O Apple TV acaba de receber quatro indicações para a 98ª edição do Oscar, que acontece em 15 de março de 2026. O filme “F1: O Filme” foi indicado nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Edição de Filme, Melhor Som e Melhores Efeitos Visuais.
São indicações técnicas sólidas, especialmente considerando que estamos falando de um filme sobre Fórmula 1, onde som, edição e efeitos visuais são fundamentais para criar a experiência imersiva das corridas.
Em todas essas quatro categorias, “F1” compete diretamente contra “Sinners”. E na disputa por Melhor Filme, enfrenta também produções aclamadas pela crítica como “Hamnet”, “Marty Supreme”, “One Battle After Another” e… o brasileiro “O Agente Secreto“.
Chances fracas de Oscar
Aqui está o problema para as chances da Apple: “F1” não recebeu nenhuma indicação nas categorias consideradas “nobres” do Oscar. Nada de Melhor Diretor. Nada de Melhor Roteiro. Nada de Melhor Ator ou Atriz.
E isso, historicamente, não é bom sinal.
Quando um filme é realmente forte como candidato a Melhor Filme, ele costuma vir acompanhado de indicações em direção, roteiro ou atuação.
A ausência completa dessas categorias sugere que “F1” é mais um filme tecnicamente impressionante do que uma obra cinematográfica completa que mexeu com a Academia.
Para colocar em perspectiva: “Killers of the Flower Moon“, que a Apple lançou em 2024, recebeu 10 indicações ao Oscar, incluindo direção (Martin Scorsese), roteiro, e duas em atuação. E mesmo assim não ganhou nada.
“No Ritmo do Coração (CODA)“, que em 2022 se tornou o primeiro filme de uma plataforma de streaming a ganhar Melhor Filme, tinha apenas três indicações, mas eram as certas: Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator Coadjuvante. E ganhou as três.
“F1” tem quatro indicações, mas todas técnicas. Claro que não é impossível ganhar Melhor Filme assim, mas é… improvável.
Por que a Apple investe tanto em Oscar?
Você pode se perguntar: por que a Apple, uma empresa de tecnologia, se importa tanto com o Oscar?
A resposta tem duas camadas: prestígio e dinheiro.
O prestígio é óbvio. Ganhar um Oscar coloca o Apple TV no mapa cultural de uma forma que nenhuma campanha de marketing consegue.
É validação. É ser levado a sério como produtor de conteúdo de qualidade, não apenas como uma big tech.
A Apple inclusive mudou sua estratégia por causa disso. A empresa havia se afastado de lançamentos teatrais, preferindo colocar tudo direto no streaming. Mas quando “CODA” foi indicado ao Oscar, ela relançou o filme nos cinemas. E quando ganhou, expandiu ainda mais a exibição.
É um ciclo: prestígio leva a assinaturas, assinaturas justificam mais investimento em produções de prestígio, que levam a mais indicações, que levam a mais prestígio. A Apple entendeu esse jogo e está jogando duro.
O histórico da Apple no Oscar
Vale lembrar que o Apple TV tem um histórico curto, mas interessante na maior premiação do cinema:
2022: CODA
- Fez história como o primeiro streaming a ganhar Melhor Filme
- Três indicações, três vitórias
- Mudou a percepção sobre conteúdo de streaming na indústria
2024: Killers of the Flower Moon
- 10 indicações (um número absurdo)
- Direção de Martin Scorsese, elenco estrelado
- Não ganhou nada (o que foi uma surpresa)
2026: F1: O Filme
- Quatro indicações técnicas
- Nenhuma indicação em categorias “nobres”
- Chances de vitória: complicadas
E agora?
A cerimônia do Oscar acontece em 15 de março de 2026. Até lá, a Apple certamente vai investir pesado em campanha para “F1”, como faz com todos os seus filmes indicados.
Jantares com membros da Academia, exibições especiais, entrevistas, toda a máquina de marketing hollywoodiana em ação.
Pode funcionar? Pode. Efeitos Visuais e Som são categorias onde “F1” tem chances reais, especialmente porque o filme realmente entregou nas sequências de corrida.
Mas para melhor filme… Tim Cook vai ter que ficar sem esse ano. 😉
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