Por muitos anos, chamar a Siri significava fazer uma pergunta, receber uma resposta e ver aquela interação desaparecer logo depois. O iOS 27 começa a mudar completamente essa lógica.
A nova Siri AI ganhou seu próprio aplicativo e passa a oferecer uma experiência muito mais próxima daquela que já conhecemos em serviços como ChatGPT.
É possível manter conversas, consultar interações anteriores, enviar imagens e documentos e fazer perguntas usando informações pessoais armazenadas no próprio iPhone.
Na prática, a Siri deixa de ser apenas uma assistente que você chama de vez em quando e passa a ocupar um espaço muito mais importante dentro do sistema.
Só existe um detalhe particularmente importante para nós: essa nova experiência não estará disponível inicialmente em português.
A própria Apple informa em sua página brasileira do iOS 27 que a Siri AI estará disponível em inglês ainda este ano.
Em outro comunicado, a empresa explica que a nova Siri será lançada inicialmente em beta para aparelhos compatíveis configurados em inglês e que outros idiomas serão adicionados posteriormente.
Isso significa que muita gente no Brasil poderá instalar o iOS 27 e simplesmente não encontrar no primeiro momento a experiência da Siri que aparece nas demonstrações da Apple.
A Siri agora tem seu próprio aplicativo
Essa provavelmente é uma das mudanças mais simbólicas.
Desde que chegou ao iPhone, em 2011, a Siri sempre foi tratada como uma camada do sistema. Você apertava um botão, falava alguma coisa, recebia uma resposta e continuava usando o aparelho.
No iOS 27, ela finalmente ganha um aplicativo próprio.
Ao abrir o novo app Siri, o usuário encontra uma interface de conversação na qual pode escrever perguntas e acompanhar respostas anteriores, de maneira semelhante ao que acontece hoje em chatbots de inteligência artificial.
Não significa que as formas tradicionais de ativar a assistente tenham desaparecido.
É possível continuar pressionando o botão lateral do iPhone para chamar a Siri. Outra opção é deslizar para baixo a partir da Dynamic Island, abrindo rapidamente o campo para conversar com a assistente.
O aplicativo é apenas uma terceira possibilidade, destinada principalmente às conversas mais longas.
As conversas com a Siri não precisam mais desaparecer
Talvez essa seja a mudança que mais altere a maneira como usamos a assistente.
O novo aplicativo mantém um histórico das conversas realizadas com a Siri, sincronizado pelo iCloud entre os aparelhos conectados à mesma Conta Apple.
Você pode abrir uma conversa antiga e continuar de onde parou, em vez de começar tudo novamente.
Também há uma ferramenta de busca para encontrar interações anteriores e duas maneiras de visualizar o histórico, em lista ou em cartões.
Conversas importantes podem ser renomeadas ou fixadas para facilitar o acesso posteriormente.
É uma experiência muito diferente da Siri que conhecemos hoje.
Dá até para mandar arquivos para a Siri
Outra consequência dessa transformação em chatbot é que as perguntas não precisam mais ficar limitadas ao texto ou à voz.
Dentro de uma conversa, existe um botão para adicionar imagens e documentos.
Você poderia, por exemplo, enviar a foto de alguma coisa e fazer perguntas sobre ela ou fornecer um documento para dar mais contexto à conversa.
As respostas também ficaram visualmente mais elaboradas. Em vez de simplesmente mostrar algumas linhas de texto, a nova Siri pode apresentar cartões, imagens e outros tipos de conteúdo dentro da própria conversa.
É mais uma demonstração de que a Apple não está simplesmente colocando inteligência artificial na Siri antiga. Ela está tentando transformar a própria maneira como interagimos com a assistente.
A grande vantagem está no que a Siri sabe sobre você
ChatGPT, Gemini e outros assistentes conseguem responder perguntas sobre praticamente qualquer assunto.
Mas existe uma informação que esses serviços normalmente não possuem: tudo aquilo que já está dentro do seu iPhone.
É justamente aí que a Apple espera encontrar sua maior vantagem.
A Siri AI foi projetada para compreender o chamado contexto pessoal. Isso permite utilizar informações encontradas em aplicativos como Mail, Mensagens e Fotos para responder perguntas.
Imagine que alguém lhe enviou há alguns dias por mensagem o endereço de um restaurante.
Em vez de abrir o Mensagens, procurar pela pessoa e voltar pela conversa até encontrar aquela informação, você poderá simplesmente perguntar à Siri onde fica o restaurante mencionado por ela.
A Apple também combina esse contexto pessoal com conhecimento geral e informações disponíveis na internet.
A diferença parece pequena quando explicada dessa maneira, mas pode acabar sendo uma das maiores transformações da Siri desde que ela apareceu no iPhone.
E os comandos antigos?
Eles continuam existindo.
Você ainda poderá pedir para a Siri criar um alarme, iniciar um cronômetro, tocar uma música ou realizar as diversas tarefas que a assistente já executa atualmente.
A diferença é que esses comandos rápidos não precisam necessariamente virar uma conversa armazenada no histórico.
