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Homem usa iPhone enquanto dirige e vítima processa a Apple

Todo mundo sabe (é há inúmeras campanhas de conscientização sobre isso) que é perigoso usar o smartphone enquanto dirige. E não adianta dizer “ah, é rapidinho“, pois em frações de segundos a situação muda e pode ocasionar um acidente, muitas vezes, com morte. Por isso, a infração é prevista em lei e quem fizer isso pode ser penalizado.

Agora, imagine se fôssemos responsabilizar a fabricante do celular toda vez que alguém o usasse de forma indevida? Parece absurdo, mas é isso que uma família está tentando fazer.

Em uma ação aberta em San Jose, California, o casal James e Bethany Modisette está responsabilizando a Apple por um acidente que causou a morte de sua filha. Segundo eles, não teria ocorrido caso a Apple tivesse implementado uma versão mais segura do FaceTime.

Isso porque o acidente ocorreu graças a um cidadão muito “consciente” que resolveu fazer uma videochamada enquanto dirigia a 100km/h, e acabou acertando em cheio o carro do casal que havia diminuído a velocidade. Resultado: a filha de 5 anos não resistiu aos ferimentos.

De fato, a maçã possui uma patente de 2008 (antes mesmo do próprio FaceTime existir) que prevê que o “dispositivo de computação” não funcione quando o sistema identificar que o aparelho está sendo usado por um motorista. Mas a Apple nunca implementou essa patente, como centenas de outras que ela publica todos os anos.

A ação na justiça não exige que a Apple implemente essa tecnologia; a família busca somente reparação pelos danos físicos e morais causados pelo acidente. Detalhe: no Texas (onde o acidente ocorreu) não há nenhuma lei que proíba o uso de celulares enquanto se dirige.

É como eu querer processar a Apple porque meu iPhone caiu no chão e quebrou, visto que ela tem uma patente (eis o link) que protegeria meu celular de quedas, mas nunca a colocou em prática.

Patente Apple

É claro que não dá para imaginar a dor dessa família perder uma filha de 5 anos em um acidente de carro. A indignação pelo fato ter acontecido por causa de um ato irresponsável é enorme, mas não podemos querer achar outros culpados na tentativa de que o acontecido se torne menos injusto. Culpar a Nokia, a Samsung, a Motorola ou qualquer outro fabricante de celular pelo fato do motorista estar usando o aparelho no momento do acidente é querer tirar a responsabilidade deste mesmo motorista, como se ele também fosse vítima “do sistema”, que só usou porque o fabricante permitiu.

Aliás, o Ministério dos Transportes brasileiro acaba de lançar uma bela campanha, em que afirma que “Gente boa também mata”. Pessoas como você, eu e qualquer um que esteja lendo este artigo, podem matar no trânsito caso não tenham consciência de que usar o celular enquanto dirige é perigoso.

Por isso, vamos todos começar este ano com este pensamento: o iPhone é ótimo, mas se estiver dirigindo, NUNCA o use. Você é uma pessoa legal e não precisa de uma morte no seu currículo. Seja consciente! 😉

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Robô virtual que tem como missão organizar o site e ajudar leitores. De tempos em tempos ele desvirtua e tenta fazer outras coisas, mas nada que um hard reset não resolva.

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  • Arley Martins

    Afff cada uma.

  • Neto Corrêa

    Assino embaixo.

  • Fabio Fernandes

    Vamos processar a Taurus pelos assassinatos cometidos com a utilização inadequada dos revólveres que produzem.

    • De acordo com a reportagem faz todo o sentido, quando você acha que já viu de tudo, ainda não viu metade, realmente a dor da família é inimaginável, mas a culpa é única e exclusiva do motorista irresponsável (até os fatos presentes apresentados).

    • KB

      Pior, vamos processar a Tramontina porque o elemento cortou o dedo ao descascar uma pera.

    • Dartflare

      Vamos processar a rollerblade pq o individuo que tirou os freios do patins patinava numa ladeira se arrebentou…

  • Gustavo Zanandrea

    Isso só acontece nos us pois lá processam por qualquer coisa , mesmo sendo algo sem fundamento algum…

  • Anderson Campos

    Mas processar todo mundo pode e sob qualquer argumento. A questão é a martelada do Juiz. Isso sim que não pode dar razão ao que está sendo solicitado.

    • 9L

      Exatamente!

      • Anderson Campos

        Cara, tem um mosquito parado na sua cabeça. Tira daí porque ta me dando nervoso…

        • 9L

          kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…vou tirar só pq vc pediu!

          • Anderson Campos

            Agora tá legal!

            • 9L

              ??

        • 9L

          E aí, melhorou? :p

  • Servulo Cruz

    Responsabilizar o fabricante fará com que, no futuro, levem em consideração uma eventual indenização nos cálculos ao deixar de implementar certas funções. Ao cruzar os braços e não se importar com o uso inadequado do equipamento o fabricante contribui sim para o resultado final. Além do que é uma tremenda mancada do jurídico, já que uma notificação já a isentaria da responsabilidade, ou vocês acham que Waze e Garmin colocam aqueles avisos de que não se deve usar o aplicativo enquanto se dirige por nada? Ao declarar (com um clique) que você é o passageiro (Waze) e que concorda com a política de segurança (Garmin) e mesmo assim usar o aparelho dirigindo você está de forma objetiva contrariando o uso e desta forma o fabricante não teria responsabilidade. Sem isto vejo como solidária a responsabilidade do fabricante.

    • paulotutu

      Pela sua “lógica”, deveriam processar o fabricante do carro também, por não ter um sistema que impeça a utilização de celular enquanto o mesmo estiver em movimento.

