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E se o próximo iPhone viesse custando mais de R$6.000?

Muito se fala dos rumores de como será o próximo iPhone, com vozes afirmando que haverá um terceiro modelo especial, comemorando os 10 anos de lançamento do aparelho original. Esta edição comemorativa iria impressionar com características bem ousadas, como sensor de digitais sob a tela, display OLED cobrindo toda a frente, recarga de bateria por indução (como no Apple Watch) e tantas outras novidades que ainda nem imaginamos.

Tudo isso é muito lindo, maravilhoso, mas enquanto todos focam nas novidades, esquecem um ponto muito importante: o preço que ele vai custar. Você estaria preparado para um iPhone valendo mais de R$6.000 no Brasil?

Rumores

Antes de tudo, teremos que comentar sobre o que se fala por aí. Muitos acreditam que podem ser lançados 3 modelos diferentes este ano: um iPhone 7s, um 7s Plus e um outro especial (que muitos chamam de iPhone 8).

Confesso que de início achei estranho. Se era para comemorar os 10 anos, por que não simplesmente lançar um novo modelo único, com todas as novidades já inclusas? Qual a razão de lançar um 7s um pouco melhorado e um 8 separado, este sim com as novidades boas? Quem iria comprar o 7s, se o 8 é bem melhor?

A resposta pode estar no custo dele.

O iPhone mais caro da história

John Gruber, conhecido especialista Apple, levantou diversas questões que explicariam as razões da Apple cobrar entre 1.200 e 1.400 dólares o modelo especial. E muitas delas fazem sentido.

Nos Estados Unidos, a Apple sempre procurou manter o mesmo preço dos iPhones. Com US$649 (mais taxas locais) sempre foi possível levar o modelo da mais nova geração. E apesar de nós aqui no Brasil acharmos isso “barato” por representar metade do que pagamos aqui, para os americanos este ainda é um valor bem alto. Aumentar ainda mais este preço poderia significar uma forte queda nas vendas, por mais que o iPhone seja o objeto desejado por todos.

Aí entra o dilema da Apple. Lançar um aparelho com tantas novidades e especificações avançadas significaria aumentar o seu custo e, consequentemente, o valor para o consumidor. Perceba que, a cada ano, a empresa adiciona ao iPhone alguns poucos elementos novos, tentando não adicionar demais para o custo não aumentar. Se ela colocasse tudo o que nós constantemente pedimos, é provável que o aparelho ficasse caro demais para ela produzir.

Se ela lançar um novo iPhone especial, com diversas características diferentes para marcar o aniversário, provavelmente o preço inicial dele teria que ser maior, o que faria com que muitos americanos (e brasileiros também, principalmente) ficassem sem opção e deixassem de comprar o aparelho. Nesta lógica, faz sentido a Apple também disponibilizar um modelo intermediário com o preço de sempre, apenas melhorando a versão anterior (o que seria chamado de iPhone 7s).

Como Gruber aponta muito bem em seu artigo, a Apple não pode se dar ao luxo de vender menos de 70 milhões de iPhones no primeiro trimestre fiscal (ou seja, outubro/novembro/dezembro), pois isso seria considerado um desastre pelos “analistas” que vivem pregando que a Apple está falindo. Por isso, ela não pode deixar de oferecer uma opção intermediária, além daquela especial.

Outro ponto interessante apontado por ele: sem o limite de custo imposto pelo mercado, imaginem o que a Apple poderia incluir no novo iPhone. Um aparelho mais caro poderia permitir ainda mais funções e possibilidades, para quem tivesse disposto a pagá-lo.

Alguém pode argumentar que outros concorrentes já conseguem fabricar aparelhos mais completos, sem custar os olhos da cara. Porém, esta é uma maneira bem superficial de analisar as coisas. Primeiro, para incluir diversas especificações em um dispositivo só, outros fabricantes são obrigados a diminuir custos, e isso influencia diretamente na qualidade dos componentes. Segundo, precisamos levar em conta a escala: nenhuma empresa do mundo (nem a Samsung) precisa fabricar tantas unidades do mesmo aparelho em tão pouco tempo, pois nenhum outro smartphone possui demanda similar ao iPhone (principalmente em época de lançamento). É muito mais fácil precisar produzir menos de 10 milhões de unidades por trimestre (é a quantidade produzida pelos concorrentes) do que os 70 milhões. Produção em altíssima escala tem seu preço.

Basta incluir apenas um único componente no novo iPhone que seja difícil de produzir, para atrasar toda a cadeia de produção e influenciar negativamente nas vendas.

E se formos pensar, se ela for lançar mesmo um modelo 7s, o que faria as pessoas escolherem ele e não o mais moderno? Se o 7s e o modelo especial custarem quase a mesma coisa, por que alguém compraria o 7s? Com isso, é lógico imaginar que o tal iPhone OLED deva ser mais caro que o modelo de base, até porque ele deverá ser mais difícil de produzir.

Com isso, seria introduzida uma linha premium nos modelos do iPhone, assim como já foi feito no MacBook, no iMac e no iPad. Um modelo mais caro, com características melhores, para quem estiver disposto a pagar.

Por tudo isso, Gruber acredita que o novo iPhone OLED possa chegar ao mercado americano custando uns US$1.200. Isso, no Brasil, provavelmente significaria mais de 6.000 reais, enquanto que o modelo 7s e Plus permaneceria mais ou menos com os mesmos valores de hoje.

Ou seja, é bom segurarmos muito as expectativas em relação a um novo iPhone repleto de novidades. Se ele realmente for lançado, é possível que seu preço no Brasil seja ainda mais proibitivo do que geralmente é. E de objeto dos sonhos, pode virar uma utopia para muitos de nós.

Crédito da imagem inicial do artigo: um conceito de Thadeu Brandão

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Ale Salvatori

Applemaníaco desde 1995, quando precisou aprender a usar um Mac em uma semana para conseguir um emprego em uma agência de publicidade. Acha que a Apple não é mais a mesma depois da saída do Gil Amelio.

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