Saúde

Aplicativo de rastreio de COVID-19 não está sendo tão eficiente no Brasil

Em 2020, o mundo foi assolado por um fato que mudou a vida de todos: a transmissão de um vírus a nível mundial, que trouxe mortes, afastamento social e dificuldades nas economias de todos os países.

Para tentar contribuir para que esta contaminação diminua, as gigantes da indústria propuseram uma solução que usa a tecnologia para barrar o espalhamento do vírus.

E a ideia até é boa: considerando que grande parte das pessoas andam sempre com seus smartphones no bolso, por que não usá-lo para identificar outras pessoas com quem o usuário teve contato e alertá-lo quando uma delas for infectada? Assim, sabendo que se teve contato com o vírus, cada um faz um auto-isolamento e impede que ele se espalhe cada vez mais.

Seria um plano muito bom, se não fosse um único fator nessa equação: o ser humano.



A Apple e o Google optaram por oferecer uma API descentralizada e, acima de tudo, que respeite a privacidade do usuário.

Ou seja, o aplicativo não pega nenhuma informação que o usuário não autorize claramente. Isso é ótimo do ponto de vista do respeito ao usuário, mas ao mesmo tempo joga para ele toda a responsabilidade de fazer o que precisa para o recurso funcionar.

E no Brasil isso não funciona.

Vamos ser justos. Não é só no Brasil que isso acontece. O ser humano é imperfeito no mundo inteiro, mas como este artigo está falando especificamente de nosso país, iremos focar nele.


Usuários não se engajam quanto deveriam

O problema do aplicativo é que muitos pensam que basta instalá-lo para que faça tudo automaticamente. E não é assim.

É inútil apenas instalar o app Coronavirus – SUS no celular e esquecê-lo lá. É preciso informá-lo quando se tem um teste positivo de COVID-19, com um código (token) fornecido pelo Ministério da Saúde. Só assim ele pode avisar a todas as pessoas com quem se teve contato de que devem ficar em quarentena.

Mas isso não tem funcionado muito.

Primeiro porque não é todo mundo que instala o aplicativo. O Ministério não informa quantos usuários baixaram o app, mas estima-se que a porcentagem seja muito pequena, a exemplo do que aconteceu em outros países.

Segundo algumas fontes consultadas pelo Blog do iPhone, o número de downloads seria de menos de 1 milhão juntando iOS e Android, o que corresponde a menos de 0,5% da população brasileira.

Segundo, porque muitos do que são infectados se esquecem de informar no aplicativo que seu teste deu positivo, o que impede que outras pessoas que tiveram contato com o infectado sejam notificadas, espalhando ainda mais o vírus.

Falhas do Ministério

Não bastasse isso, o Governo complica ainda mais as coisas.

Alguns leitores nos relataram problemas no token necessário para informar o app sobre testes positivos. O site que fornece este token nem sempre funciona ou, por alguma razão bizarra, não possui o registro do teste do cidadão na base de dados. E isso quebra totalmente o processo do aplicativo, que passa a não ter como cumprir o seu papel primordial.

Além disso, o próprio app Coronavirus – SUS estava bugado e ficou algumas semanas sem ativar no iOS o recurso nativo de notificação de exposição. Ou seja, por um largo período de tempo, mesmo que as pessoas fizessem certinho todo o procedimento de registro, isso não serviu para nada, pois o próprio app não estava notificando as pessoas.

Um leitor nos relatou:

“Definitivamente isso não serviu pra nada. A forma como implantaram jamais funcionaria. Eu tive contato com umas 20 pessoas que tiveram COVID. Eu mesmo tive… mas o app não deu sequer um aviso.”



O conceito original do aplicativo de rastreamento de infectados até é bom e poderia ser eficiente para controlar o avanço das contaminações. Mas seria preciso que usuários e órgãos governamentais se empenhassem bem mais para que os resultados fossem realmente efetivos.

Enquanto as pessoas não começarem a entender que cada um de nós precisa ser um instrumento ativo de luta contra a pandemia, e os governos não pararem de querer tapar o sol com a peneira no enfrentamento desta praga, muito estrago ainda pode acontecer antes de uma vacinação em massa na população.

E isso é uma pena. Vivemos em um mundo em que boas ideias não bastam.

Ale Salvatori

Applemaníaco desde 1995, quando precisou aprender a usar um Mac em uma semana para conseguir um emprego em uma agência de publicidade. Acha que a Apple não é mais a mesma depois da saída do Gil Amelio.

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