      Que mania de culpar objetos inanimados em vez do ser “pensante” que o utiliza.
      Aff…

      • Servulo Cruz

        Leia com atenção, primeiro não estou julgando ninguém para atribuir culpa a quem quer que seja. Segundo falei em responsabilidade do fabricante, que seguindo sua “lógica” é a parte pensante da equação, ou não?
        Não é porque o produto é bom que o fabricante não possa melhorá-lo, e se um processo desta natureza acabar levando a melhoria do sistema saímos todos ganhando.

        • paulotutu

          Mil perdões, não carregou totalmente o seu comentário no celular 🙂

          A segunda parte do meu comentário não foi para você na verdade, foi para os envolvidos.

          No mais, esse processo não vai dar em nada. Visto que uns anos atrás um cara de lá resolveu processar Jesus.

    • Óbvio que seria bom ter opções que prevenissem acidentes, mas tentar obter isso através de processos desse jeito é ridículo. Quem acredita nisso que faça-nos todos um favor e busque os meios legítimos de serem ouvidos, não às custas de acidentes, crimes ou mortes alheias.

  • Kevin

    A pergunta que me vem é, os ocupantes do veículo estavam de cinto de segurança, sendo que na Califórnia o uso do cinto é obrigado (inclusive em ônibus escolar)?

    • 9L

      Na verdade o acidente ocorreu no Texas, onde o uso do cinto também é obrigatório.

    • 9L

      Na verdade o acidente ocorreu no Texas, onde o uso do cinto também é obrigatório.

      • Kevin

        Obrigado ?

        • 9L

          ??

  • Pior que em outro blog eu vi gente defendendo cegamente o processo.
    Mania de achar que as pessoas só tem direitos, nunca deveres.

  • Felipe

    Então é por causa desses imbecis que a Niantic colocou limite de velocidade no Pokémon Go? Desgraçados…

    • A campanha quer passar a mensagem que “gente boa tambem mata”, ou seja, mesmo uma pessoa que resgata animais na rua, ligada a causas sociais, se usar o celular enquanto dirige, pode causar um acidente, e nesse caso, ate matar um animal.

  • Que demais esse vídeo.

  • Estan Duarte

    Acredito ser infundado o processo, em tempos de irresponsabilidades no trasito e da fabricante. Apoio o não funcionamento de comunicadores (ligação, sms, internet) em aparelhos que estão a mais de 80km/h. Isso pode sim ser inserido em todos os sistemas com uso do acelerômetro. Não quero defender a família e muito menos achar o processo justo, porém a fabricante não se torna 100% isenta de responsabilidade nesses casos, o ser humano age de forma errada, sistemas de seguranças devem prever tal comportamento ilícito. Esperar a tecnologia responder a pessoas embriagadas e não ligar o carro, desligar ligações a rede em altas velocidades e outras coisas. Ninguém tem necessidade de usar um celular com carro em alta velocidade.

    • Fabio Fernandes

      certo mas ai você também impedirá que passageiros utilizem eletrônicos. Responsabilidade 100% do motorista, ao fazer toda a preparação para ser tornar apto a dirigir ( ter CNH) ele assume estar totalmente ciente sobre necessidade de respeito as leis te transito e portanto competência para guiar, de maneira que o erro é dele e de mais ninguém. A empresa pode até relembrar a legislação, mas isso não é obrigação. Obrigação é o individuo Habilitado saber guiar de forma legal e segura.

      • Estan Duarte

        Nada é absoluto, existe sempre o outro lado a ser visto.

      • Servulo Cruz

        Waze já resolveu isto. Tem uma opção “sou o passageiro”.

    • paulotutu

      “Apoio o não funcionamento de comunicadores (ligação, sms, internet) em aparelhos que estão a mais de 80km/h (…)”

      Em caso de emergência, faz como? Passageiro abaixo o vidro e grita?

      • Estan Duarte

        O que eu quis dizer é que existem dois lados, e não apenas um.

  • Servulo Cruz

    Mesmo que fosse apenas pelo aspecto jurídico. Implementar as restrições no sistema não teria grande custo, e não impactaria negativamente na vida de quem é contra. Apenas um aviso na tela do tipo “você parece estar em um meio de transporte, clique aqui se não for o motorista” já resolve para registrar a intenção de usar o aparelho. Caso se use esta opção mesmo sendo o motorista reforçaria a tese do dolo, o que contribuiria no primeiro momento para punir com mais rigor quem o fez, e com o tempo criando a cultura de não usar. O que não se quer enxergar é que as empresas não fazem isto porque elas não querem perder oportunidades de ganhar dinheiro. E isto não acontece só com celular, alguns carros que desenvolvem uma velocidade final absurda possuem uma chave extra que o condutor tem de acionar para “liberar” a aceleração até estes níveis. O que a empresa quer? Provar que se algum motorista não capacitado tentar guiar o carro a 400 km/h e morrer, ele assumiu inteiramente o risco da ação. Armas de fogo? Vários países tem uma legislação que se a arma for guardada carregada assumisse o risco pelo uso inadequado, E por aí vai. A eficiência destes procedimentos é questionável? Talvez. Mas a partir do momento que previnir um acidente que seja já cumpriu a sua função

    • Estan Duarte

      Concordo com você amigo, a questão não é invalidar a força do ser humano, sabemos que ninguém é capaz disso (camisa de força), mas restringir e alertar, considero isso o básico para um produto.

  • 9L

    Ministro dos Transportes avisa que vai tirar a campanha do ar após polêmica.