Opinião

Prepare-se: os preços no Brasil do novo iPhone 12 serão os mais altos da história

É muito provável que o iPhone ficará ainda mais caro este ano no Brasil.


Se é uma coisa que todo mundo reclama sempre quando a Apple lança um novo iPhone, são dos preços em Reais. E isso se repete todos os anos.

Porém, em 2020, os aumentos prometem ser ainda mais agressivos, chegando a patamares nunca antes atingidos no celular da maçã em nosso país.

Entenda as razões que nos fazem acreditar que veremos este ano o iPhone mais caro de todos os tempos.



Os produtos da empresa sediada em Cupertino sempre foram altos. Sempre.

Então, ninguém espera que eles fiquem acessíveis algum dia, principalmente no Brasil, que precisa importar a produção e, consequentemente, depender de taxa cambial e impostos extras.

Porém, a situação em que o país está passando provavelmente fará com que os preços este ano sejam assustadores.

Não é nossa missão aqui discutir os motivos econômicos da situação atual (agravada muito pela pandemia), por isso iremos focar apenas nos números frios e conhecidos. E esperamos que os comentários deste artigo sigam a mesma linha. 😉

Política de preços da Apple

A Apple costuma definir seus preços finais na mesma época em que lança os produtos aqui.

Como todos os produtos são importados, ela calcula o valor dependendo da cotação do dólar que ela estima para próximos meses, adicionando os impostos de importação, a porcentagem do varejo nacional (que cobra 30%, segundo Hugo Barra), seus custos locais (programa de afiliados, sede, lojas, marketing, logística, funcionários) e, evidentemente, seu lucro.

Com isso, o valor final costuma ser um pouco abaixo do dobro do mesmo aparelho comprado nos Estados Unidos.

Porém, mesmo o preço do dólar variando durante o ano, a Apple costuma segurar o valor até o próximo grande lançamento. Caso contrário, este preço já teria aumentado há meses, como você verá a seguir.


Disparada do dólar

Este ano, diversas conjecturas fizeram o dólar disparar em relação ao ano passado. Somente no ano de 2020, o aumento chegou próximo dos 40%.

iPhone mais caro

Para se ter uma ideia, o valor do dólar em outubro passado, durante o lançamento do iPhone 11, era de R$4,08. Hoje, enquanto escrevo este artigo, está em R$ 5,57.

E isso, gostemos ou não, impacta diretamente no preço dos produtos da Apple.



Aumento de preços em setembro

No lançamento dos novos Apple Watches e iPads na semana passada, já pudemos ter uma prévia do golpe que será em outubro.

Apple Watch SE

O valor do modelo mais básico do Apple Watch passou de R$ 3.999 para os atuais R$ 5.299, um aumento de 32,5%. Até mesmo o Series 3, que já é antigo, subiu de preço, na mesma proporção.

Já no iPad Air, o aumento foi de 37%, passando de R$ 5.099 para R$ 6.999.

Independente se foram aumentos com porcentagens abaixo do crescimento real do dólar, o fato é que é um dinheiro extra considerável que sai do bolso dos clientes brasileiros. E isso é terrível.


iPhone mais caro em 2020

O Blog do iPhone tem o hábito de fazer, todos os anos, o acompanhamento dos preços do iPhone ao longo do tempo.

E para a análise ser mais realista e entender a composição do preço em relação à situação econômica de cada ano, nós sempre atrelamos o valor inicial ao preço do dólar naquela época.

Por exemplo, em outubro de 2019, o valor do iPhone 11 básico no Brasil era correspondente a 1.220,82 dólares da época. E esta é uma média que se seguiu ao longo dos anos.

Então, se seguisse a média de US$ 1.200, o modelo básico do novo iPhone sairia este ano por R$ 6.799.

Já pensou ter que pagar mais de 6.700 no iPhone 12 mais simples?

Para piorar a situação, há rumores que o valor dos novos iPhones nos Estados Unidos ficará mais caro este ano, por causa das tecnologias embarcadas. Então, o preço no Brasil ficaria ainda maior.

Com tudo isso, é muito difícil prever um valor menor do que 6 mil reais em um modelo de base (o mais simples) dos próximos iPhones.



Por que a Apple não baixa seus preços?

Há a turma que acusa a Apple de ser mercenária e abusar dos “patos brasileiros” que pagam o preço absurdo que ela cobra. Claro que normalmente essas pessoas nunca fizeram sequer um cálculo para entender como os valores são compostos.

Mas mesmo não seguindo esse discurso superficial da internet, o fato é que os valores geralmente estão muito acima do que a maioria de nós acha coerente pagar.

Aí vem a pergunta? Por que ela não baixa seus preços?

Bom, não posso responder pela Apple. Também acho seus produtos bem caros, não só aqui, mas no mundo inteiro.

O que eu posso fazer é um exercício mental.

Toda a ação de marketing precisa de um resultado consequente para se justificar.

Imaginemos que, devido a atual situação e a perspectiva de não vender nenhum iPhone este ano por aqui, a Apple Brasil baixe o valor do novo aparelho aqui para US$ 900, que seria o menor valor (em dólares) já praticado no país desde que começou a vender o iPhone.

Isso, a câmbio de hoje, ainda ficaria em R$ 5.000, que permanece um valor muito alto por um modelo de base. Não acredito que esta atitude fosse fazer as vendas dispararem, para justificar um corte tão grande nos preços.

Então, infelizmente acho que não devemos esperar por este tipo de atitude, que provavelmente não teria um resultado efetivo em seus negócios.



Comprar iPhone antes do lançamento

Os preços atuais dos iPhones devem permanecer até o lançamento dos novos modelos (a não ser que a Apple faça alguma surpresa).

Com dólar nas alturas, a hora de comprar iPhone é agora.

Se você já estava separando uma grana para comprar um iPhone novo, mas está esperando os novos serem lançados para ver se os antigos baixam de preço, não faça isso.

A tendência é todos os modelos serem reajustados no mesmo dia do próximo evento da Apple, com valor maior. Exatamente como aconteceu com o Apple Watch.

Então pesquise, faça seus planos, avalie se realmente um novo iPhone se encaixa atualmente no seu orçamento, e compre antes do lançamento. Porque se deixar para depois, ele pode realmente ficar muito distante do que seu bolso está disposto a pagar.


O que eu sei é que, a exemplo dos anos anteriores, veremos muita gente vir aqui reclamar dos preços absurdos que a Apple irá cobrar dos novos iPhones.

Talvez a grande diferença seja que, desta vez, menos gente terá condições de realmente comprar um.

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Ale Salvatori

Applemaníaco desde 1995, quando precisou aprender a usar um Mac em uma semana para conseguir um emprego em uma agência de publicidade. Acha que a Apple não é mais a mesma depois da saída do Gil Amelio.

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