Pressão de Trump levou Apple a fechar acordo com a Intel, revela WSJ

Tim Cook Trump

A aproximação entre Apple e Intel ganhou um novo capítulo e revelou que a decisão pode ter sido motivada menos por uma necessidade tecnológica e mais por uma negociação política envolvendo o governo dos Estados Unidos.

Segundo uma reportagem do Wall Street Journal, a Apple conseguiu evitar tarifas sobre semicondutores importados após um acordo que envolveu o uso da Intel na fabricação de chips em território americano.

A negociação teria acontecido em meio à pressão do governo Donald Trump para que grandes empresas de tecnologia ampliassem a produção doméstica de componentes estratégicos.

A negociação que evitou tarifas sobre semicondutores

A Apple construiu uma das cadeias de produção mais eficientes do mundo, mas essa estrutura também trouxe um desafio: grande parte da fabricação de seus chips mais importantes está concentrada na Ásia.

Hoje, a TSMC, em Taiwan, é a principal responsável pela produção dos processadores usados em produtos como iPhone, iPad e Mac. A parceria com a fabricante taiwanesa é considerada estratégica para a Apple, principalmente pela capacidade da empresa de produzir chips com os processos mais avançados do mercado.

O problema é que, nos últimos anos, a fabricação de semicondutores deixou de ser apenas uma questão de tecnologia e passou a envolver também interesses políticos e comerciais.

A administração de Donald Trump adotou uma postura de incentivo à produção de chips dentro dos Estados Unidos e passou a pressionar empresas para reduzir a dependência de fornecedores asiáticos.

Nesse cenário, os semicondutores importados se tornaram um dos principais pontos de discussão envolvendo novas tarifas. Segundo o Wall Street Journal, a Apple buscava uma forma de evitar o impacto desses custos adicionais, que poderiam aumentar significativamente as despesas da empresa e afetar sua cadeia de produção.

Durante as negociações, o governo americano teria pressionado a Apple a ampliar sua relação com a Intel e utilizar mais a capacidade de fabricação da empresa dentro dos Estados Unidos.

A solução encontrada teria envolvido um compromisso entre as partes, com novos investimentos da Apple no país e uma aproximação com a Intel Foundry, divisão criada pela Intel justamente para fabricar chips para outras empresas.

Apesar da parceria com a Intel, a Apple não deve deixar a TSMC.

A Intel ganha uma oportunidade estratégica

Para a Intel, essa aproximação com a Apple representa muito mais do que apenas um novo cliente. É uma oportunidade de mostrar ao mercado que a empresa ainda pode recuperar o espaço que perdeu nos últimos anos.

A companhia americana passou por uma fase complicada, com dificuldades para avançar seus processos de fabricação no mesmo ritmo de concorrentes como TSMC e Samsung.

Foi justamente nesse cenário que nasceu a Intel Foundry, uma iniciativa criada para transformar a Intel novamente em uma grande fabricante de chips para outras empresas.

E é aí que entra a Apple. Ter uma empresa desse tamanho utilizando sua capacidade de fabricação seria uma importante demonstração de confiança.

Afinal, a Apple não escolhe seus fornecedores apenas pelo preço. Ela exige alto nível de qualidade, eficiência e capacidade de produção em larga escala.

Mas os benefícios para a Intel vão além de um único contrato. Uma parceria com a Apple poderia servir como uma espécie de vitrine para atrair outros clientes interessados em fabricar chips dentro dos Estados Unidos, principalmente em um momento em que empresas de tecnologia estão tentando reduzir riscos e depender menos de fornecedores concentrados na Ásia.

Em outras palavras, a Apple poderia ajudar a Intel não apenas com receita, mas também com algo ainda mais valioso: credibilidade para sua nova fase como fabricante de semicondutores.

Uma parceria que diz mais sobre política do que sobre tecnologia

O retorno da Intel ao ecossistema da Apple chamou atenção justamente porque lembra uma parceria que parecia encerrada.

Em 2020, a Apple começou a abandonar os processadores Intel nos Macs para apostar em seus próprios chips Apple Silicon, uma das maiores mudanças da história dos computadores da empresa.

Mas o ponto mais interessante dessa história não é imaginar uma volta da Intel como principal fornecedora de processadores da Apple.

A questão central é entender como uma decisão estratégica de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo acabou sendo influenciada por fatores externos, especialmente por questões políticas e comerciais.

Para quem defende “menos Estado e mais iniciativa privada”, fica cada vez menos coerente apoiar Donald Trump.

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