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Jogo Fortnite tenta desmoralizar a Apple com guerra de marketing planejada

Nas últimas semanas, muitas empresas tem aproveitado o clima de discussão judicial sobre monopólios de tecnologia para questionar a porcentagem que a Apple leva em cada venda na sua loja de aplicativos.

A Epic Games, desenvolvedora do sucesso Fortnite, resolveu ir bem mais além e montou toda uma estratégia de marketing para declarar guerra contra a fabricante do iPhone.

Parece ser o início de mais uma longa novela.



Guerras de marketing contra a Apple não são novidade. A mais notória foi da Adobe, quando pagou anuncios em sites e revistas contra a recusa de Steve Jobs em aceitar a tecnologia Flash no iOS.

Mas o tempo mostrou que o Flash deixava realmente os aparelhos mais lentos e, alguns anos depois, a própria Adobe desistiu da tecnologia.

Portanto, este tipo de guerra geralmente é motivada por duas coisas: dinheiro e controle sobre os usuários.


Entenda a briga da Epic Games

Desde que a Apple lançou a App Store, em julho de 2008, ela estabeleceu uma regra que não mudou até hoje: de tudo o que é vendido na loja, ela fica com uma porcentagem para ela.

Outras lojas de aplicativos seguiram o mesmo caminho. Se uma empresa quiser que seu aplicativo seja publicado na Play Store, 30% das vendas ficam com a loja. A contraparte é que, caso o aplicativo seja gratuito para o usuário, ele usufrui de toda a infraestrutura da loja (que distribui para o mundo inteiro) sem pagar um tostão.

Mas a Epic Games não quer aceitar isso, e quer que todo o dinheiro gerado por ela vá para o seu próprio bolso.

Mas se existe uma regra desde 2008, como fazer para burlá-la e ficar com todo o dinheiro? Fácil: o jeito é desmoralizar o adversário e forçar a mudança da regra.



Marketing planejado

É ingenuidade qualquer um pensar que tudo o que aconteceu com o jogo Fortnite essa semana seja uma sequência natural dos fatos.

Pelo contrário, foi uma forte campanha estratégica que já deve ter sido planejada há semanas, que agora está sendo executada.

Tudo começou com a Epic Games atualizando o seu jogo mais popular nas lojas da Apple e do Google, com um detalhe que faz toda a diferença: a possibilidade de realizar compras dentro do aplicativo sem passar pela loja oficial.

Ou seja, ele passou a permitir que os jogadores comprassem itens do jogo sem passar pela App Store (e Play Store), com desconto no valor.

Ora, a consequência óbvia seria uma só e todos sabemos: apps que descumprem deliberadamente as regras são retirados da loja. Então, quem faz algo do tipo sabe que isso irá acontecer.

Depois que a Apple retirou o jogo da loja, a Epic Games divulgou rapidamente um vídeo, que claramente já estava preparado antes de tudo acontecer. Nele, ela faz uma parodia do clássico comercial “1984” do Macintosh original, colocando, claro, a Apple como a ditadora suprema e o pobre Fortnite como vítima injustiçada.

A tentativa da estratégia é fazer com que a opinião pública se engaje em uma campanha a favor da empresa, que permita que ela possa usar as lojas de aplicativos sem pagar nada para ninguém.

Até a hashtag #FreeFortnite (FortniteLivre) foi elaborada estrategicamente para provocar engajamento. Que lindo, não?

Também, em tempo recorde, a Epic Games entrou na justiça americana com uma ação contra a Apple e o Google, por terem retirado de suas lojas o jogo. Mesmo ela tendo deliberadamente descumprido as regras para provocar a expulsão proposital.



Campanha contra a Apple

Pagar comissão por usar plataformas de distribuição não é algo exclusivo da Apple. Pelo contrário, todas as grandes plataformas cobram, e a própria Epic as usa, sem reclamar:

  • Xbox: 30% de comissão
  • PlayStation: 30%
  • Nintendo: 30%
  • Steam: 30% até de 10 milhões; 25% entre 10 e 50 milhões; 20% acima de 50 milhões de dólares
  • Epic Games: 12%.

Ou seja, ao contrário do que a Epic quer fazer com que todos pensemos, não se trata de uma luta ideológica contra o ato ditatorial de uma única empresa.

Se a Apple fosse a única a cobrar comissão pelo uso de sua plataforma, até seria razoável questionar isso e lutar para ser diferente. Porém, no momento que o mercado em geral faz isso, mas você foca somente em um único alvo, demonstra que os interesses na verdade podem ser outros.

Uma briga de longa data entre desenvolvedores e Apple é sobre a questão do controle dos dados do usuário.

Controle vs. Privacidade

Hoje em dia, as empresas pagam caro pelo máximo de dados do usuário, para converter isso em mais dinheiro. Quem não conhece sobre isso, aconselho se aprofundar mais no assunto «Big Data». Você poderá se surpreender com o que aprenderá.

A Apple adotou como bandeira a proteção da privacidade de seus usuários, e nada de dado pessoal é repassado para os editores. Isso foi motivo de briga com revistas digitais no passado e segue até hoje com outras empresas.

Portanto, o motivo dessa campanha para difamar a Apple pode estar ligada à falta de controle que a Epic tem sobre seus usuários do iOS, e não realmente sobre a comissão que ela já paga sem reclamar em outras plataformas. O Google só entrou na briga para desviar a atenção.

Tudo é dinheiro. Tudo é controle.

No fim, era o que a Adobe também queria em 2010 com o Flash, ao insistir em uma tecnologia que tinha ficado parada no tempo.



A Epic claramente armou previamente um grande circo, e agora está executando o plano passo a passo para tentar tirar proveito disso.

Vamos ver até onde essa novela vai e o que isso influenciará no jeito que usamos hoje a App Store.

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Ale Salvatori

Applemaníaco desde 1995, quando precisou aprender a usar um Mac em uma semana para conseguir um emprego em uma agência de publicidade. Acha que a Apple não é mais a mesma depois da saída do Gil Amelio.

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