A Apple confirmou no evento desta semana uma novidade que já tinha sido adiantada aqui no BDI na semana passada: o iPhone Handoff, recurso que permite usar o mesmo número de telefone em dois iPhones diferentes.
Na prática, você pode ter um iPhone principal e outro secundário e simplesmente pegar o aparelho que quiser usar naquele momento. Seu número passa a ficar ativo naquele dispositivo, com chamadas, mensagens e conexão celular funcionando normalmente.
Só tem um detalhe que a Apple não destacou muito durante a apresentação: esse recurso pode ter um custo extra para o usuário.
Nos Estados Unidos, já sabemos o preço
A T-Mobile, uma das primeiras operadoras compatíveis com o iPhone Handoff, confirmou que cobrará US$ 5 por mês pelo serviço nos Estados Unidos, segundo apurou nosso caro Marcus Mendes, do 9to5Mac.
Com o serviço contratado, o mesmo número da T-Mobile poderá ser usado em dois iPhones compatíveis. Chamadas, SMS, dados móveis, hotspot e outros serviços da operadora também estarão disponíveis no aparelho secundário.
A própria Apple deixa isso bastante claro em sua página de suporte:
“Taxas da operadora podem ser aplicadas ao registrar-se no Handoff do iPhone.”
A Apple também alerta para outro detalhe curioso. Apagar o eSIM do segundo iPhone não necessariamente cancela o serviço. Para interromper uma eventual cobrança, pode ser necessário entrar em contato diretamente com a operadora.
Ou seja, embora o iPhone Handoff faça parte do iOS 27, a infraestrutura necessária para fazer tudo funcionar passa pela rede celular.
E é aí que entram as operadoras.
Na Alemanha, o modelo é diferente
A Deutsche Telekom também oferecerá o iPhone Handoff, mas aparentemente não criou uma cobrança específica para o recurso.
Por lá, ele faz parte do serviço MultiSIM, que permite compartilhar uma linha celular entre dispositivos.
Dependendo do plano contratado, o MultiSIM já pode estar incluído. Caso contrário, uma linha adicional custa € 6,95 por mês.
E no Brasil?
Ainda não sabemos.
Aliás, apesar de algumas manchetes já afirmarem que as operadoras brasileiras “terão” o iPhone Handoff, é importante colocar um pouco de freio nessa história.
Até agora, nenhuma das três grandes operadoras anunciou oficialmente um plano, preço ou data de lançamento para o recurso no país.
O site Tecnoblog entrou em contato com as assessorias das operadoras, que deram respostas bastante evasivas, sem dar certeza.
A Claro afirmou que, quando o recurso for liberado para outros países, “tomará as providências técnicas necessárias para oferecê-lo aos clientes“. Ou seja, mesmo discurso que já fez no passado com outras funcionalidades que não chegaram aqui.
A Vivo foi ainda mais cautelosa, dizendo apenas que “estuda desenvolver a funcionalidade de ativação do eSIM em mais de um smartphone da Apple”, sem confirmar se irá efetivamente adotar a função.
Já a TIM foi a que chegou mais perto de uma confirmação efetiva, afirmando que pretende desenvolver a função “nos próximos meses”, ainda sem apresentar uma data.
Portanto, afirmar neste momento que as três operadoras brasileiras já confirmaram o iPhone Handoff é ir além do que elas próprias disseram e acaba sendo pouco preciso do ponto de vista jornalístico.
As assessorias, historicamente, nunca negam nenhuma novidade apresentada pela Apple e adotam como comportamento “cozinhar em banho-maria” a imprensa até que a empresa avalie se, economicamente, vale a pena ou não a implementação.
Portanto, somente quando elas efetivamente anunciarem a implementação é que dará para cravar que teremos no Brasil a funcionalidade. Até lá, é só papinho de assessoria.
O Apple Watch pode dar uma pista
Existe um motivo para acreditarmos que o iPhone Handoff, se/quando chegar ao Brasil, possa vir acompanhado de uma mensalidade.
As operadoras já oferecem há anos serviços parecidos para relógios com conexão celular.
A lógica é praticamente a mesma: o Apple Watch recebe um eSIM próprio, mas utiliza o mesmo número de telefone do iPhone.
Na TIM, por exemplo, o TIM Sync custa atualmente R$ 19,90 por mês, depois dos três primeiros meses gratuitos.
O Vivo Sync também custa R$ 19,90 mensais por smartwatch em sua oferta empresarial, sendo que para linhas pós-pagas é “gratuito de forma promocional” (ou seja, pode ser cobrado a qualquer momento).
Já a Claro adota outra estratégia. Para clientes pós-pagos elegíveis, o Claro Sync não possui custo adicional.
Isso mostra que não existe necessariamente um modelo único.
Uma operadora brasileira poderia cobrar R$ 19,90 ou algum valor semelhante pelo segundo iPhone. Outra poderia incluir o Handoff gratuitamente em planos mais caros. Também seria perfeitamente possível oferecer alguns meses gratuitos antes de começar a cobrança.
A própria experiência atual com o Apple Watch mostra que todas essas possibilidades estão na mesa.
Ainda há muita coisa para ser definida
Por enquanto, oficialmente, a Apple lista apenas T-Mobile nos Estados Unidos e Telekom na Alemanha entre as operadoras compatíveis com o iPhone Handoff no lançamento. Verizon e a EE até o final do ano.
Portanto, antes de comemorar a possibilidade de manter aquele iPhone antigo como aparelho secundário usando exatamente o mesmo número, ainda teremos que esperar.
Precisamos saber quais operadoras realmente implementarão o Handoff no Brasil, quais planos serão compatíveis e, principalmente, quanto elas pretendem cobrar por isso.
Porque, como já acontece com o Apple Watch Cellular, o fato de o recurso estar dentro do iPhone não significa necessariamente que sua operadora deixará você usá-lo de graça.


Parece uma pergunta besta, mas qual seria a utilidade de se ter dois telefones com o mesmo número? Eu realmente não entendi bem isso.
Vamos exagerar no exemplo, para ilustrar melhor:
Digamos que você compre um iPhone Duo, de 22 mil reais. Ele vai servir para te dar prestígio em eventos, festas e encontros profissionais.
Porém, vai ter momentos que você só vai sair prum bar ou ver um cinema. Se você não quiser arriscar levar seu caríssimo Duo, poderá levar seu iPhone 11 velho, mantendo o mesmo número, sem precisar ficar trocando o chip (até porque o Duo nem chip físico tem).
É um exemplo absurdo e bobo, mas explica o tipo de uso dessa função. Quando você precisa usar um aparelho secundário (por algum motivo), essa função vai ajudar nisso.
Para a Apple ter implementado isso, provavelmente há demanda.
Pensei agora em outro exemplo:
Você vai para Miami comprar o novo iPhone 18 Pro, mas não quer levar o seu iPhone 17 Pro junto para que a alfândega não considere que você está voltando com dois iPhones. Então você transfere seu número para um aparelho mais antigo e usa na viagem, para não ficar sem conexão.