      Francamente não entendo como isso não foi feito ainda.

    • “JanjaBoy”: você já tentou escrever para algum senador? Eu já (a respeito de outro assunto). Mandei e-mails, e, por via das dúvidas, gastei tempo e dinheiro mandando cartas físicas (em papel, pelos correios, como no século XIX). Dos e-mails não recebi nem resposta automatizada. Tenho minhas dúvidas se algum deles lê e-mails.

    • ricman1103

      escrever para o senador? que lindo isso, mas 5 segundos depois de ler eu lembrei… oh, estou na terra dos panetones… [brasilia]. eh muita luta pra pouca coisa… cartas e mais cartas, com sorte uma vai ser lida… depois disso passa por todas as comissoes malucas do congreco e depois finalmente, plenario. ligue sua tv na tv senado… olha a idade dos caras, e depois fala pro seu avo ou pro seu pai que voce quer mudar a lei porque quer jogar no seu celular… as pessoas mais velhas infelizmente ainda veem os jogos com um certo preconceito, portanto, acabaria em nada. absolutamente nada.

  • A discussão provavelmente vai ser levada para a App Store brasileira, e fatalmente vão aparecer comentários sobre como a falta de aplicativos na App Store local é culpa da Apple, ela é que deveria se adequar à legislação brasileira, um país soberano “não pode se curvar aos interesses privados”, e assim por diante. Aos que acreditam nisso, peço que por favor acessem a página do Ministério da Justiça. De acordo com a página, o distribuidor precisa enviar, para cada jogo a ser classificado, fotos, vídeos, sinopse, e “jogos demonstrativos”. Cada classificação é feita por mais de uma pessoa “para garantiar a imparcialidade”. Baixem o olhem último relatório na página, o de 2008 (não existe ainda o de 2009, fato que por si só indica como a burocracia deve ser “ágil”): é um PDF de 11 páginas, com apróximadamente 25 jogos por página – ou seja, menos de 300 jogos foram classificados em todo o ano de 2008. No relatório, cada jogo tem associado um “Número do Processo” diferente, “Data D.O.U.”, “Portaria”, “Seção e Página”. Não sei exatamente o que significa tudo isso, mas a impressão que passa é que, para classificar cada jogo, muito papel, tempo, e dinheiro dos nossos impostos deve ser gasto.

    Agora imaginem submeter a esse processo a todos os milhares (literalmente) de jogos na App Store, e todas as dezenas (literalmente) de novos jogos que aparecem na App Store todos os dias. Caros “defensores da soberania nacional”, por favor respondam com sinceridade: isso parece viável? Seria um verdadeiro “ataque de negação de serviço” ao Ministério da Justiça. Na boa, quem acredita que isso é possível provavelmente vive em uma bolha e nunca teve contato com a burocracia brasileira (como muitos programadores no Brasil, eu tenho “uma empresa de uma pessoa só” e sei muito bem como tudo por aqui é difícil).

    E sim, para tornar possível o sonho de uma seção de jogos na App Store, o processo deve ser aplicado a todos os jogos. Eu mesmo estou terminando um jogo que pretendo enviar para a App Store – e por que os jogos da EA (por exemplo) deveriam ser classificados, e o meu não? Essa legislação estúpida foi pensada na era cenozóica (em 2002), por alguma múmia que queria proteger as nossas inocentes criancinhas da influência nefasta de jogos “violentos” como Duke Nukem 3D e Mortal Kombat (ambos proibidos no Brasil), e que jamais poderia imaginar que, algum dia, jogos seriam distribuídos pela internet, sem mídia física, com um custo de distribuição baixíssimo, e que qualquer pessoa no mundo com acesso a um computador, mesmo que vagabundo (eu mesmo uso um computador obsoleto rodando Linux – sim, é possível desenvolver para iPhone nele), e com força de vontade suficiente para aprender a programar, poderia desenvolver jogos no seu tempo livre.

    Já mandei muitas mensagens ao blog a respeito desse tema, mas cada vez que eu leio um comentário falando que “o país não pode se curvar” e coisas parecidas, o sangue ferve. Dono do blog: eu juro que esta é a minha última mensagem a respeito. 🙂

    • Ok, então vamos desistir e nos mudar para Portugal.

    • e pra todo mundo que diz “o governo não pode se curvar à Apple”, não é só a Apple que vende conteúdo móvel online, mas também o Google (Android Market), a Palm (App Catalog), a RIM (BlackBerry App World), a Microsoft (Windows Marketplace for Mobile – apesar de jogos estarem disponíveis lá e vendidos em reais), entre outras empresas.
      o negócio é o governo brasileiro aceitar sistemas de classificação além do seu próprio, como acontece na Austrália (onde o sistema de classificação para jogos eletrônicos também é regulamentado pelo governo)

  • eduvinagre

    A solução para o problema é simples, ao menos na appstore brasileira, basta que todas as contas só sejam aceitas para maiores de 18 anos. Assim a classificação de jogos se torna absolutamente desnecessária. Fica aí a dica jurídica. Apple, me contacte para acertarmos honorários.
    Abraço a todos!

  • Alex iPilot

    Mauro, eu seria injusto com eles se não respondesse. Nas duas vezes que escrevi emails para o Eduardo Suplicy e para o Marcelo Crivella eu recebi respostas pessoais (não automáticas) no dia seguinte. E foi assim durante toda conversa.

    Sabe o que eu acho? 99,9999% pensa desse jeito: “não vou mandar que ninguém lê” e acaba que os caras ficam sem receber email de gente séria como nós, daí vivem com a caixas entupidas de spam.

    O sistema brasileiro pode ter falhas sim, afinal qual legislação no mundo estaria preparada para atender à demanda que surgiu com a App Store?

    A burocracia é estúpida muitas vezes, sim, sei disso de perto porque fui servidor publico concursado e saí do serviço público por não aceitar muitas coisas, mas vc não acha que a Apple deveria provocar uma mudança, não caberia a ela sinalizar que algo precisa ser mudado? Ela é a “parte interessada”, ou deveria ser, pelo menos. O que eu critico é a aparente falta de interesse dela em atender a nós, consumidores brasileiros.