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A historinha sensacionalista do rastreamento do iPhone que compromete sua privacidade

Ontem uma história rodou a internet, aparecendo em vários sites especializados. Diversos leitores nos sugeriram a matéria e houve até mesmo um certo atrito entre colaboradores aqui do Blog em publicar ou não a “chocante notícia”, o que renderia com certeza algumas visitas adicionais ao BDI. Mas diversos sites repetirem a mesma informação não significa que ela seja importante, ou totalmente imparcial.

Tudo começou quando dois pesquisadores “descobriram” que o iOS guarda todas as informações de localização geográfica em arquivos internos do sistema, tornando possível que com um aplicativo (para Mac) seja possível mapear todos os lugares que o aparelho esteve.


Imagem de Victor Chiovetto

Alguns falaram que “era um arquivo secreto” e outros até questionaram se a Apple não estava fazendo isso para o governo americano, mas tudo isso não passa de besteira. Nenhuma informação pessoal de fato é enviada para a Apple ou quem quer que seja; ficam todas no próprio aparelho. E quando é enviado, é de forma anônima, respeitando a privacidade de cada usuário.

O iOS guarda um histórico dos lugares onde o aparelho passou? Sim, mas isso não é nenhuma novidade. Desde o iOS 3.0 isso acontece e já tinha sido documentado por alguns especialistas. Ou seja, mostrar isso como novidade agora não passa de sensacionalismo. Não há nada de secreto, malicioso ou escondido em tudo isso.

Aliás, a Apple é uma empresa que sempre demonstrou preocupação excessiva quanto à privacidade (e muitos a chamam de chata e fechada por isso). Quem não se lembra da polêmica que deu quando ela proibiu que serviços de publicidade enviassem dados de localização do usuário a seus servidores? (leia “Apple veta o uso da função de geolocalização para publicidade“). O sistema Android não possui a mesma política e a AdMob (que é da Google também) sabe exatamente onde os usuários passam todo o dia. Por que razão ninguém comentou isso?

Ao contrário do que afirmaram alguns, estas informações não estão acessíveis a qualquer um que quiser. Elas estão somente no aparelho e no seu computador. Se roubarem seu iPhone, estes dados só poderão ser acessados com jailbreak, assim como sua agenda de telefone, suas senhas de email e todas as demais informações contidas nele. Ou seja, o risco de perder informações importantes em caso de roubo é sério com ou sem este “rastreamento”. Se quiser proteger sua privacidade, não deixe roubarem seu telefone. Ou então ative o serviço Buscar Meu iPhone, que permite apagar todos os dados do dispositivo à distância.

A novidade é que esta semana criaram um aplicativo para Mac que é capaz de extrair as localizações do backup do iTunes. Ou seja, só quem tiver acesso irrestrito ao seu computador que poderá vê-las, assim como senhas de email, cartão de crédito e tudo o mais que se encontra no seu PC. Isso não é novidade para ninguém e não há razão para fazer tempestade em copo d’água por isso.

Uma mulher ou marido ciumento poderiam usar deste método para rastrear por onde passou a sua alma gêmea direto no computador de casa? Isso sim. Mas se você está preocupado com isso, tenho algo triste para lhe dizer: não é só o iPhone que faz isso. Para o Android, por ter o sistema mais aberto e acessível, há até aplicativos disponíveis que facilitam ainda mais esta tarefa, sem nem precisar ser nenhum hacker.

Portanto, se você ficou preocupado com a “ameaça de espionagem pelo iPhone”, saiba que as notícias apresentadas foram um pouco exageradas. E se você realmente se preocupa tanto assim com o segredo de suas localizações, então deixe de usar smartphones. Aliás, deixe de usar a internet também, pois neste exato momento, até mesmo eu tenho condições de saber de onde você está lendo este artigo. 😉

leia mais sobre isso no Cult of Mac

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iLex

Robô virtual que tem como missão organizar o site e ajudar leitores. De tempos em tempos ele desvirtua e tenta fazer outras coisas, mas nada que um hard reset não resolva.

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