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Facebook estuda criar moeda virtual para permitir pagamentos pelo WhatsApp

O Facebook é uma droga. Ganha dinheiro com nossos dados pessoais, repassa para outras empresas e cria algoritmos que nos influenciam a todo momento. Mesmo assim (ou talvez por causa disso), ele e suas outras aquisições (Instagram e WhatsApp) são amplamente usados em países como o Brasil, a ponto das operadoras oferecerem acesso irrestrito sem descontar da franquia, para assim atrair clientes.

Com os últimos escândalos (que fizeram a empresa perder bastante valor de mercado), Mark Zuckerberg está atento em elaborar novas maneiras de expandir os negócios e se manter na mente das pessoas. Seu mais recente projeto é o de criar uma moeda virtual que possa ser usada no aplicativo de mensagens WhatsApp.

E esta ideia, se for concretizada, pode se tornar um verdadeiro divisor de águas tanto para as criptomoedas quando para os pagamentos on-line.


O que é uma moeda virtual?

As moedas virtuais (também chamadas de criptomoedas ou criptoativos) são mais conhecidas do público em geral pelo nome de “Bitcoin“, que é o criptoativo mais famoso por ter sido o precursor da tecnologia. Pouca gente entende como ele funciona e o Jornal Nacional só fala dele quando há uma alta estrondosa ou uma queda absurda. Porém, o fato é que há centenas de outras moedas virtuais similares ao Bitcoin, que não existem no mundo material, são feitas exclusivamente de códigos criptografados e geralmente não são emitidas por governos.

O Bitcoin ficou famoso justamente por ter sido o primeiro a conseguir criar uma maneira de reproduzir no mundo virtual a escassez de uma moeda, com a impossibilidade de cloná-la. Assim, se você tem um bitcoin em seu iPhone ou computador, não conseguirá fazer cópias dele como faz com uma foto ou arquivo. Ele é único e se você passá-lo para outra pessoa, não conseguirá mais ter acesso a ele.

Qualquer um pode criar uma nova moeda virtual, e é por isso que todos os dias surgem um novo criptoativo. Mas o grande desafio é convencer as pessoas a usar a moeda que você criar, pois se ninguém se interessar por ela, consequentemente ela fica sem valor (as chamadas shitcoins).

E esta é a grande vantagem de Mark Zuckerberg.


Uma moeda popular

O que falta para as criptomoedas darem um salto do nicho em que vivem para o mundo mainstream é uma grande corporação implementar sua própria moeda virtual, tornando-a popular. E é justamente o que o Facebook pretende fazer, segundo um artigo da Bloomberg.

A ideia seria criar uma criptomoeda com valor fixo (atrelada ao dólar, sem a instabilidade típica das moedas virtuais) que pudesse ser enviada e recebida através do WhatsApp. Assim, seria fácil transferir dinheiro para seus contatos ou até mesmo pagar contas usando o mensageiro mais popular do Brasil.

O conceito de pagamento por aplicativo não é novo e já existem atualmente aplicativos de pagamentos tentando se estabelecer no mercado. E provavelmente este é o futuro. A própria Apple tem em alguns países o Apple Pay Cash, que permite transferir rapidamente valores para contatos, via iMessage. A diferença é que a maçã associa o pagamento ao cartão de crédito do usuário, enquanto que no WhatsApp as pessoas poderiam comprar os créditos (moedas) e repassá-los para outros.

Não é de hoje que o Facebook estuda maneiras de entrar no mundo financeiro. Em 2014, eles contrataram David Marcus, ex-presidente do PayPal, que recentemente se tornou o responsável pelo setor de iniciativas de blockchain da companhia e já conta com uma equipe de 40 pessoas. Blockchain é a tecnologia que torna possível o gerenciamento de moedas virtuais (em uma explicação beeeem resumida).

Os planos, ainda segundo o artigo, são de implementar a moeda primeiro na Índia. Porém, o Brasil é outro país em que o WhatsApp é absurdamente popular, o que nos faz acreditar que poderíamos ser beneficiados também.

Seja como for, ainda irá demorar um tempo para a ideia ser colocada em prática. É preciso criar toda uma estrutura de produção de moedas, armazenamento (carteiras virtuais) e reservas monetárias que garantam o valor fixo.


As moedas virtuais prometem ser instrumentos de pagamento importantes no futuro, e o tio Zuckerberg já está se preparando para isso. Se fizer sucesso, é possível que outras gigantes da tecnologia, como a Apple e o Google, também criem suas moedas virtuais para transações na internet, o que seria o início da transformação monetária mundial, mudando o dinheiro como o conhecemos hoje.

Via
Bloomberg
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iLex

Robô virtual que tem como missão organizar o site e ajudar leitores. De tempos em tempos ele desvirtua e tenta fazer outras coisas, mas nada que um hard reset não resolva.

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  • Fabrício

    A falta de lastro nas criptomoedas é algo que me preocupa. Porém, se esta tiver paridade com o dólar, o problema é parcialmente sanado.
    Agora, caso isto seja implementado, é bom que eles descubram uma forma de evitar as “clonagens” de WhatsApps. Triste é que sempre parece haver alguém de dentro da operadora envolvido nos casos reportados.

    • Mesmo clonando o aplicativo, é provável que eles façam a carteira digital independente, pois o token precisa estar no aparelho e não na nuvem. Se fizerem uma carteira online, na nuvem, o risco de segurança é muito maior, pois basta invadir os servidores do WhatsApp para milhões serem roubados, como acontece em algumas exchanges de criptomoedas.

    • Moedas fiduciárias também não têm lastro.

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