Steve Jobs caneta

Steve Jobs seria contra usar o Apple Pencil no iPhone Duo?

John Ternus explica por que a Apple decidiu levar o Pencil ao primeiro iPhone dobrável, mesmo depois da famosa crítica de Steve Jobs às canetinhas em celulares

Quando Steve Jobs apresentou o primeiro iPhone, em 2007, uma de suas provocações mais lembradas foi justamente contra as canetas usadas nos celulares da época. E havia um motivo simples para isso: praticamente todos os aparelhos que se diziam “sensíveis ao toque” ainda dependiam de uma stylus, porque a tela não havia sido pensada para ser usada diretamente com os dedos.

Para Jobs, se um smartphone precisava de uma caneta para funcionar direito, então havia alguma coisa errada na própria interface.

Quase 20 anos depois, porém, a Apple acaba de apresentar o iPhone Duo, seu primeiro dobrável, e com ele vem algo que até pouco tempo pareceria improvável: suporte ao Apple Pencil.

E, como era de se esperar, não demorou para muita gente desenterrar a velha frase de Jobs e usá-la como munição contra o novo CEO da Apple.

Estaria a Apple quebrando a velha regra de São Jobs?

“Eu nunca enxerguei isso como uma regra”

Durante uma entrevista ao Tom’s Guide, Ternus foi questionado diretamente sobre a aparente contradição.

A resposta dele foi simples: “Eu nunca realmente enxerguei isso como uma regra.

Segundo Ternus, a lógica é semelhante ao que aconteceu com o iPad.

Quando o primeiro iPad foi lançado, ele também não tinha Apple Pencil. A caneta só apareceu anos depois, quando a Apple percebeu que havia tarefas em uma tela maior nas quais um instrumento de precisão realmente poderia acrescentar alguma coisa.

Desenhar, escrever à mão, fazer anotações e marcar documentos são alguns exemplos.

E é exatamente essa oportunidade que a Apple acredita existir agora no Duo.

Você não precisa de um Pencil, mas acho que algumas pessoas vão gostar dele.”

John Ternus

A frase de Ternus é importante porque explica justamente a diferença em relação ao que Steve Jobs criticava em 2007.

Steve Jobs não era absolutamente “contra canetas”

A famosa declaração de Jobs costuma ser resumida como se ele tivesse decretado que uma caneta jamais poderia existir no iPhone.

A fala em que Jobs critica as famigeradas canetinhas da época ficou na memória de todos.

Mas o contexto era outro.

Naquela época, vários smartphones e PDAs dependiam de pequenas canetas plásticas para tocar em menus, selecionar opções ou até mesmo digitar.

O que Jobs queria demonstrar era o grande diferencial de que o iPhone não precisava disso.

A interface havia sido criada para ser operada diretamente com os dedos. Essa continua sendo a filosofia do iPhone Duo.

O Apple Pencil não é necessário para abrir aplicativos, navegar pelo sistema ou usar o aparelho normalmente. Ele funciona como um acessório adicional para situações nas quais mais precisão pode ser útil.

Na época esse era o primeiro diferencial do aparelho, aquele que o usuário sentiria primeiro.

O Duo muda um pouco essa discussão

Existe ainda uma diferença importante entre um iPhone tradicional e o Duo.

Quando aberto, o novo aparelho possui uma tela interna de 7,6 polegadas, com proporções muito mais próximas de um pequeno tablet.

Isso muda bastante a utilidade de uma caneta.

Usar um Apple Pencil na tela de um iPhone convencional teria aplicações bastante limitadas.

Mas em uma área de trabalho próxima à de um iPad mini, já começa a fazer sentido escrever, desenhar, assinar documentos ou realizar ajustes mais precisos.

Nem todo Apple Pencil funcionará

Mas há uma limitação importante.

O iPhone Duo será compatível com o Apple Pencil com USB-C, e não com os modelos mais avançados que utilizam carregamento magnético.

Isso provavelmente tem relação com o próprio projeto extremamente fino do aparelho e com a ausência de uma área dedicada para recarregar o acessório magneticamente.

E o curioso é que a decisão da Apple acontece justamente em um momento em que alguns concorrentes seguiram pelo caminho contrário. O Galaxy Z Fold 7, por exemplo, abandonou o suporte à S Pen.

Steve Jobs aprovaria?

Ah, vai, não tem como responder essa pergunta. Literalmente, só Deus sabe.

Mas o fato é que afirmar simplesmente que a Apple “traiu” a visão de Steve Jobs seria simplesmente ignorar todo o contexto daquela apresentação de 2007.

Jobs estava criticando os smartphones que dependiam de uma caneta para serem usados.

O iPhone Duo não depende dela.

O Pencil aparece como uma ferramenta opcional quando aquela enorme tela interna pede um pouco mais de precisão. E foi isso que John Ternus quis dizer ao afirmar que nunca considerou aquela antiga frase uma regra.

A tecnologia mudou, o tamanho das telas mudou e até o próprio conceito de iPhone está mudando.

Com o Duo, pela primeira vez ele pode ser também um pequeno tablet quando aberto.

Por isso, se você ver alguém usando o velho dogma de Steve Jobs para criticar a decisão atual da Apple, mande esse artigo para ele.

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