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Parece que a demanda pelo iPhone 8 não está tão forte quanto nos outros anos

A Apple não divulgou ainda nenhum número oficial das vendas do iPhone 8 desde o seu lançamento, mas os estoques nas lojas estão cheios, algo incomum para os primeiros 30 dias de um novo modelo. Há quem diga que o iPhone 7 esteja até vendendo mais, por ter baixado de preço.

Qual seria o motivo disso estar acontecendo?

Em todos os anos, é normal comentarmos aqui que as primeiras semanas pós-lançamento são sempre difíceis de encontrar novos iPhones nas lojas. A procura é sempre grande, com relatos de leitores que precisaram ficar em filas para esperar algum aparelho disponível.

Este ano, porém, não houve nada disso. Aliás, em 10 anos foi o lançamento mais calmo que um iPhone já teve e quem esteve no dia 22 de setembro nos Estados Unidos pôde comprovar isso. Praticamente não havia fila em frente às lojas, claro que graças em grande parte ao sistema de pré-reserva, em que o cliente comprava online e ia até a loja já com horário marcado para retirar. Porém, mesmo quem não tinha reserva nenhuma não precisava ficar mais que 15 minutos na fila para garantir o seu, algo que seria inimaginável em um dia de lançamento, em anos anteriores.

Hoje, menos de um mês depois, basta chegar em qualquer loja dos Estados Unidos (ou de outros países que vendem o iPhone) e comprar, pois irá encontrar disponível qualquer modelo, de qualquer cor. Na França, inclusive, já tem até operadora fazendo promoções de preço com o novo iPhone 8, algo que geralmente só acontece quando a procura cai.

No Brasil o iPhone 8 está prestes a ser lançado e os comerciantes já estão apreensivos. Conversando esta semana com um funcionário de uma das maiores redes de lojas de produtos Apple, ele me disse que estão todos torcendo para o iPhone X ser mesmo lançado até dezembro no Brasil, caso contrário, “irá quebrar nosso natal“, disse ele. Isso claramente mostra a pouca esperança que todos colocam no início das vendas do iPhone 8 por aqui.

Mas por que isto está acontecendo? Por que há este aparente pouco interesse pelo novo iPhone?

É o primeiro ano que isso acontece de forma tão enfática. Nunca um iPhone de nova geração teve tão pouca procura. Porém, também é a primeira vez que a Apple lança dois novos modelos diferentes, no mesmo ano. E pior, em épocas diferentes, possivelmente por causa de atrasos na produção do modelo especial, o X, que teoricamente serviria para comemorar os 10 anos do iPhone.

Jony Ive, o designer chefe da empresa, já assumiu que foi uma “maravilhosa coincidência” o X ser lançado justamente no ano de aniversário do primeiro iPhone. Este modelo já está sendo elaborado há mais de 2 anos e ele provavelmente seria lançado de qualquer forma, talvez com o nome de iPhone 8 (sem ser uma edição especial). Ou então seria adiado para o ano que vem, se as dificuldades de produção se mostrassem fortes, como agora. Ou seja, o X é “o iPhone de amanhã“, que teremos acesso agora.

E é provável que este seja o grande problema. Se o X é o iPhone “de amanhã“, isso faz com que o inconsciente coletivo acabe considerando o atual iPhone 8 como o “iPhone de ontem“, mesmo com todas as novas tecnologias embarcadas. Por mais que seja um ótimo aparelho, como se interessar por ele se há um outro “melhor ainda“, inclusive com design reformulado e que promete ser o padrão para as próximas gerações?

A Apple foi ousada (ou completamente louca) em lançar praticamente duas “gerações” diferentes ao mesmo tempo, contrariando qualquer lógica. Até mesmo leitores aqui do Blog já previam nos comentários de outro artigo que isso não era uma boa ideia e que poderia gerar confusão na cabeça dos possíveis clientes.

Por isso, tudo nos leva a crer que a atual baixa procura pelo iPhone 8 seja por culpa do iPhone X, que apesar de conter o mesmo processador e mesmo “poder de fogo“, trouxe mais elementos que enchem os olhos do que o modelo que veio com o design de 2014. O preço alto do X até poderia empurrar os consumidores a comprar o 8 por ser mais acessível, porém talvez a tendência seja continuar mais um ano com o aparelho que já possui e esperar pelo modelo do próximo ano, torcendo para que ele não venha tão caro.

Só o tempo dirá se esta nova estratégia da Apple foi um ato de coragem (como ela gosta de afirmar) ou se será seu maior erro estratégico da era pós-Jobs.

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Ale Salvatori

Applemaníaco desde 1995, quando precisou aprender a usar um Mac em uma semana para conseguir um emprego em uma agência de publicidade. Acha que a Apple não é mais a mesma depois da saída do Gil Amelio.

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