Curiosidades

Como seria o Super Mario Run se ele seguisse o modelo Freemium

O jogo do momento é o Super Mario Run, lançado na semana passada e que já bateu mais um recorde da App Store, ao ser baixado 40 milhões (!!!) de vezes nos quatro primeiros dias. Ele é diferente por diversas razões, entre elas, o fato da Nintendo trazer pela primeira vez um de seus personagens icônicos para o mundo mobile (se não considerarmos o Pokémon, que é também dela mas possui propriedade compartilhada) e também um modelo clássico de pagamento único pelo jogo inteiro.

Desde 2012, o modelo freemium (que é aquele que você baixa de graça o app e depois pode pagar constantemente para ter benefícios) tem feito um sucesso enorme entre os aplicativos, se mostrando a forma preferida de rentabilidade. Na verdade, hoje em dia o modelo freemium rende muito mais retorno financeiro do que os aplicativos pagos. De longe.

A internet é povoada de reclamões e há quem esteja se lamentando do modelo econômico escolhido pela Nintendo (um pagamento único para desbloquear o jogo inteiro). Seja pelo “preço alto” estipulado ou do “absurdo” de pagar e depois não ter atualizações futuras com mais conteúdo (uma das grandes vantagens dos freemiums). Alguns argumentam que o Pokemon GO é gratuito, e por isso a Nintendo deveria manter a fórmula também para o Mario.

Por isso, para brincar com este tipo de usuário, o site britânico Pocket Gamer decidiu imaginar como seria o jogo se ele tivesse adotado o modo gratuito com compras internas constantes. E o resultado ficou divertido. 🙂

A ideia original dos jogos freemium (junção das palavras free + premium) é disponibilizar o aplicativo todo de forma gratuita, mas permitir que se compre melhorias para avançar mais rapidamente no jogo, como energia, moedas, gemas, etc. O problema é que muitos destes jogos abusam da fórmula, dando uma vantagem absurda para quem paga e fazendo os que não pagam levarem muito mais tempo para completar as fases em relação aos outros competidores.

Um dos recursos bastante usados é colocar o famigerado tempo de espera durante o jogo, geralmente após concluir uma fase ou então um período para um baú ser aberto (olá, Clash Royale!). Se o Mario tivesse o modelo freemium, com certeza teríamos este tipo de espera para jogar.

Super Mario Run Freemium Super Mario Run Freemium

Você acha $9,99 muito caro para desbloquear o jogo inteiro? Pois em um modelo freemium provavelmente você precisaria de muito mais para jogar os mesmos níveis, ou então ter que ficar jogando horas e horas para juntar moedas suficientes para passar de mundo. E ficar repetindo as mesmas fases várias e várias vezes não é algo muito agradável, sem falar nos tempos intermináveis de espera.

Super Mario Run Freemium

Outro truque muito usado é o de limitar a capacidade do usuário de reter ítens. O Pokémon GO é exatamente assim e com o Super Mario Run não seria diferente. Tudo para forçar o usuário a desembolsar grana para avançar no jogo.

Super Mario Run Freemium

Passou de mundo novamente, que legal! Só que para desbloquear outro, você precisará de ainda mais moedas, tendo que repetir de novo diversas fases anteriores até juntar o necessário. Mas claro, você poderia desbloquear isso facilmente com o uso do seu cartão de crédito…

Super Mario Run Freemium

Está difícil passar as fases? Compre bolhas e tenha vidas em uma quantidade tão infinita quanto seu limite do cartão de crédito.

Super Mario Run Freemium

Não quer gastar dinheiro? Sem problema! Você pode assistir horas e horas de vídeos promocionais, para conseguir de graça aquilo que você deveria ter conseguido com seu esforço no jogo.

Super Mario Run Freemium

E aí você consegue, depois de semanas jogando, completar o mundo 3! Há tantos mundos ainda para completar e você está se divertindo muito, não? Claro que para avançar, você terá que jogar várias fases de novo, para juntar mais moedas e desbloquear o mundo 4. Bem, você pode comprar o desbloqueio com apenas um toque, para a coisa ser mais rápida. E no fim, você já gastou bem mais do que $9,99…

Super Mario Run Freemium


A Nintendo está sendo corajosa em adotar uma fórmula clássica de venda de jogo, em um mundo mergulhado de freemium. É claro que há quem irá reclamar que está muito caro, ou dizer que preferia que fosse tudo de graça, mas no mundo em que vivemos não há almoço grátis. Para pagar a enorme equipe de desenvolvimento que traz estes jogos para nós, a empresa investe uma quantia considerável e precisa que o resultado dê um retorno financeiro que justifique o investimento. Talvez esta brincadeira do Pocket Gamer serviu para deixar claro o quão incômodo pode ser um modelo gratuito com compras internas. E ao mesmo tempo que é uma crítica ao modelo vigente, nos mostra que não é tão ruim assim pagar uma vez só pelo jogo completo, sem truques e sem dar vantagens a outros jogadores que possuem melhores condições financeiras que a gente.

Eu estou curtindo o Super Mario Run e ainda não comprei o pacote completo. Nem cheguei ainda no mundo 1-3, porque estou me esforçando primeiro para pegar todas as moedas coloridas, o que não é fácil (estou sofrendo com as verdes). A meu ver, isso é curtir o jogo, aproveitar tudo o que ele tem e chegar ao máximo de sua jogabilidade. Acho errado os que desbloquearam as fases e jogaram todas, em sequência, sem aproveitar verdadeiramente o jogo. É claro que assim a graça acaba muito rápido e os 10 dólares não valem o investimento.

Por isso, se você é realmente fã de Mario, curta muito este modelo que eles escolheram e aproveite todas as possibilidades de cada fase. 😉

Fonte: PocketGamer – Tradução das imagens: blogdoiphone.com

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Ale Salvatori

Applemaníaco desde 1995, quando precisou aprender a usar um Mac em uma semana para conseguir um emprego em uma agência de publicidade. Acha que a Apple não é mais a mesma depois da saída do Gil Amelio.

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