Segundo a experiência publicada pelo Engadget, solicitações simples, como iniciar um timer ou reproduzir uma música, não são incluídas no histórico de conversas da Siri.
Portanto, o novo sistema tenta conciliar duas coisas.
A Siri continua funcionando como uma assistente rápida para controlar o aparelho, mas agora também pode ser usada como uma inteligência artificial para conversas mais complexas.
O usuário poderá decidir por quanto tempo guardar as conversas
Como agora existe um histórico, surge naturalmente outra questão: por quanto tempo essas conversas ficarão armazenadas?
A Apple oferece controles específicos para isso.
Nas configurações da Siri, o usuário pode escolher manter as conversas durante 30 dias, um ano ou indefinidamente.
O histórico é sincronizado pelo iCloud, permitindo acessar as conversas em outros produtos Apple conectados à mesma conta.
É uma mudança importante porque transforma a Siri em algo que passa a acumular contexto ao longo do tempo, em vez de funcionar apenas através de interações isoladas.
Nem todo iPhone com iOS 27 poderá usar a Siri AI
Existe ainda outro detalhe que pode provocar alguma confusão depois do lançamento do sistema.
Instalar o iOS 27 não significa automaticamente ter acesso à Siri AI.
A nova assistente depende dos recursos da Apple Intelligence e, por isso, exige aparelhos mais recentes.
Segundo a Apple, no iPhone a compatibilidade começa nos seguintes modelos:
- iPhone 15 Pro
- iPhone 15 Pro Max
- linha iPhone 16 e posteriores
Portanto, modelos como o iPhone 15 e o iPhone 15 Plus podem receber o iOS 27, mas não terão acesso à nova Siri AI.
Essa diferença provavelmente será importante quando o sistema chegar ao público, porque teremos iPhones rodando exatamente a mesma versão do iOS, mas com experiências bastante diferentes da Siri.
E quando a Siri AI chega em português?
Aqui está a parte frustrante.
A Apple ainda não anunciou uma data específica para a Siri AI funcionar em português.
O português já é um idioma suportado por diversos recursos da Apple Intelligence, mas isso não significa que todos os novos recursos da Siri estejam disponíveis nesse idioma.
Para a Siri AI, a Apple é mais específica: o lançamento inicial acontece em inglês e a empresa afirma que pretende ampliar rapidamente a disponibilidade para outros idiomas.
Na página brasileira do iOS 27, inclusive, a demonstração da nova Siri vem acompanhada do aviso “Disponível em inglês ainda este ano”.
Portanto, o melhor é não confundir as duas coisas.
Uma coisa é o suporte da Apple Intelligence ao português. Outra é a disponibilidade específica da nova Siri AI.
Isso significa que a Siri AI está bloqueada no Brasil?
Não exatamente.
Até o momento, a Apple não coloca o Brasil entre as regiões que possuem uma restrição específica à Siri AI.
Existem situações diferentes em outras partes do mundo. Na China, os novos recursos continuam indisponíveis enquanto a Apple trabalha para atender às exigências regulatórias locais.
Na União Europeia, a Siri AI foi adiada especificamente no iPhone e no iPad por questões relacionadas ao Regulamento dos Mercados Digitais.
No Brasil, a questão inicial é principalmente o idioma.
A Apple afirma que a Siri AI será disponibilizada inicialmente para aparelhos compatíveis configurados em inglês.
Isso abre a possibilidade de que usuários brasileiros que utilizem o sistema em um idioma compatível tenham acesso antes da chegada oficial do português, dependendo das condições definidas pela Apple na versão final.
Para quem utiliza normalmente o iPhone em português, porém, a experiência completa mostrada pela empresa não deve estar disponível logo no início.
Uma Siri muito diferente daquela que conhecemos
Pode parecer estranho dedicar tanta atenção ao fato de a Siri ter ganhado um aplicativo.
Mas o aplicativo é apenas a parte visível de uma mudança muito maior.
Até agora, a Siri funcionava principalmente como uma interface para executar comandos no iPhone.
Com a Siri AI, a Apple tenta transformá-la em um ponto central de interação com o aparelho, seus aplicativos, suas informações pessoais e a internet.
Você pode continuar dizendo “coloque um despertador para amanhã às 7h”.
Mas também poderá iniciar uma conversa, anexar um documento, fazer perguntas sobre uma informação recebida por e-mail, procurar algo mencionado semanas atrás em uma mensagem e depois continuar aquela mesma conversa em outro dispositivo.
É uma mudança de conceito.
O problema para nós é que, como já aconteceu outras vezes com novidades envolvendo inteligência artificial, o lançamento do recurso e a chegada dele ao usuário brasileiro não acontecerão necessariamente ao mesmo tempo.
Quando o iOS 27 for liberado para todos, portanto, vale prestar atenção nisso antes de procurar desesperadamente pelo novo aplicativo ou imaginar que há alguma configuração errada no seu iPhone.
A nova Siri existe.
Só que, para quem quer conversar com ela em português, ainda será preciso esperar um pouco mais.

