Uma entrevista publicada pelo jornal britânico The Guardian reacendeu um debate que diz respeito a quem tem filhos: qual é o limite saudável para o uso de telas, especialmente entre crianças e adolescentes?
O médico Rangan Chatterjee afirmou que o excesso de tempo diante de telas se tornou um dos maiores problemas de saúde pública da atualidade.
E ele vai além: defende que redes sociais só deveriam ser permitidas a partir dos 18 anos.
Por que ele quer proibir redes sociais para menores?
Deve ter pai que já parou de ler este artigo quando leu 18 anos. “O quê? Eu não aguento deixar eles sem essa distração até lá! Minha vida viraria um inferno!“
Esse é o problema: usar o celular como calmante de excesso de energia vai transformar o seu filho em uma pessoa pior.
Segundo Chatterjee, o cérebro de adolescentes ainda está em desenvolvimento e não possui plena maturidade para lidar com estímulos altamente viciantes, como notificações constantes, validação social por curtidas e algoritmos projetados para maximizar engajamento.
Ele compara as redes sociais a produtos que já possuem restrição de idade, como jogos de azar e pornografia. Para o médico, a lógica deveria ser a mesma.
A preocupação central é a saúde mental. Ele associa o uso intenso de redes a:
- Aumento de ansiedade
- Quadros de depressão
- Distúrbios do sono
- Isolamento social
- Queda na autoestima
O papel do tempo de tela na saúde
Na entrevista, Chatterjee relata o caso de um adolescente que apresentou melhora significativa no quadro de depressão após reduzir drasticamente o tempo de tela, principalmente antes de dormir.
O sono é um dos pontos críticos.
A exposição à luz azul à noite interfere na produção de melatonina, prejudicando a qualidade do descanso. E adolescentes privados de sono têm maior risco de instabilidade emocional.
Além da saúde mental, ele menciona impactos físicos:
- Postura inadequada
- Dores cervicais
- Problemas de visão
- Sedentarismo
E a escola? Ele também critica o uso de dispositivos
Outro ponto polêmico levantado pelo médico é o uso obrigatório de telas em tarefas escolares.
Para ele, o dever de casa feito exclusivamente em dispositivos deveria ser revisto, pois amplia ainda mais o tempo total de exposição diária.
Essa crítica toca em um ponto sensível da atual geração, que já cresce integrada a tablets e smartphones desde cedo.
Tecnologia é vilã?
Chatterjee não defende o abandono completo da tecnologia. Ele critica a falta de regulação e o modelo de negócios baseado em retenção máxima de atenção.
Para ele, estamos vivendo uma espécie de experimento social em larga escala com crianças e adolescentes, sem que haja políticas públicas suficientemente firmes para proteger essa geração.
E isso se reflete em uma degradação da saúde pública.
O debate sobre idade mínima para redes sociais pode parecer radical. Ainda assim, ele levanta uma pergunta necessária: estamos ensinando jovens a usar a tecnologia ou apenas entregando a eles ferramentas altamente persuasivas sem preparo?
Essa é uma discussão que envolve pais, educadores, governos e também empresas de tecnologia.
E você, acha que deveria existir uma idade mínima mais rígida para redes sociais?

