Uma das melhores ideias implementadas no Android está prestes a ser adotada também no iOS, para o alívio de milhares de brasileiros que sofrem com o aumento de furto de celulares nas principais cidades do país.
Novas referências encontradas no segundo beta do iOS 27.2 mostram que a empresa continua desenvolvendo justamente um sistema capaz de detectar quando o iPhone é arrancado da mão do proprietário.
Mas apesar do Google ter apresentado a ideia como maravilhosa, na prática apresentou diversos problemas que a Apple está tentando resolver.
O problema do iPhone furtado desbloqueado
O ponto que destacávamos em nosso artigo de 2024 continua sendo um dos cenários mais preocupantes em um furto de celular.
Está cada vez mais comum celulares serem arrancados diretamente das mãos dos proprietários enquanto estão usando distraidamente na rua, para assim os criminosos terem acesso ao aparelho desbloqueado.
Nesta situação, o ladrão pode rapidamente acessar contas bancárias e realizar transferências em questão de minutos.
A Apple criou nos últimos anos diversas camadas para dificultar esse tipo de ataque, incluindo a Proteção de Dispositivo Roubado, que exige autenticação biométrica e pode impor atrasos antes de permitir alterações críticas quando o iPhone está longe de locais conhecidos.
Mas isso não resolve o problema do furto rápido para saquear contas bancárias.
Em 2024, o Google apresentou uma maneira ainda melhor de diminuir o risco: bloquear o aparelho imediatamente depois que ele for arrancado agressivamente da mão. A função é chamada de Theft Detection Lock, ou Bloqueio por Detecção de Roubo.
O Android usa inteligência artificial e sensores do aparelho para identificar movimentos compatíveis com alguém arrancando o telefone e fugindo correndo, de bicicleta ou de carro.
Quando isso acontece, a tela pode ser bloqueada automaticamente. O recurso posteriormente foi disponibilizado para aparelhos Android compatíveis, inclusive modelos com Android 10 ou superior.
Porém, apesar da ideia parecer sensacional, apresentou diversos problemas justamente porque foi implementada com o descuido típico do Google. E as cobaias foram os usuários de Android brasileiros.
Falsos positivos são o problema
A ideia de bloquear automaticamente um celular quando ele é arrancado da mão parece ótima no papel. O problema começa quando o sistema interpreta movimentos normais como uma tentativa de roubo.
Desde que o Google lançou a Detecção de Roubo, surgiram relatos de usuários que tiveram o aparelho bloqueado enquanto corriam, caminhavam rapidamente, estavam dentro de um ônibus ou simplesmente movimentavam o telefone de maneira mais brusca.
Em alguns casos, a frequência dos falsos positivos foi suficiente para fazer usuários desativarem a função.
Ao mesmo tempo, testes independentes mostraram o problema oposto. Em determinadas situações simulando um roubo, o Android simplesmente não acionou o bloqueio.
Isso acontece porque o algoritmo procura uma combinação específica de movimentos e outros sinais antes de concluir que o aparelho realmente foi arrancado da mão.
Por isso, a questão não é simplesmente copiar uma função, e sim realizá-la com a qualidade que realmente ajude o usuário a resolver o problema.
O iPhone tentará descobrir se foi roubado
Segundo código encontrado pelo 9to5Mac no iOS 27.2 beta 2, a Apple chama internamente o sistema de AutoLock.
A primeira pista de que a empresa estava trabalhando no recurso havia aparecido ainda em maio deste ano. Agora, porém, o código revela muito mais detalhes sobre como o iPhone poderá decidir se realmente acabou de ser roubado.
E aparentemente não será apenas uma questão de detectar um puxão brusco.
O sistema poderá observar uma aceleração repentina compatível com alguém arrancando o aparelho da mão, mas também analisar outros sinais.
Entre eles estão a perda de comunicação com um Apple Watch pareado, o relógio permanecendo inacessível por algum tempo, uma perda prolongada da conexão de rede e até o fato de o iPhone continuar desbloqueado durante determinado intervalo.
Ou seja, o iPhone poderá reunir várias pistas antes de concluir que alguma coisa está errada.
O código do iOS 27.2 mostra que a Apple está criando mecanismos para tentar distinguir uma situação real de roubo de um movimento cotidiano. Para isso, o AutoLock parece funcionar com uma espécie de sistema de votação.
Certos sinais podem indicar que o iPhone deve ser bloqueado. Outros podem cancelar essa decisão.
Uma autenticação biométrica bem-sucedida, por exemplo, é uma evidência bastante forte de que o verdadeiro proprietário ainda está usando o aparelho. Estar em um local conhecido, como sua casa ou trabalho, também pode contar contra o bloqueio automático.
Até determinadas atividades de aplicativos em primeiro plano poderão ser consideradas para evitar falsos positivos.
Há ainda um mecanismo que pode reduzir temporariamente novos bloqueios automáticos caso eles estejam sendo acionados repetidamente.
Tudo indica, portanto, que a Apple não quer simplesmente criar um sensor de “puxão”. Ela está tentando combinar diferentes informações para entender o contexto.
O Apple Watch pode se tornar parte da proteção
Quem usa Apple Watch terá a função ainda mais precisa. O relógio pode funcionar como uma espécie de referência para determinar se o iPhone continua perto do proprietário.
Se o aparelho sofre uma movimentação brusca e, logo em seguida, perde a conexão com o Apple Watch que permanece no pulso do usuário, temos duas informações diferentes apontando para a mesma possibilidade.
Isso não significa que será obrigatório ter um Apple Watch para usar o recurso. Pelo que o código sugere atualmente, ele seria apenas mais um dos sinais disponíveis para ajudar o sistema a tomar uma decisão.
Função deve demorar ainda para ficar pornta
É importante deixar uma coisa bem clara: essa função ainda não está disponível no iOS 27.2 beta 2.
O que existe neste momento é o serviço AutoLock funcionando nos bastidores do sistema, enquanto o componente responsável por efetivamente bloquear o iPhone permanece desativado.
Uma possibilidade é que a Apple esteja justamente aproveitando os betas para testar o algoritmo sem causar transtornos aos usuários.
O sistema poderia observar situações em que teria bloqueado o aparelho e permitir que os engenheiros ajustassem os critérios antes de liberar a função de verdade.
A Apple ainda não anunciou oficialmente o AutoLock e, portanto, também não existe garantia de que ele será liberado junto com a versão final do iOS 27.2. O recurso pode aparecer mais tarde, sofrer alterações ou até receber outro nome quando finalmente chegar ao público.
Se o AutoLock realmente chegar ao iPhone, será especialmente útil em países como o Brasil, onde o roubo/furto de celulares arrancados da mão das vítimas é uma constante que precisa ser interrompida.

