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Modelo de assinatura será a nova meta dos aplicativos na App Store

A Apple ontem anunciou algumas mudanças que estão vindo para a App Store no iOS 10, antes mesmo do evento da WWDC do dia 13. Isso porque o assunto tem muita potencialidade de ser polêmico e ela não quer que as outras novidades que serão apresentadas na segunda-feira sejam ofuscadas por isso.

comentamos ontem sobre a inclusão de publicidade de aplicativos, mas ela também tem outros planos em mente para a sua loja.

Antes de começarmos, vamos explicar como são vendidos os aplicativos hoje em dia na App Store. Há vários modelos de remuneração (afinal, as empresas precisam sobreviver) e um dos mais populares é o Freemium. Vamos listá-los para facilitar:

  • App pago: você paga uma quantia para baixar o aplicativo e pode usá-lo o quanto quiser. Muitas vezes ele vem completo, mas há casos em que você pode adquirir funcionalidades novas (ou novas fases) realizando compras internas extras.
  • App gratuito com banners: você baixa o aplicativo de graça e pode usá-lo normalmente. Porém, alguns banners publicitários (ou vídeos) aparecem para que o desenvolvedor ganhe uma graninha para sustentar suas crianças e continuar fazendo outros apps legais.
  • App gratuito sem banners e nem compras internas: caso raro, mas o Coelhinho da Páscoa já me contou que existe.
  • App freemium: você baixa gratuitamente o app e o usa normalmente, mas você conseguirá fazer muito mais coisas (ou de forma mais rápida) se pagar alguma coisa a mais. Este modelo é atualmente muito popular em jogos, pois viciados sempre gastam muito.
  • App com assinatura: há alguns aplicativos que possuem assinatura, como é o caso das revistas digitais. Esta assinatura pode ser de um mês, três, um ano ou como preferir o desenvolvedor.

É justamente neste último tipo que a Apple quer investir mais e facilitar para os desenvolvedores. Hoje, pouquíssimas categorias de aplicativos podem oferecer assinaturas renovadas automaticamente, sendo que isso foi introduzido quando a saudosa Banca apareceu no iOS. A ideia era revolucionar o mercado de revistas, passando todas para o iPad.

Na tentativa de dar uma remodelada no modelo de negócio de muitos apps, a maçã agora vai passar a permitir que qualquer categoria de aplicativos possa implementar o sistema de assinaturas renováveis. Isto significa que poderemos ver jogos, por exemplo, que sejam atualizados constantemente e só poderão ser jogados com a aquisição de uma assinatura temporária. Pode ser o caso do Plants Vs. Zombies 2, que hoje é gratuito mas vive do modelo freemium. Uma assinatura poderia livrar os usuários das propagandas e até das compras internas.

Outro ponto que mudará é a relação de divisão de faturamento entre a Apple e o desenvolvedor. Hoje, cada $1 que o cliente paga é dividido em dois: $0,70 vai para o dev e $0,30 vai para a Apple. Isso é assim desde o lançamento da App Store, em 2008. Porém, a Apple vai pagar mais para quem estabelecer assinaturas de um ano ou mais: nesses casos, a maçã só ficará com $0,15, enquanto os $0,85 restantes vão para o bolso do desenvolvedor. Compras normais ou assinaturas de períodos menores continuarão a ser divididas da velha maneira como sempre foram.

Alguns dizem que a Apple está fazendo isso para incentivar a fidelidade do usuário, que teria uma razão para ficar mais tempo no iOS sem mudar para outras plataformas. Isso explica porque assinaturas menores não terão este tipo de benefício.

Mas o que muda?

Nós, usuários, deveremos começar a ver mais aplicativos adotando o sistema de assinatura. Talvez ainda seja cedo para avaliar se isso irá influenciar no modelo freemium, mas uma das coisas que podem acontecer é vermos cada vez mais apps e jogos sem banners e sem compras internas, mas que exijam uma assinatura mensal ou por um determinado período. A Adobe e a Microsoft já fazem isso em seus programas de computador, e agora poderão adotar o mesmo esquema também para apps móveis. A EA é uma que também pode começar a lançar jogos com este modelo.

Mas então o usuário vai pagar mais? Depende. Os clientes só assinam serviços que são relevantes para eles. Então, apps terão que oferecer algo realmente útil ou interessante para fazer com que o usuário continue pagando. Em termos de qualidade, o nível pode crescer com isso, o que seria ótimo para todos.

Há certos tipos de apps profissionais que nem são adaptados para iPhone e iPad porque seu preço ficaria muito acima do “padrão normal” da loja, que geralmente é em torno de $0,99. Um ambiente assim em que um aplicativo de $4,99 é considerado “caro”, faz com que programas mais complexos (e mais caros de serem desenvolvidos) nem se aventurem neste mercado. A possibilidade de adotar este modelo de assinatura poderia viabilizar a vinda de aplicativos mais profissionais.

Só o futuro dirá se isso irá ter uma repercussão efetiva ou se será apenas mais uma novidade que não influenciará no modo como se vende aplicativos na App Store. É interessante ver que a Apple está preocupada em manter a competitividade de suas lojas, proporcionando mais opções aos desenvolvedores que permitam que eles criem apps bons e consigam se sustentar com isso. Porque não existe bons aplicativos se não se garante uma maneira sustentável de produzi-los.

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iLex

Robô virtual que tem como missão organizar o site e ajudar leitores. De tempos em tempos ele desvirtua e tenta fazer outras coisas, mas nada que um hard reset não resolva.

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