Graças à IA, seu próximo iPhone deve ficar bem mais caro

Relatório da TrendForce aponta uma forte alta no custo das memórias, impulsionada pela demanda de IA, e prevê impacto direto no preço dos próximos iPhones.

Se você sempre achou que o iPhone era caro (e sempre foi mesmo), prepare-se, pois a situação vai piorar. Depois dos aumentos de preços de junho terem poupado o iPhone, é bastante provável (e esperado) que agora em setembro nem mesmo o produto mais popular da maçã escape dos ajustes.

Segundo um novo levantamento da TrendForce, o aumento explosivo no preço das memórias deve elevar significativamente o custo de produção não apenas da próxima geração do iPhone, mas também dos modelos antigos.

Ou seja, aquela máxima de esperar lançar um novo iPhone para comprar o modelo anterior pode não funcionar esse ano.

No caso do iPhone 18 Pro de 256 GB, a empresa estima que o custo dos componentes será cerca de 38% maior que o do modelo equivalente lançado em 2025.

E a própria TrendForce é bastante direta ao avaliar as consequências disso: algum aumento no preço final dos aparelhos é considerado praticamente inevitável.

O curioso é que uma das principais responsáveis por essa situação é justamente a corrida mundial pela inteligência artificial.

A IA está disputando memória com o seu iPhone

Para entender o problema, é preciso olhar um pouco além da Apple.

O crescimento dos grandes centros de processamento de inteligência artificial aumentou brutalmente a procura por memórias usadas em servidores.

Ao mesmo tempo, fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron têm razões econômicas para direcionar uma parcela maior de sua capacidade de produção para componentes destinados a servidores e aplicações de IA, que oferecem margens mais interessantes.

A TrendForce já vinha alertando que fabricantes estão realocando capacidade para produtos como HBM e memórias destinadas a servidores.

No segundo trimestre de 2026, a empresa projetava aumentos de 58% a 63% nos preços contratuais de DRAM convencional e de impressionantes 70% a 75% em NAND Flash.

Mesmo com uma desaceleração no ritmo dos aumentos no terceiro trimestre, a pressão continua.

A previsão mais recente aponta novas altas de 13% a 18% para DRAM e de 10% a 15% para NAND Flash. A demanda relacionada à inteligência artificial e aos grandes centros de dados continua sendo uma das principais forças sustentando esses preços.

E isso atinge diretamente os smartphones.

Memória pode virar o componente mais caro do iPhone

Os números divulgados pela TrendForce mostram como essa transformação aconteceu rapidamente.

Há aproximadamente um ano, as memórias representavam em torno de 10% do custo total dos componentes de um iPhone Pro de 256 GB.

No terceiro trimestre de 2026, essa participação teria saltado para cerca de 34%.

E a previsão é que ultrapasse 40% durante o primeiro semestre de 2027.

Isso muda completamente a composição de custos do aparelho.

Historicamente, componentes sofisticados como o processador principal e a tela estavam entre os itens de maior peso na fabricação de um iPhone.

Agora, memória RAM e armazenamento começam a ocupar uma parcela enorme dessa conta.

Segundo a TrendForce, os preços das memórias já aumentaram entre cinco e sete vezes desde o início de 2025, dependendo do tipo de componente.

É nesse cenário que aparece a estimativa mais preocupante para a Apple: fabricar um iPhone 18 Pro de 256 GB deverá custar aproximadamente 38% mais em componentes do que fabricar o iPhone 17 Pro equivalente.

Isso não significa um iPhone 38% mais caro

Existe uma diferença importante aqui.

A TrendForce está falando do chamado BOM, ou Bill of Materials, que representa basicamente o custo dos componentes necessários para construir o produto.

Isso não significa que um aumento de 38% no BOM será automaticamente transformado em um aumento de 38% no preço da loja.

