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Apple irá liberar uma atualização do iOS 12 exclusivamente para a China na semana que vem

A briga judicial entre Apple e Qualcomm continua e parece que ainda será longa. E graças à decisão de um juiz, a venda de iPhones até o modelo X na China (um dos maiores mercados do mundo) foi totalmente proibida. A Qualcomm já entrou com pedido para incluir também os últimos modelos de iPhone.

A Apple irá tentar reverter isso, liberando na semana que vem uma atualização exclusivamente para o país. Entenda o caso.


A briga teve início quando a Apple começou a reclamar que a Qualcomm cobrava da indústria preços abusivos por suas patentes. Segundo a maçã, a prática corrente é considerar tecnologias que viram padrões como sendo de categoria FRAND, e se recusa a pagar qualquer royalty enquanto as duas empresas não entrarem em acordo sobre isso.

O que é FRAND

Algumas tecnologias viram padrões essenciais da indústria, não apenas porque são boas, mas porque precisam virar padrão para sobreviver (são chamadas de SEP, standards essencial patents). Por exemplo, a tecnologia 3G foi criada, mas para se desenvolver no mercado, precisou que todos a adotassem. Imagine a situação: a empresa Y cria o 3G, mas não deixa ninguém mais usar. Se nenhum aparelho usa, as operadoras não a implementarão, o que faz com que os próprios aparelhos da empresa Y não funcionem com nenhuma operadora. A empresa Y então desiste de fabricar aparelhos com 3G, porque eles não funcionam no mundo real. Seria uma situação absurda.

Foi então que a indústria criou a licença FRAND (fair, reasonable, and non-discriminatory terms), que são licenciamentos com condições justas, razoáveis ​​e não-discriminatórias para que toda a indústria possa usufruir da tecnologia padrão, evoluindo assim o mercado. Quem criou a tecnologia pode cobrar para licenciá-la, desde que não seja de forma abusiva.

A Apple sempre defendeu (e muitas vezes de forma exagerada) o direito à propriedade intelectual. Mas em termos de padrões essenciais, a indústria impôs sua própria regulamentação, e a Apple alega que é isso que a Qualcomm não está respeitando ao cobrar um valor abusivo depois que sua tecnologia virou padrão.

Banimento do iPhone

Dos diferentes processos que acontecem pelo mundo entre as duas empresas, na China a Qualcomm conseguiu uma vitória. Um juiz local concordou em banir a venda de todo e qualquer iPhone no país, por causa de duas patentes da Qualcomm usadas pela Apple no iOS.

Imagem © Apple

São patentes referentes à edição de fotos no iOS e a gestão de aplicativos pelo touchscreen. Porém, a decisão não inclui o iOS 12, limitando o banimento apenas aos dispositivos que possuem versões anteriores do sistema, como é o caso do iPhone X e do iPhone 6s, que saem de fábrica já com sistema antigo.

A Qualcomm já entrou com pedido para incluir no processo também o iOS 12, o que baniria a venda também dos novos iPhone XS e XR. E é por isso que a Apple já está planejando disponibilizar uma versão modificada do iOS 12 na China para não incluir nenhuma patente da Qualcomm, evitando assim perdas maiores.

“Relativo aos modelos que oferecemos hoje na China, afirmamos que respeitamos todas as leis. No início da próxima semana, liberaremos uma atualização de software aos usuários chineses, alterando algumas pequenas funcionalidades que potencialmente possam ser associadas às duas patentes em questão.”

Repercussão para a indústria

Segundo a Apple, esta decisão judicial na China pode repercutir negativamente para toda a indústria, podendo custar milhões de dólares para todos os produtores de smartphones.

Se a empresa não conseguir reverter este banimento, terá que ceder. O mercado da China é valioso demais para a Apple, e ser impedida de vender nele é algo que derruba toda a sua estratégia econômica, que nos últimos anos focou intensamente no país.

Isso, para a maçã, fará com que a Qualcomm continue cobrando da indústria de forma irracional e com altas taxas de licenciamento.

“A Apple será obrigada a aceitar os termos impostos pela Qualcomm, fazendo com que recaia sobre todos os fabricantes de celulares o modo irracional de cobrança anterior e paguem altas taxas de licenciamento, resultando em perdas irrecuperáveis no mercado de telefones celulares.”


Esta história parece estar longe de chegar a um fim.

 

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iLex

Robô virtual que tem como missão organizar o site e ajudar leitores. De tempos em tempos ele desvirtua e tenta fazer outras coisas, mas nada que um hard reset não resolva.

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  • Jeff

    Ganância e mais ganância de ambos os lados… e nós consumidores ficamos no meio. afff

  • BS

    No fim quem paga a conta? Obviamente, nós….

  • Alan Alarcon

    Primeiramente gostaria de elogiar o texto, que foi muito bem escrito e explicado. A indústria de patentes é algo complicado e se ninguém ceder quem vai sofrer são os usuários finais.

  • Fabrício

    O retrospecto da Apple nessa área não se difere do que a Qualcomm acabou de fazer.
    E a enorme briga dela pelo direito de patentear os multi-toques e o deslize para desbloquear?
    A busca por adotar padrões próprios que amarram o consumidor também é uma característica marcante que no passado criou atrito até entre os fundadores da empresa.
    Mas resumindo… se ela não leva vantagem, esperneia. Coisas do jogo.

