Durante mais de uma década, a Apple seguiu um caminho claro quando o assunto era chip: todos os seus principais processadores eram fabricados pela TSMC. Desde 2014, essa parceria ajudou a transformar iPhones, iPads e Macs em referência de desempenho e eficiência energética. Mas agora esse modelo pode passar por uma mudança importante.
Segundo informações divulgadas pelo The Wall Street Journal, a Apple está avaliando encerrar essa exclusividade histórica.
O motivo não seria insatisfação com a TSMC, mas sim o novo cenário da indústria de semicondutores, que se tornou muito mais disputado nos últimos anos.
A pressão da inteligência artificial mudou o jogo
A explosão da inteligência artificial aumentou de forma brutal a demanda por chips avançados.
Empresas como a Nvidia passaram a disputar espaço nas linhas de produção da TSMC, pressionando prazos, custos e capacidade.
Para uma empresa do tamanho da Apple, depender de um único fornecedor em um momento como esse passou a ser um risco estratégico.
É nesse contexto que surge a ideia de diversificar a produção. A Apple estaria estudando alternativas para fabricar parte de seus chips em outra empresa, mantendo a TSMC focada nos processadores mais avançados e estratégicos.
A Intel pode voltar ao radar da Apple
Um dos nomes citados como possível novo parceiro é a Intel.
Mas é importante deixar claro que não se trata de um retorno ao passado, como na época em que os Macs usavam processadores Intel com arquitetura x86.
Desta vez, a Intel atuaria apenas como fabricante, sem qualquer participação no design dos chips, que continuaria sendo 100% da Apple.
Esses chips produzidos pela Intel seriam destinados a dispositivos de entrada, como modelos não Pro de iPhone, além de alguns iPads e Macs mais básicos.
A produção poderia começar a partir de 2027, usando o processo de fabricação 18A, que faz parte da estratégia da Intel para recuperar competitividade no setor.
TSMC continua no centro da estratégia
Mesmo com essa possível mudança, a TSMC não sairia de cena. Pelo contrário.
A fabricante taiwanesa continuaria responsável pelos chips mais avançados, aqueles usados nos modelos Pro e nos produtos que exigem o máximo de desempenho e eficiência.
Na prática, a Apple estaria criando uma divisão mais clara: chips de ponta com a TSMC, chips menos complexos com outro parceiro.
Isso reduz riscos, evita gargalos de produção e dá mais flexibilidade em um mercado cada vez mais concorrido.
Para o consumidor, a expectativa é de pouca ou nenhuma mudança no curto prazo. Analistas não veem impacto direto nos preços dos próximos iPhones ou outros produtos.
A Apple segue com resultados financeiros sólidos e margem suficiente para absorver ajustes na cadeia de suprimentos sem repassar custos imediatamente.

