Há um pouco mais de um ano, nós comentamos aqui sobre um processo coletivo que estava sendo implementado, por causa do fiasco da Apple em relação à Apple Intelligence.
Se você não lembra deste fiasco, a Apple apresentou ao mundo na WWDC 2024 a ideia de uma nova Siri, totalmente diferente, que seria lançada “em breve”.
O problema é que, no lançamento do iPhone 16, a nova Siri foi divulgada como uma das grandes novidades. Ou seja, a maçã anunciou um benefício que nunca existiu.
Sem muito para onde fugir, a Apple optou por fazer um acordo e fixar uma quantia para que o processo coletivo seja arquivado: US$ 250 milhões.
Entendendo o erro da Apple
Durante a WWDC 2024, a Apple criou uma expectativa clara: os novos iPhones lançados no segundo semestre daquele ano viriam com recursos avançados de IA já disponíveis.
Na prática, o cenário foi bem diferente do que havia sido apresentado no palco.
Quando os novos iPhones 16 chegaram ao mercado, o iOS 18, a Apple Intelligence ainda nem tinha chegado ao iOS, vindo somente em outubro. E como foi um lançamento fragmentado, nos meses que vieram não traziam as principais funcionalidades de inteligência artificial que haviam sido destacadas como pilares da nova geração.
A promessa de uma Siri mais avançada, com compreensão contextual e integração profunda entre aplicativos, simplesmente não se materializou naquele momento (durando até hoje).
Foi justamente esse descompasso entre o discurso de marketing e a entrega efetiva que sustentou o processo judicial, ao indicar que consumidores tomaram decisões de compra baseadas em expectativas que não foram atendidas no momento prometido.
Os autores da ação sustentam que a Apple construiu uma expectativa concreta de disponibilidade imediata ao apresentar os recursos de inteligência artificial como parte integrante da experiência dos novos iPhones desde o lançamento.
Na leitura deles, não se tratava de uma visão de futuro ou de funcionalidades em desenvolvimento, mas de capacidades que já estariam prontas para uso no momento da compra.

Além disso, a empresa teria promovido funções que, na prática, ainda não existiam de forma utilizável ou estavam em estágios iniciais de desenvolvimento, o que distorceu a percepção real do produto.
E aí não tem nem como defender. É muito próximo de um cenário de publicidade potencialmente enganosa, no qual a comunicação comercial não reflete com precisão o que está sendo entregue.
Muitos usuários alegam ter optado comprar os novos aparelhos acreditando que teriam acesso imediato a um novo patamar de integração e inteligência no sistema, especialmente com a evolução da Siri e do chamado ecossistema de IA.
Segundo o processo, essa expectativa não era abstrata. Ela foi determinante para a aquisição dos dispositivos, o que reforça a tese de que houve um desalinhamento relevante entre o que foi prometido e o que efetivamente estava disponível no momento em que os produtos chegaram às mãos dos consumidores.
Quem pode receber indenização
O acordo envolve consumidores dos EUA (sorry, Brazil) que compraram determinados modelos entre junho de 2024 e março de 2025, incluindo:
- iPhone 15 Pro e Pro Max
- Toda a linha iPhone 16
Os valores previstos são:
- Cerca de US$ 25 por aparelho, podendo chegar a até US$ 95, dependendo do número de solicitações
- Parte do montante total também cobre custos legais e administrativos
Apple nega culpa, mas paga
Apesar do acordo milionário, a Apple não admitiu qualquer irregularidade.
Esse tipo de estratégia é comum em grandes empresas: pagar para encerrar o caso rapidamente e evitar riscos maiores em julgamento.
Em comunicado, a empresa afirmou que já lançou diversas funcionalidades de IA desde então e que prefere “seguir focada em inovação”.
A Apple já indicou que a nova Siri com IA avançada deve finalmente ser apresentada de forma completa em breve, possivelmente na próxima WWDC do dia 8 de junho.

