A Apple tem uma regra de ouro no mundo inteiro: não faz promoção. Não dá desconto. No máximo, oferece um gift card aqui, um frete grátis ali, mas mexer no preço do produto? Jamais. Pelo menos em suas lojas oficiais.
Existe um único lugar no planeta onde essa regra não vale: a China. E mais especificamente, durante as celebrações do Ano Novo Lunar.
É quando a Apple, a mesma empresa que cobra R$ 7.999 por um iPhone 17 básico no Brasil, resolve dar descontos de verdade nos seus produtos.
A exceção chinesa da Apple
Desde pelo menos 2023, a Apple vem fazendo algo impensável em qualquer outro mercado: oferece descontos diretos no preço de iPhones, iPads, Macs e outros produtos durante o Ano Novo Lunar.
Para 2026, a lista de descontos no site chinês da Apple inclui:
- iPhone 16e: cerca de R$ 320 pelo dólar Apple
- iPhone 16 Plus: cerca de R$ 470 de desconto
- iMac: cerca de R$ 940 de desconto
- Mac mini: cerca de R$ 630 de desconto
- MacBook Pro: de R$ 1.260 a R$ 1.600 de desconto
- iPad (vários modelos): de R$ 320 a R$ 630 de desconto
- Apple Watch: de R$ 320 a R$ 470 de desconto
- Apple Pencil Pro: cerca de R$ 160
- AirPods 4: cerca de R$ 160 de desconto
- AirPods Max: cerca de R$ 470 de desconto
Não são descontos astronômicos, especialmente para quem está acostumado com as promoções do varejo brasileiro. Mas vindo da Apple, que literalmente nunca faz isso em nenhum outro lugar do mundo, é praticamente um evento histórico.
Por que só na China?
A resposta é simples: é o único país do mundo que tem uma real concorrência.
A China não é apenas um dos maiores mercados da Apple, é um dos mais competitivos. Xiaomi, Oppo, Vivo, Huawei e outras marcas chinesas dominam grande parte do mercado local com preços agressivos e lançamentos constantes.
Em novembro de 2025, foi reportado que um em cada quatro smartphones vendidos na China é um iPhone. Parece muito? É. Mas também significa que três em cada quatro não são. E a concorrência por esses outros 75% é feroz.
O Ano Novo Lunar é a época de maior consumo na China. É como Black Friday, Natal e Ano Novo, tudo junto e multiplicado.
As pessoas compram presentes, trocam de aparelhos, renovam a casa. É quando as marcas precisam aparecer, e a Apple sabe disso.
Fazer uma promoção nessa época específica é a forma da Apple dizer: “Ei, estamos aqui, somos premium, mas também entendemos a importância deste momento cultural.”
É marketing puro, alinhado com um evento que move bilhões em consumo.
Além disso, tem outro fator: a Apple fabrica praticamente tudo na China. A logística é mais simples, os custos operacionais são diferentes, e a empresa tem uma relação complexa e profunda com o mercado chinês que não existe em nenhum outro lugar.
O truque da escassez
Agora vem a parte interessante. A promoção roda de 24 a 27 de janeiro de 2026. São apenas quatro dias. E cada cliente pode comprar no máximo dois dispositivos por categoria.
Mas o verdadeiro limitador está nos números absolutos. A Apple especifica quantos dispositivos estarão disponíveis na promoção:
- 850 iPhones
- 3.840 iPads
- 1.640 MacBook Pro
- 5.040 Apple Watches
- 2.890 AirPods
- 890 Apple Pencil Pro
Vamos colocar isso em perspectiva. A China tem 1,4 bilhão de habitantes. Um em cada quatro smartphones vendidos lá é iPhone. E a Apple está oferecendo desconto em… 850 unidades.
Oitocentos e cinquenta iPhones. Para um país inteiro. Durante o maior evento de consumo do ano.
É quase cômico. É como anunciar uma mega promoção de carro e ter três unidades disponíveis.
Tecnicamente é uma promoção, mas na prática é mais uma ação de marketing para gerar buzz do que uma tentativa real de vender volume com desconto.
Esses números vão evaporar em minutos, talvez segundos, assim que a promoção começar. E milhões de pessoas vão ficar de fora, obviamente.
Mas a Apple consegue o que quer: manchetes, engajamento, sensação de exclusividade, e a narrativa de que “participou” das celebrações do Ano Novo Lunar.

