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Steve Wozniak critica Siri e navegação do iOS, mas ainda prefere o iPhone (atualizado)

Chamar a atenção de leitores em títulos de artigos de jornais (e recentemente de sites de internet) é algo que os editores sempre prezaram. Mas alguns preferem fazer isso de forma mais sensacionalista, mesmo distorcendo informações, pois isso faz chamar mais atenção que a notícia simples e correta. É o que aconteceu ontem, quando Steve Wozniak, co-fundador da Apple, falou da relação que ele tinha entre seu iPhone e seu celular com Android (ele é usuário dos dois).

Woz (como é carinhosamente chamado) é um dos caras mais legais do mercado atual de tecnologia, um gênio que ajudou a revolucionar os computadores e possibilitou termos os PCs/Macs que conhecemos hoje. Graças aos seus conhecimentos técnicos e a visão mercadológica de Steve Jobs, o mundo conheceu a popularidade dos primeiros computadores pessoais.

Mas Woz sempre foi muito mais tranquilo e desencanado que Jobs, fazendo as coisas pelo coração. Marketing nunca foi a praia dele, e se não fosse por Jobs, os computadores poderiam ainda funcionar por linha de comando (sem ícones e gráficos, só texto), que Woz não iria reclamar. Um nerd nato, que construiu já aos 13 anos o seu primeiro computador.

Para Woz, pouco importa se um celular tem a interface gráfica amigável para o usuário comum, o que ele prefere para uso próprio é um aparelho que ele possa acessar o diretório root por linha de comando e instalar o que quiser. Se o sistema emperrar, ele sabe como fazê-lo funcionar de novo, sem precisar chamar nenhum técnico.

Por causa disso, ele se acha muito limitado com o iPhone. O iOS não foi feito para nerds ou técnicos e sim para o público comum, que só quer usar os benefícios de um micro-computador de bolso sem se preocupar com a parte técnica. Com isso, o sistema é mais fechado, sem possibilidade de instalar qualquer coisa (o que o faz, consequentemente, mais seguro).

Woz deu uma entrevista ontem falando nisso: que gostaria que o seu iPhone permitisse fazer tudo o que o seu Android faz, ou seja, alterar e instalar o que ele quiser, sem limites. É totalmente compreensível isso para quem entende da parte técnica, e é por isso que o jailbreak do iOS é tão popular.

Infelizmente, a parte medíocre da mídia preferiu noticiar o fato com a manchete sensacionalista “Para Steve Wozniak, Android é superior ao iPhone“, o que fez vários fandroids terem orgasmos múltiplos, com um motivo para trollarem os usuários de iPhone.

Só quem não sabe inglês e não leu a entrevista original pode acreditar nisso. Entrevista, aliás, dada a um crítico ferrenho da Apple, o jornalista que encarnava o perfil Fake Steve Jobs anos atrás.

Woz destacou que seu telefone principal continua sendo o iPhone, mas gostaria que ele fizesse coisas que o Android atualmente faz.

Ele fez algumas críticas bem válidas a respeito do iOS. Primeiro, reclamou do fato do Siri depender da internet, coisa que também reclamamos aqui (ele só esqueceu que o reconhecimento vocal do Android também precisa da internet). Com o antigo Controle por Voz, era possível pedir para o aparelho ligar para alguém sem precisar de internet. Com o Siri, se você estiver sem conexão, não consegue nem perguntar as horas. Nisso, temos que concordar com ele.

Ele também reclama que, com o tempo, o Siri está ficando mais burro. Perguntas mais complexas que ele fazia no começo (como “quais são os 5 maiores lagos da Califórnia”) agora não obtém a resposta certa como antes. Mas talvez seja por isso que seja um serviço ainda em fase beta.

Outro ponto que Woz diz que o Android possui de melhor é a navegação integrada ao sistema. O Google possui um serviço chamado Navigation que incorpora uma navegação curva-a-curva no aplicativo Mapas. Infelizmente ele não disponibiliza isso para o iPhone, para manter a vantagem estratégica do Android.

A bateria é outro ponto negativo do iPhone, coisa que, aliás, todos reclamamos. Mas a minha impressão é que isso é uma coisa temporária, pois no iPhone 4 com iOS 4 isso não era tão grave quanto hoje. Esperemos que a Apple solucione isso logo.

Por fim, Woz reclamou da rigidez na aprovação da App Store. Mas convenhamos, isso não é a área dele. Se ele estivesse no lugar de Jobs quando o iPhone foi projetado, teríamos hoje um iPhone com uma cara muito mais rígida e técnica, igual ao que o mercado já fazia na época. Por não ser de marketing, Woz não entende que essa rigidez na liberação de aplicativos (que às vezes é realmente irritante) é o que faz o iOS ser um sistema seguro e protegido. Basta ver os noticiários: o Android Market precisa tirar diariamente do ar dezenas de aplicativos maliciosos e com vírus, justamente por não ter nenhuma rigidez na publicação.

Para quem é mais técnico e gosta de fuçar nos códigos de seu aparelho, realmente o iPhone não é o celular ideal. Em compensação, quem prefere ter um aparelho agradável de manusear, com o sistema intuitivo e que simplesmente funciona, aí não há melhor atualmente que o iOS.

Outro dia entrei em uma operadora brasileira para perguntar se tinha o iPhone 4S. A vendedora me respondeu que estava em falta, mas tinha disponível o Galaxy S2, que é “pau-a-pau” (sic) com o iPhone. Eu, educadamente, sorri e respondi um “Não, obrigado“. Há muito interesse atualmente em promover celulares com o Android, pois as operadoras não querem perder oportunidades de venda. E é por isso que, de tempos em tempos, aparecem matérias levemente distorcidas na mídia, para tentar convencer que o Android é melhor que o iOS.

A dica é: não acredite em títulos de artigos. Leia sempre todo o texto e procure a fonte original da notícia. Só assim você terá condições de tirar uma conclusão mais realista do que se lê por aí. 😉

ATUALIZAÇÃO (13h43):

O Woz confirmou hoje pela manhã em sua página no Facebook que o próprio jornalista para quem ele deu a entrevista já distorceu a notícia ao publicar algumas alterações no que ele tinha dito.

O jornalista original exagerou, publicando partes fora do contexto, e outros jornalistas exageraram ainda mais em manchetes enganosas, que não eram verdadeiras. Para mim, a honestidade vem em primeiro lugar na vida. Engraçado é que, se você conversou com pessoas ao meu redor, dificilmente se lembrará das vezes que eu respondi uma chamada com um Android, ou fiz uma ligação com um Android, ou fiz algo com Android diferente de usar o navegador [GPS]. Mas esses artigos fazem parecer que eu desisti do meu iPhone. Ha ha.

Resta ainda alguma dúvida? 😉

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Robô virtual que tem como missão organizar o site e ajudar leitores. De tempos em tempos ele desvirtua e tenta fazer outras coisas, mas nada que um hard reset não resolva.

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