    • Não vou tomar partido da Apple, pois neste caso resolvi não formar uma opinião. Deixarei a justiça decidir. Porém, você citou um exemplo que foge do conceito de FRAND. Talvez você não tenha entendido muito bem o que significa.

      As chamadas patentes padrões essenciais são aquelas que, sem elas, o aparelho não funciona, não se conecta e não se comunica. Nenhuma das que você citou entram nesse caso.

      Os smartphones funcionam plenamente sem o “Deslize para desbloquear”? Sim, e a prova é que hoje nem o iPhone tem mais isso e continua funcionando perfeitamente. O que os concorrentes queriam era só copiar mesmo uma característica da Apple, para tentar iludir o consumidor de que “todo celular é a mesma coisa”.

      O notch é essencial para um smartphone funcionar? Não, mas já tem um monte de marca que já o adotou, para ficar parecido com o iPhone. A mediocridade criativa dos concorrentes é visível, e não tem nada a ver com patentes essenciais.

      Portanto, o seu comentário acaba não tendo argumentos fortes o suficientes para sustentá-lo.
      Como dizia o filósofo: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

      • David Weber

        E essas patentes, edição de fotos e gestao de aplicativos pelo toque, sao fundamentais para o funcionamento de um dispositivo? Nao ficou claro no texto exatamente a respeito do que as duas empresas estao brigando.

        • Fabrício

          Além disso, David, diversos países não aceitam patentes de software (Brasil é um deles). A exceção se dá para softwares embarcados. Mas a patente é para o dispositivo que contém o software.

        • “E essas patentes, edição de fotos e gestao de aplicativos pelo toque, sao fundamentais para o funcionamento de um dispositivo?”

          Não sei dizer, David.
          A mim parece que não, mas não sou tão entendido da questão técnica a ponto de saber se a Apple tem ou não razão neste caso. Por isso disse no início que não tenho opinião formada sobre a questão.

      • Fabrício

        O notch recai na questão do desenho industrial (não é patente). Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
        Trabalho com patentes, iLex.
        Meu comentário não foi para confrontar o seu. Apenas lembrei de alguns eventos em que a Apple esperneou, mas não ganhou. Como disse, coisas do jogo.
        Ainda sobre patentes, acredito que você saiba que cada país tenha sua legislação. O fato, por exemplo, de um pedido ser depositado e deferido no USPTO, não significa que ele automaticamente será deferido na EPO, que por sinal tem um exame bem mais rigoroso e costuma restringir o escopo de proteção. Caso tenha curiosidade, compare o quadro reivindicatório uma patente US com uma de sua família EP.
        Ainda sobre patente, aproveito pra dizer que não há “quebra de patente”. Quando isto é noticiado, ficamos indignados. O que pode ocorrer é o “licenciamento compulsório”.
        Uma curiosidade que vocês talvez não saibam é que em virtude da grande velocidade com a qual um tecnologia está se tornando obsoleta e descontinuada, existem estudos para que a vigência das patentes seja diminuída. Porém, a indústria farmacêutica nem quer pensar nisso.

        • É ótimo você colocar essas curiosidades técnicas, pois enriquecem o debate. 🙂

          O “retângulo com bordas arredondadas” dos primeiros iPhones também eram questão de desenho industrial, e a Apple patenteou mesmo assim. Foi uma das brigas com a Samsung, inclusive. Eu comentei sobre o notch para fazer uma comparação com o “slide to unlock”, pois eu acredito que sejam similares quanto à “cópia” por parte de alguns concorrentes.

          • Fabrício

            Achava que aquela questão das bordas tinha sido com patentes USD (equivalentes aos nossos desenhos industriais). Em todo caso, USPTO é um caso à parte. Até cheiro de loja é patenteável. Brasil segue mais a linha da Europa.
            Mais uma curiosidade, China, que descaradamente copia tudo, está se tornando o 2º colocado em números de depósitos de patente, segundo a OMPI.
            Será que a medida em que estes depósitos se tornem patentes (isso se, de fato, tenham aplicação industrial, novidade e atividade inventiva) eles deixarão de estarem envolvidos em tanta contrafação?

  • rafael_rs

    Pessoal, boa tarde
    Peço desculpa por o assunto for off tópico, mas tenho um filho pequeno e estou ensinando ele atender as ligações. Com isso, tentei colocar uma foto no contato, pra quando eu ligar ele ver a foto e atender. Minha esposa tem um iPhone 5c, ainda com iOS 10 eu acho. Ao ligar a foto pega a tela inteira. Porém, quando ela liga pra mim, iPhone 8 e iOS 12, aparece uma foto bem pequena no canto superior direito. Minha pergunta é se consigo deixar a foto em tela inteira no meu aparelho/versão. Obrigado a quem puder ajudar

    • Cristiano Filho

      Atualize, colocando uma foto no contato no iPhone 8, que você conseguirá o que deseja.

      • rafael_rs

        Olá Cristiano, tudo bem?
        Infelizmente já alterei a foto, mexi em algumas configurações mas ao receber a ligação a foto continua aparecendo minúscula no canto superior direito. Será que tem a ver com a versão do OS? Obrigado

        • Cristiano Filho

          Eu estava com esse mesmo problema, mas quando mudei as fotos dos meus contatos, foi solucionado. Em seu caso, infelizmente, não sei como proceder.

  • Tiago Xavier

    Alguém notou que o app do instagram ficou grande com essa atualização? Letras maiores e ícones dentro do apo tb? Como resolver?