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iPhones tem carregamento mais rápido que aparelhos Android em carregadores não oficiais

Em teste feito pela ChargeLab, o iPhone se saiu melhor ao usar um carregador de marca diferente

Todo mundo sabe que o iPhone é menos veloz ao carregar sua bateria quando comparado com alguns concorrentes, que prometem velocidades muito rápidas de carregamento.

O máximo de carga que um iPhone mais recente aceita é algo em torno de 27W, enquanto há dispositivos hoje no mercado capazes de absorver mais de 100W. E com isso, o tempo de carregamento é muito menor.

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Porém, o que as fabricantes não fazem muita questão de destacar em suas peças de marketing é que essa super velocidade só acontece com carregadores muito específicos. Do contrário, esse mesmo carregamento poderá ser mais lento do que o de um iPhone.

E foi este o teste que a equipe do ChargerLab resolveu fazer: como se comportam os principais smartphones do mercado quando conectados em carregadores potentes, mas de marcas diferentes.

A conclusão deles é que, ao usar um carregador de marca diferente, o iPhone apresenta um melhor desempenho em relação aos seus concorrentes. Não é irônico?

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Carregadores padrão

Para ficar bem claro para todos, vamos definir aqui o que chamaremos de “padrão” para carregadores.

São aqueles que possuem uma boa qualidade, homologados e seguem todas as recomendações de segurança, porém são de marcas independentes, sem vínculo com a fabricante do celular. Um exemplo disso são os carregadores da Anker, Baseus, Ugreen, entre outras.

Os mais modernos usam o USB PD 2.0, padrão da indústria que serve (ou pelo menos deveria servir) como referência para que todos os dispositivos sejam compatíveis entre si.

Com a tendência lançada pela Apple de não incluir o carregador original na caixa e repetida pelo resto do mercado, o consumidor está tendo que se acostumar com a compra individual de acessórios para carregar seu smartphone.

Aqui no BDI nós até explicamos direitinho como você deve escolher um carregador de qualidade para o seu aparelho.

Mesmo sendo um incômodo para o consumidor ter que comprar separadamente o carregador de um aparelho que pagou tão caro, o contraponto é que ele acaba tendo mais liberdade de escolher um acessório mais potente e com mais recursos.

Mas se você comprou um smartphone Android que prometia carregamento super rápido, essa “liberdade” pode ficar bem limitada.


Teste de carregadores

A experiência feita pegou vários modelos diferentes de smartphones e realizou dois testes: um carregando com o cabo e adaptador de tomada originais da marca, e outro com um carregador padrão do mercado.

Confira o vídeo e em seguida faremos um resumo do que foi apresentado.

No vídeo é possível ver que alguns modelos de smartphone recarregam realmente muito rápido. Mas isso acontece somente quando usados carregadores e cabos da mesma marca da fabricante.

Quando é usado um carregador padrão da indústria, essa velocidade cai absurdamente, ficando mais lento que um iPhone.

Em vermelho, a potência recebida por cada modelo ao usar um carregador não proprietário

O dado pitoresco desta experiência é ver que um carregador padrão de outra marca é capaz de recarregar o iPhone de forma mais rápida que o da marca Apple. 🤣

Foram usados carregadores padrões velozes de qualidade que fornecem grandes potências, como 65W, 100W e 120W. Mesmo assim, os aparelhos não receberam nem um quarto dessa potência.

Como se vê, ao usar um outro carregador que não seja da marca do fabricante, todos os smartphones carregam em uma velocidade mais lenta que o iPhone. E isso é algo que, definitivamente, o consumidor que compra estes modelos nem sequer imagina ao ser bombardeado pelo marketing dessas empresas antes da compra.

Mas por que essa diferença? Por que estes aparelhos de outras marcas não trabalham bem com carregadores velozes que são padrão do mercado?

Isso tem a ver com o uso de protocolos proprietários.


Protocolos proprietários

Desde o iPhone 8, os smartphones da Apple usam o padrão USB PD 2.0.

Com ele, o carregador fornece diferentes pares para tensão e intensidade, que são fixos. Os iPhones podem usar uma tensão de 5V ou de 9V, em ambos os casos com uma intensidade máxima de 3A, ou 15 ou 27W.

É esse padrão que é suportado pela maioria dos carregadores USB-C do mercado, o que dá a liberdade para o usuário de iPhone escolher entre várias opções diferentes.

E isso inclusive tem ajudado os advogados da maçã a ganharem processos que se baseiam no argumento de “venda casada“. Porque o consumidor pode, de fato, escolher a marca do seu carregador sem estar preso à Apple.

Para smartphones Android, a coisa não é tão simples. Isso porque existem outros protocolos diferente do padrão: Quick Charge da Qualcomm, USB PD 3.0 com PPS e outros protocolos proprietários.

Os dois primeiros funcionam de uma forma diferente do USB PD 2.0: a tensão e a intensidade variam muito mais finamente (entre 3,3 V e 21 V) durante a carga. Esta solução permite um carregamento mais rápido e eficiente, porém é extremamente dependente do tipo de carregador.

Já nos casos daquelas marcas que anunciam potências superiores a 100W, a coisa ainda é pior, pois exigem obrigatoriamente o uso do cabo e carregador original da marca. Não há opções no mercado para o consumidor.


Uma rasteira no meio ambiente

Vale lembrar que toda esse imbroglio (lê-se imbrólio, ok?) dos carregadores fora da caixa na teoria seria para criar menos lixo eletrônico no futuro e conscientizar a todos a usar um único carregador para seus diferentes dispositivos.

Porém, esses novos smartphones que usam protocolos proprietários acabam com tudo isso, ao forçar o consumidor a comprar o carregador específico para aquele modelo, da marca da mesma fabricante. Isso sim é a definição explícita de venda casada, jovem hater gafanhoto.


Conclusão

A experiência do ChargerLab mostra que alguns modelos que rodam Android realmente carregam muito rápido a bateria.

Porém, expõe também a questão de que o usuário obrigatoriamente precisa comprar carregadores da mesma marca para obter os resultados divulgados nas campanhas de marketing.

Isso é relevante por dois motivos: primeiro porque é uma discussão atual sobre padrões únicos de carregamento e redução de lixo eletrônico. A Europa está sendo mais dura em sua legislação para que todas as fabricantes ofereçam acessórios interoperáveis no mercado, justamente para acabar com essa história de ter um carregador novo a cada dispositivo comprado.

E o que estas marcas estão fazendo vai completamente do sentido inverso disso.

O outro ponto é irônico, pois a Apple sempre foi acusada de ser fechada e adotar apenas seus próprios padrões proprietários. E nesse caso, estamos vendo as coisas acontecerem de forma completamente diferente disso.




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Ale Salvatori

Applemaníaco desde 1995, quando precisou aprender a usar um Mac em uma semana para conseguir um emprego em uma agência de publicidade. Acha que a Apple não é mais a mesma depois da saída do Gil Amelio.

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