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iPhone, iPad e autismo

Hoje, dia 2 de abril, comemora-se o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. E o que o iPhone e o iPad tem a ver com este assunto? Tem muito a ver, conforme você verá neste texto.


Primeiramente, irei me apresentar. Meu nome é Marco Miyashiro, sou pai de dois filhos, sendo um deles autista, o Vinicius, com 15 anos de idade. Ele foi diagnosticado com autismo aos 4 anos pela Fundação Casa da Esperança, em Fortaleza. Esta instituição é referência no assunto autismo, porque lá eles contam com uma equipe altamente especializada, desde terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos e psiquiatras.

O termo autista ou TEA (transtorno do espectro autista) é um distúrbio em que a pessoa tem dificuldade em interagir com outros indivíduos. Geralmente se fecham no mundo delas. Quando jovens, possuem fixação por tudo que gira, sejam as rodas dos carrinhos, as hélices do ventilador e coisas do tipo.

Dependendo do caso, podem ter problemas de atraso para desenvolver a fala ou, infelizmente, nunca falar. Costumam ter estereotipias quando mais jovens, como por exemplo balançar as mãos e o tronco repetidamente, porém, com a ajuda de profissionais especializados, estas manias costumam desaparecer.

O autismo por enquanto não tem cura, mas eu nem sei se podemos classificar esta síndrome como uma doença, tendo em vista que grandes nomes nas artes, ciência e música foram autistas e são considerados gênios pelos seus feitos, tais como Albert Einstein, Mozart, Michelangelo, Charles Darwin e Isaac Newton.

Mas se não existe cura para o autismo, o que fazer? Como proceder? Bem, para isto existem terapias específicas, com fonoaudiólogos especializados na área, para ajudar na fala, terapeutas ocupacionais, psicólogos, psiquiatras. E é lógico, principalmente, a aceitação por parte dos pais desde o momento em que o seu filho é diagnosticado com autismo, pois quando o casal aceita que o seu filho tem esta síndrome, tudo fica mais fácil.

Meu filho frequenta todos os dias uma escola japonesa especial, específica para crianças e jovens especiais, sejam portadoras de Síndrome de Down, autismo ou outras síndromes, e ela ajuda e muito no desenvolvimento do meu filho e de outras crianças e jovens especiais. E o que me chama a atenção é que esta escola também utiliza o iPad como meio de terapia para as pessoas que lá frequentam.

E o que o iPhone e o iPad tem a ver com o autismo? Bom, pelo menos aqui em casa, desde 2008, ano em que eu adquiri o meu primeiro iPhone, este device faz parte da nossa família e na minha visão, ele ajudou o meu filho a desenvolver o chamado tato fino, dentre outras habilidades.

* Tato fino: percepção das características dos objetos que tocam a pele.

Uma das características do autista é serem meio que atrapalhados, e utilizando o iPhone percebi que o meu filho aprendeu a desenvolver o tato fino, para poder digitar o que ele deseja, seja na busca de vídeos no YouTube, jogar games, ver fotos. Enfim, na minha modesta opinião, penso que o iPhone e o iPad fizeram e ainda fazem parte na ajuda para tornar o meu filho o mais independente possível.

Mas, como assim independente? Os autistas por suas características acabam ficando muito dependentes dos seus pais, não que isto seja ruim, porém, se pensarmos pelo bem dos nossos filhos autistas, quanto mais independentes de nós eles forem, melhor.

Cito um exemplo aqui em casa mesmo: uma vez que o meu filho me viu digitando palavras no YouTube em busca de um determinado vídeo, e o que ele fez? Aprendeu sozinho e eu nem precisei ensiná-lo. O mais impressionante foram os games; tem jogos que eu nunca joguei, mas baixei porque eram gratuitos e o que o meu filho fez? Foi lá e aprendeu a jogar, sozinho.

E os jogos desenvolvem a lógica, o raciocínio, o tato fino. Muitas vezes, é surpreendente o que ele faz com o iPhone e o iPad. Há jogos que só ele consegue jogar eu não, não sei nem pra onde vai!

Hoje em dia, existem muitos aplicativos específicos voltados para o autismo na própria App Store, só que o meu filho não se interessa por nenhum, só quer saber de YouTube, jogos e fotos. Eu nem forço, já que ele sabe bem o que quer e o que procura no seu iPhone.

Se até a escola especial que o meu filho frequenta faz uso do iPad como parte da terapia para desenvolver as crianças e os jovens de lá, quem sou eu para ser contra a sua utilização? Pelo contrário, eu aprovo e até incentivo o uso de iPhone e iPad aqui em casa com o meu filho.

Marco Miyashiro

Paulistano, mas cearense de coração, pai de um filho autista. Apaixonado pela Apple desde que adquiriu o seu primeiro iDevice, um iPhone 3G, em 2008. Hoje não desgruda do seu iMac de 27 polegadas, ano 2011, do Apple Watch de primeira geração e nem do seu iPhone X Space Gray. Fundador e Editor do blog MacUser Brasil.

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