Durante anos, enquanto Samsung, Google, Huawei e outras fabricantes lançavam e aperfeiçoavam seus celulares dobráveis, uma pergunta continuava aparecendo: onde estava a Apple?
Agora que o iPhone Duo finalmente existe, a empresa começa a explicar por que preferiu assistir a essa corrida de fora por tanto tempo. E Greg Joswiak, vice-presidente mundial de marketing da Apple, não foi exatamente gentil ao falar sobre o que a concorrência vinha fazendo.
Em entrevista ao Tom’s Guide, ao lado do CEO John Ternus, Joswiak afirmou que “o que vimos os outros fazendo não era particularmente inspirador”. E completou dizendo que a história da Apple nunca foi entrar correndo em uma categoria com alguma coisa ainda “meio pronta”.
A Apple não queria simplesmente fazer um iPhone que dobra
Segundo John Ternus, a decisão de entrar em uma nova categoria não acontece simplesmente porque os concorrentes já estão nela.
Para ele, a Apple precisa primeiro acreditar que encontrou uma ideia capaz de atingir os padrões da empresa em três pontos: qualidade, durabilidade e design.
No caso do iPhone Duo, isso envolvia ainda outro desafio. Hardware e software precisavam funcionar juntos de uma maneira que justificasse a existência daquela tela dobrável.
E aí talvez esteja uma das maiores diferenças entre a abordagem da Apple e simplesmente pegar um smartphone tradicional, colocar uma dobradiça no meio e adaptar o sistema para uma tela maior.
O iOS 27 ganhou diversas mudanças específicas para o Duo. Um exemplo citado por Ternus é a posição dos controles principais da interface.
Eles foram colocados na lateral direita de forma que permaneçam próximos ao polegar quando o iPhone está fechado. Quando o usuário abre o aparelho, os controles continuam praticamente no mesmo lugar em relação à mão.
Parece um detalhe pequeno, mas é justamente esse tipo de coisa que determina se a mudança entre as duas telas parece natural ou se o usuário sente que está alternando entre dois dispositivos diferentes.

A Apple também não queria repetir o problema dos tablets Android
Outra preocupação era o que aconteceria com os aplicativos quando o Duo fosse aberto.
Quem já usou tablets ou dobráveis Android sabe que nem todo aplicativo aproveita corretamente uma tela grande. Em alguns casos, temos praticamente a versão de celular simplesmente esticada para preencher o espaço disponível.
Joswiak comparou diretamente essa situação ao que aconteceu quando a Apple preparava o primeiro iPad.
Na época, a empresa trabalhou com desenvolvedores porque não queria que o tablet parecesse apenas um iPhone enorme. Para ele, o mesmo raciocínio precisava ser aplicado agora ao Duo.
Por isso, a Apple procurou desenvolvedores antes mesmo do lançamento e trabalhou com empresas como Netflix, Slack e Zoom para que seus aplicativos fossem adaptados às duas telas do novo aparelho.
A empresa foi bem mais ampla do que costuma ser ao envolver desenvolvedores externos ainda durante o desenvolvimento do produto. Segundo Joswiak, não faltou interesse em participar do projeto.

Até a dobra da tela precisava ser diferente
Mas tinha algo que incomodava muito nos aparelhos da concorrência: a dobra.
Ela continua sendo uma das características que mais incomodam algumas pessoas quando experimentam um celular dobrável.
Segundo Ternus, um dos momentos decisivos no desenvolvimento do Duo aconteceu quando ele viu um protótipo usando uma nova aplicação da superfície nano-texture.
A Apple precisou desenvolver uma forma de aplicar essa tecnologia sobre a superfície de polímero da tela dobrável, em vez do vidro usado normalmente em outros produtos.
O resultado reduz reflexos e, principalmente, torna a marca da dobra muito menos perceptível.
Ternus também foi crítico em relação a algumas soluções existentes no mercado. Para ele, determinadas superfícies plásticas usadas em dobráveis passam uma sensação barata ao toque e podem parecer onduladas ou enrugadas.
Quando viu o protótipo do Duo com a nova superfície funcionando, conta que teve aquele momento em que percebeu que a empresa finalmente estava no caminho certo.
Isso ajuda a explicar por que a Apple pode ter levado tantos anos.
Não bastava conseguir dobrar uma tela.
A empresa queria chegar a uma solução em que a própria existência da dobra incomodasse o mínimo possível durante o uso.
E havia ainda o problema de manter tudo em segredo
Curiosamente, o iPhone dobrável foi um dos produtos mais comentados da Apple nos últimos anos.
Rumores sobre ele circulavam há muito tempo.
Mesmo assim, Joswiak acredita que a empresa conseguiu preservar boa parte do projeto.
Segundo ele, a Apple colocou medidas extras de segurança, restringiu o número de pessoas envolvidas e chegou a utilizar um codinome que não tinha qualquer relação evidente com o produto.
Joswiak admite que os rumores descobriram que a Apple estava trabalhando em um dobrável e chegaram até mesmo à proporção aproximada da tela.
Mas muitos detalhes importantes permaneceram escondidos até a apresentação.

