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Woz fala do trailer do próximo filme sobre Steve Jobs

O cara que inventou o computador pessoal, Steve Wozniak, foi tão importante para o nascimento da Apple quanto Jobs. Foi ele quem criou os primeiros computadores da empresa, revolucionando a informática. Por isso, seu personagem fará parte da trama do novo filme que fala sobre Steve Jobs, cujo trailer foi divulgado ontem. E ele comentou sobre o filme: “Nada daquilo foi dito realmente por mim, mas mesmo assim eu gostei“.

O trailer, que contém partes do futuro filme, mostra uma cena forte em que o personagem de Woz confronta Jobs, questionando a razão dele ser tão adorado:

O que você faz? Você não é engenheiro, você não é um designer, não consegue sequer pregar um prego. Eu construí os circuitos, a interface gráfica foi roubada… Então como é que, 10 vezes por dia, eu leio que Steve Jobs é um gênio?

Woz afirma que nunca falou daquela maneira e jamais disse que a interface gráfica do Mac (fortemente inspirada em uma criação da Xerox, que era desprezada pela sua diretoria – chamando-a de “interface para crianças“) era roubada. Ele não se reconheceu no personagem interpretado pelo ator Seth Rogen (do filme A Entrevista), mas diz não se importar com isso, pois o que vale é o entretenimento.

A precisão dos fatos fica abaixo do fator entretenimento em um filme como este.

Contudo, ele assumiu, em uma rápida entrevista para a Bloomberg, que gostou muito do que viu no trailer e pretende ver o filme na sua estreia, dia 9 de outubro.

Mesmo dizendo que há certos exageros, Woz diz que ele viu muito do Jobs real nas cenas do trailer. A parte em que fala da filha Lisa, o emocionou. “Foi difícil para mim, mesmo ficando quieto, ver o Steve se recusando a assumir a filha mesmo em um momento em que o dinheiro não era um problema, e eu quase choro quando lembro disso“.

Confira o trailer, legendado em português:

Agora entrando no campo da opinião pessoal: quem conhece mais profundamente a história de Steve Jobs, sabe que ele nunca foi santo e era uma pessoa terrível de se trabalhar, quando não se fazia algo exatamente como ele pensava. E este filme mostrará bastante este lado mais tirano e difícil de tratar. Mas isto significa que ele era mau e que nada do que ele fez prestou? Claro que não.

Eu sempre achei e continuo achando (de novo, minha opinião) que Steve Jobs foi um gênio, não pelo que ele efetivamente criou, mas pelo seu modo de ver o mundo e as coisas. Não acho que outro que tivesse entrado naquela sala da Xerox PARC (Palo Alto Research Center) e visto pela primeira vez aquela interface gráfica, tivesse acreditado tanto que aquilo poderia mudar a computação. Nem vejo nenhum outro que tenha visto os tablets desenvolvidos pela Microsoft nos anos 2000 e proposto outra maneira de lidar com eles. Quase um “olha aqui a maneira certa de como deve ser um tablet“. Sim, foram engenheiros que tornaram possível o nascimento do iPhone e do iPad, mas foi ele quem dirigiu, que puxou o máximo que podia deles, para que tudo saísse na perfeição que ele queria. Como citado no próprio trailer, ele era “o maestro que dirigia os músicos“.

Costumo sempre comparar Steve Jobs com Charlie Chaplin, outro grande gênio do século passado. Chaplin teve uma vida pessoal conturbada, casava com menores depois de engravidá-las e era tão aficcionado pelo seu trabalho que ficava meses na filmagem de um filme até que a cena ficasse perfeita, esquecendo que tinha família. Como pessoa, era bastante questionável, mas para nós, o que importa é a obra que ele deixou, que sempre foi genial. Nunca mais surgiu ninguém como ele nas telas.

Assim como Chaplin, Jobs não merece ser idolatrado, pois não era santo. E quem ficar decepcionado com este filme só porque mostra um lado ruim dele, é porque o idolatrava, sem conhecê-lo. Um filme que só mostrasse o lado bom de Jobs, sem defeitos, seria chato e não transmitiria a verdade.

Ayrton Senna disse uma vez: “Eu não tenho ídolos. Tenho admiração por trabalho, dedicação e competência“. Isso resume tudo. Não é porque Jobs não era uma pessoa perfeita que não devamos admirar tudo o que ele fez (e que não foi pouco). Pare agora um pouco e olhe em volta, e tente imaginar o que você usa hoje que talvez não seria desta maneira se Jobs não tivesse existido. Aí você poderá avaliar a verdadeira importância que ele teve (ou não) na sua vida.

Mesmo mostrando uma faceta difícil de Jobs, o filme promete.

Conteúdo original © Blog do iPhone

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Ale Salvatori

Applemaníaco desde 1995, quando precisou aprender a usar um Mac em uma semana para conseguir um emprego em uma agência de publicidade. Acha que a Apple não é mais a mesma depois da saída do Gil Amelio.

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