Se você já acha que iPhone no Brasil é caro, há um fator internacional que pode pressionar ainda mais os preços nos próximos meses: a crise global de memória DRAM.
Pode parecer um componente distante da realidade do consumidor, mas a DRAM é essencial para o funcionamento de qualquer smartphone moderno.
E quando ela encarece, o impacto não fica restrito às fábricas: ele pode chegar direto ao valor final do aparelho.
O que é DRAM e por que ela é tão importante
DRAM é o tipo de memória usada como RAM nos iPhones.
É ela que permite que apps fiquem abertos em segundo plano, que o sistema responda rápido aos comandos e que recursos avançados, como inteligência artificial embarcada, funcionem de forma fluida.
Nos iPhones mais recentes, a quantidade de memória aumentou justamente para suportar recursos mais pesados, como processamento de fotos em tempo real e funcionalidades de Apple Intelligence.
Quanto mais memória, maior o custo por unidade.
O que está acontecendo no mercado
O problema não é falta de tecnologia, mas de prioridade industrial.
Os principais fabricantes globais de memória, como Samsung e SK Hynix, estão direcionando grande parte da produção para chips de alta largura de banda usados em servidores de inteligência artificial. Esse segmento paga mais e tem margens maiores.
Com isso, sobra menos capacidade para produzir memória destinada a smartphones e computadores.
Quando a oferta diminui e a demanda continua alta, o resultado é previsível: aumento de preços.
Analistas indicam que os custos de DRAM subiram de forma consistente e que não há expectativa de normalização rápida. Expandir fábricas leva anos e exige investimentos bilionários.
Como isso afeta diretamente o iPhone
A Apple compra volumes gigantescos de componentes e tem forte poder de negociação. Mesmo assim, ela não está imune.
Se o custo da memória sobe, há basicamente três caminhos possíveis:
- Reduzir margem de lucro (há!)
- Manter preço e cortar especificações
- Repassar parte do aumento ao consumidor
Historicamente, a Apple evita reduzir especificações em modelos já planejados. E cortar margem de forma significativa não é sustentável no longo prazo, especialmente com outros custos também pressionados.
Isso torna o repasse gradual de preço para o consumidor uma possibilidade mais que concreta.
O impacto pode ser ainda maior em modelos com mais armazenamento e mais memória RAM, já que o custo adicional é proporcional à capacidade.
O efeito no Brasil pode ser amplificado
No mercado brasileiro, o cenário costuma ser ainbda mais sensível.
Além do aumento global de componentes, há fatores como câmbio, impostos e logística. Se o preço internacional sobe, o efeito aqui pode ser multiplicado.
Isso significa que, mesmo que o reajuste lá fora pareça pequeno, o reflexo no Brasil pode ser mais perceptível.
Apple Intelligence pode aumentar ainda mais a pressão
Outro ponto relevante é a própria evolução do iOS.
Com a expansão de recursos de inteligência artificial rodando localmente no aparelho, a tendência é que a Apple continue aumentando a quantidade mínima de memória nos modelos futuros.
Lembre-se que um dos fatores apontados para que a Apple Intelligence não funcione em modelos anteriores ao 15 Pro é justamente a pouca RAM. E mais RAM significa mais custo por unidade.
Se a crise da DRAM se prolongar até 2028, como projetam alguns analistas, o cenário pode coincidir justamente com a próxima geração de iPhones mais focados em IA.
Vale a pena antecipar a compra?
Não há confirmação oficial de reajustes específicos por causa da DRAM. Mas o contexto global indica pressão real na cadeia de suprimentos.
Para quem já estava planejando trocar de iPhone nos próximos meses, pode ser estratégico acompanhar de perto anúncios e variações de preço.
Crises de componentes não costumam ser resolvidas rapidamente. E, quando a indústria encontra um novo patamar de preço mais alto, raramente volta ao nível anterior.
A questão agora é observar como a Apple vai absorver essa pressão e até que ponto ela decidirá dividir essa conta com quem está no final da ponta, o consumidor.



