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Há exatos 10 anos surgia a App Store

Talvez alguns não se lembrem, mas quando o iPhone nasceu ele não trazia nenhuma opção de se instalar aplicativos nele. Steve Jobs nem queria, pois tinha medo que o celular virasse uma bagunça cheia de vírus, como eram os PCs na época. Somente um ano depois é que surgiu a App Store, que revolucionou ainda mais o mercado mobile.

Vamos relembrar um pouco de como tudo aconteceu e o que fez Jobs mudar de ideia.


Um celular sem aplicativos

Quando o iPhone foi mostrado ao mundo, em janeiro de 2007, todos se maravilharam de ter, pela primeira vez, um dispositivo com poder de computador que cabia no bolso. Uma tela “enorme” (para a época) com gráficos avançados, aliados à promessa de que rodaria uma versão do “OS X”, fez os desenvolvedores do mundo inteiro ficarem eufóricos. Imaginavam os infinitos aplicativos que poderiam ser criados em um dispositivo ultra portátil e promissor.

Porém, na WWDC daquele ano, veio o balde de água fria: o sistema do iPhone vinha fechado, sem permitir que se instalasse nada nele. Apenas aplicativos feitos pela própria Apple, que não passavam de 16.

Steve Jobs tentou aplicar o seu famoso Campo de Distorção da Realidade, dizendo que a moda era os webapps, aplicativos feitos em HTML e linguagens da Web 2.0, que simulavam aplicativos nativos. Tudo poderia ser rodado apenas pelo Safari, não sendo permitido instalar nada de fora.

A decepção foi imensa, pois era muito potencial para um uso tão pequeno. Afinal, um verdadeiro computador de bolso que não rodava aplicativos era frustrante demais, o que incentivou alguns hackers a pesquisarem maneiras de destravar as amarras do aparelho. Nascia então o jailbreak.

Não demorou muito para jovens como Geohot conseguirem instalar o que quisessem no aparelho, criando toda uma comunidade de usuários que viram seu incrível celular se tornar algo ainda mais fantástico. Era possível instalar jogos, ferramentas, utilitários e até mudar a aparência do sistema, permitindo que o usuário personalizasse totalmente o telefone que tinha comprado. O iPhone deixava de ser apenas um celular.

O jailbreak fez um sucesso tão grande que, três meses depois, Jobs teve que dar o braço a torcer e admitiu que a empresa deveria começar a permitir a instalação de aplicativos de terceiros. Afinal, ela que sempre gostou de controlar tudo, estava perdendo o controle no que era instalado no iPhone.

Em setembro daquele ano, Scott Forstall, chefe de software da Apple, anunciou que a empresa iria disponibilizar em breve as mesmas ferramentas que os engenheiros da maçã utilizavam para criar os aplicativos, para que qualquer um pudesse criar coisas novas para o iPhone. Em março de 2008, um evento especial apresentava as novidades que viriam no iPhoneOS 2.0, com um roadmap e um SDK para desenvolvedores se divertirem.

E em 10 de julho daquele ano, entrava oficialmente no ar a App Store.

Uma loja de aplicativos

A loja da Apple era uma forma bem mais organizada e bem feita do que era o “Installer”, o instalador de apps do jailbreak, precursor do Cydia. De um dia para o outro, os usuários ganharam a possibilidade de instalar 500 aplicativos diferentes, apenas atualizando o sistema.

No início, eram muito populares apps e jogos que tiravam partido dos sensores de movimento do iPhone. Por exemplo, um deles simulava um copo cheio de cerveja, que esvaziava quando o iPhone era inclinado na boca do usuário.

Outro também bastante popular era o Labyrinth, que simulava uma bolinha de metal em um tabuleiro de madeira. Esse ajudava muito a impressionar os parentes e amigos que não conheciam o iPhone.

Eu adorava um que era 5 dados e você precisava sacudir o aparelho para tirar os dados. Era muito legal.

O Koi Pond era uma piscina virtual com peixes, que interagiam conforme você tocava na água ou adicionava elementos.

Até a Apple lançou um jogo próprio, o Texas Hold’em, como se fosse um exemplo do que ela esperava dos desenvolvedores. O jogo depois de um tempo desapareceu da loja.

A revolução

A App Store provocou uma verdadeira revolução no mundo dos celulares. Antes dela até já existiam maneiras de comprar aplicativos para telefones celulares, mas era de forma arcaica e dependiam da operadora, através de SMS.

Além disso, a indústria de apps e de games era reservada a grandes empresas, que tinham estrutura para distribuir seu software em diversos países. A ideia de desenvolvedores “caseiros” conseguirem criar apps em seus quartos e vendê-los para o mundo todo era algo utópico e inimaginável.

Pois foi exatamente isso que fez a Apple fez. Ela não só disponibilizou um SDK que permitia a qualquer pessoa criar seu próprio app, mas disponibilizou toda a estrutura necessária para o dev vender sua criação para qualquer lugar do mundo. Isso sem precisar pagar caros servidores ou implementar complexos sistemas de pagamento; a única coisa que a pessoa precisava fazer era criar o aplicativo, o resto a Apple se preocupava.

Isso fez surgir aplicativos inovadores e originais, que revolucionaram nossa forma de lidar com o celular. Diversas startups surgiram do nada e se transformaram em gigantes da tecnologia, graças ao iPhone: Twitter, Uber, WhatsApp, Waze, Instagram, Angry Birds e tantos outros. É bem provável que nenhum desses seria o que são hoje se não fosse a revolução de apps provocada pela App Store.

Há 10 anos, vivíamos algo que mudou todo o mercado. E a loja foi fortemente influenciada pela comunidade jaiilbreak, que sempre tentou tirar o máximo do iPhone, mesmo com as limitações impostas pela Apple. Dá para imaginar como seria hoje o iOS se não fosse a App Store?

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Robô virtual que tem como missão organizar o site e ajudar leitores. De tempos em tempos ele desvirtua e tenta fazer outras coisas, mas nada que um hard reset não resolva.

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