Apple prepara dupla pancada em IA ainda em 2026: Siri turbinada e modo chatbot

iOS 26.4 trará Siri com Gemini na primavera, e iOS 27 poderá transformar assistente em chatbot completo em setembro

Por iLex
New Siri

Todos já sabemos que a Apple perdeu a corrida da IA. Há muitas soluções no mercado que fazem coisas que a maçã nem chega perto. Então, o que se discute não é nenhuma revolução, mas sim o que a empresa está fazendo para tentar alcançar a concorrência e oferecer o melhor para seus usuários. E nesse sentido, 2026 promete muitas novidades.

Mark Gurman acaba de revelar que a empresa planeja não uma, mas duas grandes atualizações na Siri ainda em 2026. E a segunda delas pode transformar completamente a forma como interagimos com nossos iPhones, iPads e Macs.

A estratégia é ambiciosa: primeiro, turbinar a Siri com o poder do Gemini do Google na primavera (a velha “Nova” Siri). Depois, transformá-la em um chatbot completo no segundo semestre, com o iOS 27.

Siri finalmente aprende a fazer as coisas

A primeira pancada vem com o iOS 26.4, previsto para este primeiro trimestre do ano (provavelmente março ou abril).

É quando a Siri reformulada, turbinada pelo modelo Gemini customizado do Google, finalmente chega aos nossos aparelhos.

E não é pouca coisa. A Apple está pagando cerca de US$ 1 bilhão por ano ao Google para licenciar um modelo Gemini gigantesco, de 1,2 trilhão de parâmetros, que rodará em servidores privados da Apple.

A ideia é processar consultas complexas de IA mantendo a privacidade do usuário através de dados criptografados e sem estado.

Com essa atualização, a Siri finalmente ganha:

  • Ações dentro de apps: Aquela promessa de “faça isso por mim no app X” que vem sendo adiada há tempos. A Siri poderá executar tarefas complexas dentro dos seus aplicativos.
  • Consciência de contexto pessoal: A assistente vai entender melhor quem você é, suas preferências, seus hábitos. Vai saber que quando você fala “mande mensagem para minha mãe” ela precisa procurar na sua lista de contatos quem é essa pessoa.
  • Consciência do que está na tela: Finalmente a Siri vai ver o que você está vendo. Poderá agir sobre conteúdo que está aparecendo no seu iPhone ou Mac naquele momento.

É basicamente tudo que deveria ter vindo com o Apple Intelligence original em 2024, mas que foi adiado. A parceria com o Google permitiu à Apple alcançar esse desenvolvimento e entregar algo realmente funcional.

iOS 27: Siri vira chatbot

A segunda pancada vem no segundo semestre, provavelmente em setembro, junto com o lançamento do iOS 27. E essa é a mais interessante.

Segundo Gurman, a Apple está desenvolvendo internamente uma versão da Siri em formato de chatbot, com o codinome Campos. Internamente, a empresa está testando isso como um app separado, mas não é assim que vai chegar ao público.

A Siri no iOS 27 ganhará funcionalidades completas de chatbot:

  • Busca na web integrada e inteligente
  • Geração de conteúdo, incluindo imagens
  • Assistência em programação e código
  • Resumo e análise de informações complexas
  • Upload de arquivos para trabalhar com documentos
  • Uso de dados pessoais para completar tarefas de forma contextualizada
  • Busca substancialmente melhorada em relação ao que temos hoje
  • Visualização de janelas abertas e conteúdo na tela em tempo real
  • Ajuste de configurações e recursos do dispositivo

E aqui está o pulo do gato: memória entre conversas. A Siri vai lembrar do que você falou antes, vai manter contexto ao longo do tempo, vai entender referências a conversas anteriores.

Isso é, literalmente, o que define um chatbot moderno. É o que o ChatGPT faz. É o que o Gemini faz. Mas a Apple não vai chamar de chatbot.

Por que não será um chatbot (segundo a Apple)

Greg Joswiak foi bem claro sobre isso em entrevistas recentes. Para ele, chatbot é algo que tem um app dedicado, um lugar central onde você vai conversar com a IA. E a Siri não será isso.

Você vai continuar invocando a Siri do mesmo jeito de sempre: segurar o botão lateral, dizer “E aí, Siri”, ou digitar.

Não haverá um app chamado “Siri Chat” ou “Apple Intelligence Chat”. Não terá uma interface onde você abre e começa a conversar do zero.

A filosofia da Apple é diferente. Como Joz explicou:

Nossa estratégia é um pouco diferente de outras empresas. Nossa ideia de Apple Intelligence é usar IA generativa como uma tecnologia habilitadora para recursos em todo o sistema operacional. Tanto que às vezes você está fazendo coisas sem nem perceber que está usando Apple Intelligence. Esse é nosso objetivo: integrar. Não há destino, não há app chamado Apple Intelligence, o que é diferente de um chatbot.

Não será um chatbot no sentido tradicional de ter um app dedicado. Mas terá todas as funcionalidades de um chatbot, incluindo memória persistente e capacidade de manter conversas complexas.

O que a Apple está propondo é realmente interessante quando você para para pensar. Eles estão pegando o melhor de vários mundos:

  • Backend poderoso do Gemini para processar as consultas complexas
  • Processamento on-device para tarefas mais simples e privadas
  • Sistema de app intents que mapeia todas as funções e dados do seu iPhone para a IA seguir
  • Memória de interações anteriores para contexto contínuo
  • Private Cloud Compute rodando em energia renovável quando for necessário processamento na nuvem

Se funcionar como prometido, será uma experiência única que nenhuma outra marca consegue oferecer. Nem o Google Pixel, que tem acesso direto ao Gemini, consegue essa integração profunda com o sistema operacional que a Apple está construindo.

A diferença é que tudo isso acontece sem você precisar abrir um app específico, sem seus dados ficarem guardados em servidores permanentemente, e com a assistente aparecendo exatamente quando e onde você precisa.

Timing perfeito?

A ironia é que os atrasos da Apple podem ter sido uma benção disfarçada. Enquanto a empresa lutava para fazer o Apple Intelligence funcionar, o mercado de IA passou por turbulências.

A IA começa a saturar os usuários. Há quem não aguente mais ouvir falar nisso, ver vídeos criados com isso e imagens de capas de artigos de blogs feitos com IA. Não sabemos mais o que é verdadeiro e o que é criado por computador.

Chatbots começaram a mostrar anúncios. O público geral está cansando do que chamam de “AI slop” (conteúdo genérico gerado por IA). E analistas já falam de uma bolha prestes a estourar.

Se a Apple chegar em setembro com uma IA que “fica fora do caminho, aparece quando solicitada, e fornece funções sem precisar espionar usuários”, pode ser o momento perfeito.

Então, se a Apple realmente usar de forma inteligente a IA, mostrando que ela pode ser útil para o usuário sem nem aparecer, este pode ser a grande virada que fará a maçã voltar para o jogo.

E tem mais: um pin vestível de IA

Gurman também revelou que a Apple está trabalhando em um dispositivo vestível de IA em formato de pin.

Aproximadamente do tamanho de uma AirTag, com múltiplas câmeras, alto-falante, microfones e carregamento sem fio.

Mas isso é assunto para mais tarde. Por enquanto, 2026 já promete ser intenso o suficiente.

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