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Há 18 anos, Steve Jobs explicava por que era contra serviços como o Apple Music

Hoje, quando se fala de mercado musical, as duas maiores referências da indústria são o Spotify e o Apple Music, ambos serviços de streaming que exigem uma assinatura mensal para se ter acesso completo às faixas.

Mas nem sempre foi assim.

Em 2003, Steve Jobs deixou claro que era contra este tipo de serviço que não permitia que os usuários possuíssem as músicas, prendendo-os a uma assinatura mensal.

Sua visão para a indústria era outra bem diferente.



História

Quando a internet chegou, a indústria musical era baseada totalmente na venda de CDs, em que o ouvinte era obrigado a comprar o disco inteiro mesmo que fosse para ouvir apenas uma canção.

Essa limitação fez com que um fenômeno chamado Napster fizesse um estrondoso sucesso e ameaçasse toda a indústria fonográfica: ele permitia a qualquer um baixar apenas a música que queria, de graça.

Foi um caos. As grandes gravadoras moveram processos judiciais contra quem distribuía e baixava músicas, implementou sistemas de travas digitais e tentou muitas outras coisas no desespero de ver seu império desmoronar.

Visto que a internet parecia inevitável, algumas soluções foram pensadas para se adaptar aos novos tempos. Uma delas foi a assinatura de streaming.

Duas empresas saíram na frente neste segmento: Rhapsody e Pressplay.



O lançamento da iTunes Music Store

Steve Jobs sempre foi inquieto em apresentar algo diferente do que o resto do mercado estava fazendo.

Ele não concordava que “alugar” músicas fosse a melhor alternativa para o usuário, pois este acharia mais cômodo e prático baixar a música de graça na internet e ouvi-la quando quiser.

Por isso a Apple criou a iTunes Music Store, que vinha com uma proposta diferente do que se estava fazendo até aquele momento: o usuário teria uma maneira fácil de comprar a música que quisesse, individualmente, com alta qualidade e fácil localização.

Então, ele podia baixar no seu computador para transferir para o seu iPod ou até mesmo gravar em um CD, para escutar onde quisesse.

E isso foi um sucesso tão grande que mudou definitivamente toda a indústria de música.



Contra o streaming

Na apresentação que fez da iTunes Music Store, em 2003, Steve Jobs atacou os então emergentes serviços de streaming, com duras palavras.

Para ele, este tipo de serviço tratava o usuário como um criminoso.

Ao apresentar pela primeira o novo serviço da maçã, Jobs destacou quais eram os problemas que deveriam ser solucionados naquele momento. E um deles era que não existia na época uma maneira legal (no sentido jurídico) de baixar músicas, o que contribuiu para a proliferação da pirataria.

Tem um lado sombrio [em baixar músicas piratas]: oferece downloads não confiáveis, qualidade não confiável (muitos desses arquivos são codificados por crianças de 7 anos que não fazem um trabalho bom), não dá para escutar uma prévia (você passa um tempão baixando uma música para no fim descobrir que não era aquela que você queria), não tem a imagem da capa do álbum, e o pior de tudo, você está roubando, o que é péssimo para o seu karma.

O que começava a existir eram serviços de streaming, que você assinava para ter acesso temporário a um enorme catálogo de músicas. Mas Jobs fez questão de destacar os pontos negativos deles:

Não existem alternativas legais [para baixar músicas]. Aí alguém se pergunta “Mas e o Pressplay e o Rhapsody”? Bem, ambos são serviços de assinatura. Você não pode apenas pegar uma música e pagar pouco por ela, você tem que pagar uma assinatura inteira.

E eles nem te deixam baixar todas as músicas, nem te permitem colocá-las no seu player MP3. Eles não te deixam gravar um CD com elas.

Em seguida, ele fala mais especificamente dos serviços existentes na época e o preço que cobravam:

O Pressplay permite você baixar as músicas, mas elas ficam atreladas à sua assinatura. Você baixa 500 músicas, mas se um dia você parar de pagar a mensalidade, sua biblioteca musical inteira vai embora.

O Rhapsody até permite gravas as músicas em um CD, mas cobra uma taxa adicional por música, além da assinatura mensal.

E ele dá o golpe mais forte:

Estes serviços o tratam como um criminoso. Nós achamos que serviços baseados em assinaturas são o caminho errado e uma das razões que acreditamos nisso é porque as pessoas sempre compraram suas músicas e desejam comprar também pela internet assim como compravam LPs, cassetes e CDs.

Elas querem comprar músicas que nunca desapareçam.

É engraçado ouvir o que dizia Jobs, quando o Apple Music hoje faz exatamente isso: corta o acesso às músicas caso a assinatura deixe de ser paga.

Confira o vídeo da apresentação, a partir do minuto 21:30.

O serviço de streaming da maçã foi lançado em junho de 2015, quase 4 anos após a morte de Steve Jobs. E aí fica a grande pergunta: o que será que teria acontecido se Steve Jobs ainda tivesse conosco até hoje?

É uma resposta que nunca saberemos.



Ale Salvatori

Applemaníaco desde 1995, quando precisou aprender a usar um Mac em uma semana para conseguir um emprego em uma agência de publicidade. Acha que a Apple não é mais a mesma depois da saída do Gil Amelio.

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