Opinião

[Opinião] A Xiaomi fez o que a Apple deveria ter feito

A Apple em 2020 criou uma polêmica que, na nossa opinião, foi desnecessária e desgastante: passou a vender seus celulares sem um carregador de parede na caixa.

A Xiaomi, como sempre, seguiu a tendência da maçã, mas pelo menos fez da forma correta.

Nesta segunda (28), a fabricante chinesa anunciou seu novo Mi 11, que virá sem carregador na caixa, mas com a opção de entregar um caso o cliente solicite.



Os fabricantes estão adorando essa história de não precisar fornecer o carregador junto com o aparelho.

Muitos acessórios eletrônicos não vem com carregador de tomada na caixa, mas no caso dos celulares era um hábito que nenhuma marca tinha coragem de ir contra.

A Apple teve essa coragem, mas não sem consequências.

A mudança brusca de comportamento piorou ainda mais quando a maçã usou um argumento nobre para justificar a retirada e isso acabou irritando muita gente.

Mas como retirar o carregador da caixa e reduzir o lixo eletrônico sem transformar a ação em um caos de marketing?

A fórmula pode ser bem simples: passe sua mensagem, mas envolva o cliente na causa a qual você está pregando.

Causa ambiental

Se a mensagem é a de criar hábitos sustentáveis no consumidor, comece não o obrigando a fazer isso. Dê escolhas, ou pelo menos faça ele acreditar que pode escolher entre contribuir ou não como o meio ambiente, de vontade própria.

E é isso que a Xiaomi acaba de fazer.

Ela não venderá seu novo celular com um carregador dentro da caixa. Porém vai dar a opção ao cliente de solicitar um carregador separado, gratuitamente, se desejar.

Ou seja, é ele que escolhe se ajuda ou não no lixo eletrônico.

E quando as pessoas são incluídas nessa decisão, elas se sentem mais participativas. Você passa a realmente criar uma conscientização ambiental que pode dar frutos mais amplos.

É diferente quando você força o usuário a fazer uma coisa, pois nesse caso a mensagem não é absorvida, por mais nobre que ela seja.

Marketing falho

Eu sou um grande admirador de marketing e obviamente sempre vi a Apple como uma grande referência neste assunto. Porém, desta vez não acho que ela agiu de forma inteligente nesta questão.

Não vou discutir detalhes, como o fato da Xiaomi não reduzir o preço para quem não optar pelo carregador, porque o foco deste blog não é este. Mas acho que a marca chinesa desta vez fez um golaço de marketing ao adotar esta postura.

Se a Apple tivesse, desde o começo, dado a opção para o usuário se queria ou não o carregador, acredito que a história teria sido completamente diferente e teria contribuído muito mais para a causa ambiental, por contribuir para o aumento da consciência coletiva.

Do jeito que foi, só criou raiva.


O Procon-SP chegou a solicitar para a Apple para que a empresa fornecesse gratuitamente carregadores para clientes que solicitassem, mas o Blog do iPhone apurou que esta determinação não causou efeito prático nenhum no país.

Ale Salvatori

Applemaníaco desde 1995, quando precisou aprender a usar um Mac em uma semana para conseguir um emprego em uma agência de publicidade. Acha que a Apple não é mais a mesma depois da saída do Gil Amelio.

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