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Donald Trump pode complicar a fabricação de futuros iPhones

Em sua campanha para presidência dos Estados Unidos, Donald Trump se posicionou algumas vezes contra a Apple, mesmo sendo usuário assíduo do iPhone e possuindo uma boa quantia de ações da companhia. Tudo isso dentro de algumas questões bem populistas, como “proteger a segurança dos EUA” (no caso San Bernardino contra o FBI) e “gerar mais empregos para os americanos” (fazendo com que a empresa deixe de fabricar iPhones em outros países).

Com a eleição de Trump, a maçã pode ter que enfrentar algumas dificuldades.

No dia do resultado da eleição, Trump recebeu um telefonema do CEO da Apple, Tim Cook, felicitando-o pela vitória. Segundo o New York Times, eles tocaram no assunto sobre a repatriação da produção de produtos da maçã, com possibilidade de benefícios fiscais.

TRUMP — Tim, você sabe que uma das coisas que será uma conquista real para mim é quando eu conseguir convencer a Apple a construir uma grande fábrica nos Estados Unidos, ou muitas grandes fábricas pelos Estados Unidos, onde em vez de ir para a China ou para o Vietnã, vocês estarão fazendo o seu produto bem aqui.

TIM — Eu entendo.

TRUMP — Penso em criar incentivos para você fazer isso. Estamos planejando um grande corte fiscal para corporações, que vai deixá-lo feliz.

Durante a campanha, Trump já havia prometido taxar em 45% a importação de produtos fabricados na China. Claro que ainda é cedo para identificar o que era sério e o que não passava de retórica eleitoral (até porque o presidente sozinho não tem o poder para isso), mas este tipo de taxação poderia complicar bastante os preços globais dos eletrônicos mais populares, como os da Apple.

O problema é que transferir a produção do iPhone para os Estados Unidos provavelmente não irá ajudar ninguém. Em sua biografia, Steve Jobs contou que quando a empresa estava para lançar o primeiro iPhone, em 2007, procurou diversas fábricas nos EUA para produzir seu novo aparelho revolucionário. Porém, nenhuma conseguia entregar uma quantidade aceitável em poucos meses. Só na China ele conseguiu encontrar mão de obra qualificada e capaz de produzir tantos iPhones em tão pouco tempo. Se considerarmos que hoje, com o iPhone 7 feito na China, a Apple não está ainda conseguindo fabricar tantos aparelhos quando a demanda exige, com as fábricas no país presidido por Trump a situação ficaria insuportável.

E o pior não é isso. Analistas econômicos já dizem que, se a Apple levar mesmo fábricas para os EUA, provavelmente a maioria delas seria operada por máquinas que automatizam a produção, para que ela fique mais eficiente e econômica (afinal, estamos falando do maior país capitalista do mundo, que pensa primeiro nos custos e lucros). Ou seja, algo que não geraria muitos empregos, como Trump quer.

E o que isso influencia para nós, que não moramos lá? Bem, o custo inicial do iPhone iria aumentar e, obviamente, isso refletiria no preço aqui, que já é o maior do mundo. Além disso, com mais dificuldade em fabricar iPhones, o lançamento em outros países iria atrasar mais. E visto que até a Monrovia recebe o iPhone antes do Brasil, provavelmente receberíamos o último modelo quase na época que a Apple lançaria um mais novo lá nos states.

Ainda é cedo para sabermos até que ponto a influência de Donald Trump poderá influenciar realmente na produção da Apple. Porém, é algo que devemos ficar de olho.

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Ale Salvatori

Applemaníaco desde 1995, quando precisou aprender a usar um Mac em uma semana para conseguir um emprego em uma agência de publicidade. Acha que a Apple não é mais a mesma depois da saída do Gil Amelio.

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