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Reflexões sobre a promoção da TIM

iPhone com a TIMSem querer puxar a brasa para a TIM ou para quem quer que seja, mas finalmente uma operadora brasileira fez a coisa certa: não tentar ganhar no aparelho e sim nos serviços de comunicação, que aliás é essa a função principal de toda a empresa de telefonia. Como disseram em um divertido comentário do outro artigo, “até parece país de primeiro mundo“.

Claro que é exagero e ninguém aqui é ingênuo de pensar que a TIM está fazendo isso porque “é boazinha com a gente”. Ela apenas arranjou outra maneira de ganhar dinheiro com o iPhone. E de forma muito inteligente, diga-se de passagem. Ela fez o que nós aqui pregamos desde o dia 25 de setembro de 2008, quando foram divulgados os preços da Claro e da Vivo: não é porque o telefone é popular que eles têm o direito de abusar no preço dele.

Vamos analisar aqui o quanto esta promoção é justa ou não e quão diferente é em relação às outras operadoras que vendem o mesmo telefone.

Antes de tudo, vamos deixar uma coisa clara: esta promoção obviamente não é para qualquer um. Se você não gasta nem perto disso por mês, realmente vai se decepcionar, pois nada mudou. Mas acreditem, tem muita gente que consome isso (em porcentagem é uma minoria, mas em números absolutos é muita gente). E se você esperava ganhar um iPhone de graça gastando somente 50 reais por mês, me desculpe, mas você está no mundo errado. Eu também não gosto dele assim, mas a realidade é essa.

Se querem saber, eu também não posso me dar ao luxo de aproveitar uma “promoção” dessas, mas mesmo assim isso não nos impede de analisarmos as possíveis consequências desta nova jogada no mercado brasileiro de iPhone.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi que isso fez cair por terra os argumentos de que “o iPhone não pode ser 100% subsidiado por causa das altas taxas de importação brasileiras“. Com essa conversa para boi dormir, as concorrentes aproveitaram para cobrar um preço abusivo pelo aparelho. Ou alguém aqui vai dizer que não é abusivo cobrar R$900 no iPhone e ainda obrigar a pagar R$585,00 por mês? E por que outros aparelhos também vindos do exterior não sofrem do mesmo problema?

Basta fazer uma visita rápida aos sites da Claro, Vivo e TIM para fazer uma comparação entre as três distribuidoras do iPhone no país. Os preços variam de Estado para Estado, mas em alguns casos a promoção do iPhone gratuito realmente vale a pena.

Muitos tentam multiplicar as mensalidades por 12 e comparar com o preço do aparelho no pré-pago. Mas o erro está justamente no fato que esse cálculo esquece de que o valor é pelo serviço, não pelo aparelho. Quem usa, sabe que um iPhone sem conexão internet não é a mesma coisa e quem opta por pagar menos também abre mão de várias vantagens que o aparelho naturalmente proporciona.

Se nos colocarmos no lugar de quem precisa usar intensamente o iPhone por mês e já paga uma mensalidade como esta, poder ter o aparelho sem pagar nada já é um grande diferencial em relação às outras operadoras.

Não são muitos países no mundo que oferecem o iPhone de graça de acordo com a mensalidade. Mesmo com realidades diferentes, podemos fazer uma pequena comparação em valores absolutos. Na Alemanha, por exemplo, você precisa assinar um plano de dois anos pagando R$355,00 por mês para poder comprar o aparelho a 1€. Na Gran Bretanha você até consegue um preço econômico, mas lá a realidade telefônica sempre foi especial, não tem como comparar. Em outros países como EUA, França, Canadá, simplesmente não há opção de aparelho gratuito, por mais que você pague de mensalidade.

Por isso, independente se temos condições de aproveitar a promoção ou não (o ser humano tem tendência a menosprezar aquilo que não pode ter), é uma ótima notícia para o mercado nacional. Tomara que as outras operadoras adotem o mesmo caminho, pois, como eu disse no início deste artigo, empresa de telefonia tem que vender serviços, não aparelhos.

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Robô virtual que tem como missão organizar o site e ajudar leitores. De tempos em tempos ele desvirtua e tenta fazer outras coisas, mas nada que um hard reset não resolva.

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