O preço de um iPhone envolve muitos outros fatores, incluindo desenvolvimento, fabricação, logística, marketing, distribuição, impostos e, naturalmente, a margem de lucro da Apple.

A própria TrendForce acredita que a Apple provavelmente absorverá uma parte desse aumento, reduzindo sua margem para evitar que o preço do iPhone 18 suba a ponto de prejudicar seriamente as vendas.

A empresa tem alguma margem financeira para fazer isso. No trimestre encerrado no último 27 de junho, a Apple registrou uma margem bruta corporativa de 50,1%, embora esse número reúna diferentes produtos e Serviços e tenha sido beneficiado em aproximadamente dois pontos percentuais por reembolsos tarifários. Portanto, ele não representa especificamente a margem obtida com cada iPhone vendido.

Ainda assim, absorver integralmente um aumento dessa dimensão parece improvável.

Por isso, a questão neste momento parece ser menos se haverá algum reajuste e mais quanto desse aumento a Apple aceitará absorver antes de repassá lo ao consumidor.

Até os iPhones antigos podem subir de preço

Há outro detalhe na análise da TrendForce que chama bastante atenção.

A Apple pode mudar também a forma como trata os modelos de gerações anteriores.

Normalmente, a chegada de uma nova linha provoca uma reorganização do catálogo. O novo iPhone assume o espaço principal e alguns modelos antigos permanecem à venda por preços reduzidos.

Com o custo das memórias subindo dessa forma, essa lógica pode não funcionar tão bem em 2026.

A TrendForce considera possível que a Apple reavalie os preços dos modelos antigos junto com a chegada do iPhone 18, elevando alguns deles para ajudar a compensar os custos maiores dos componentes.

Seria uma situação bastante incomum para o consumidor: em vez de esperar o lançamento do novo iPhone para comprar a geração anterior mais barata, ele poderia encontrar aparelhos antigos custando mais.

Isso também explicaria por que a pressão sobre os preços pode acabar atingindo muito mais gente do que apenas quem pretende comprar um iPhone 18 Pro.

E a Apple ainda está em uma posição privilegiada

Se a situação já é complicada para a Apple, pode ser ainda pior para fabricantes de aparelhos Android.

A TrendForce observa que muitas dessas empresas trabalham com margens menores, principalmente nos segmentos intermediário e de entrada.

Isso reduz consideravelmente a possibilidade de absorver o aumento no preço das memórias.

Nesses casos, existem basicamente três caminhos: aumentar o preço dos aparelhos, reduzir especificações ou simplesmente abandonar linhas que deixarem de ser rentáveis.

A consultoria acredita que essa pressão continuará afetando a produção mundial de smartphones durante o segundo semestre de 2026 e ao longo de 2027.

Em julho, a TrendForce chegou a projetar uma queda entre 15% e 20% na produção mundial de smartphones em 2026, justamente em um cenário no qual os custos elevados dos componentes reduzem a demanda e dificultam principalmente a vida dos fabricantes que atuam em faixas de preço mais sensíveis.

A conta da revolução da IA está chegando

Durante os últimos anos, boa parte da discussão sobre inteligência artificial ficou concentrada no que essa tecnologia poderia fazer dentro dos nossos aparelhos.

Agora estamos começando a perceber os efeitos que ela provoca fora deles.

A construção de uma infraestrutura gigantesca para atender à corrida da IA está alterando prioridades dentro da própria indústria de semicondutores.

A TrendForce considera que a inteligência artificial continuará sendo o principal motor da demanda mundial por memória em 2027.

Ainda não sabemos quanto a Apple cobrará pelo iPhone 18, nem quanto desse aumento de custos será realmente repassado para o consumidor.

Mas uma previsão de 38% de aumento no custo dos componentes de um dos modelos mais importantes da linha já é grande demais para ser tratada como uma simples flutuação de mercado.

Tudo indica que a Apple terá de escolher entre aceitar margens menores, aumentar os preços ou combinar as duas coisas.

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