A Apple está prestes a mudar uma das partes mais tradicionais de seu negócio: a forma como vende seus produtos.
Segundo informações publicadas pela Bloomberg, a empresa pretende lançar em 28 de julho um novo programa chamado Apple Upgrade, que permitirá aos clientes pagar uma mensalidade para utilizar iPhones, Macs, iPads e Apple Watches.
A iniciativa será inicialmente disponibilizada nos Estados Unidos e contará com apoio financeiro da Klarna, empresa especializada em crédito e parcelamento.
Se a proposta parece familiar, é porque ela se aproxima do conceito de assinatura que já existe em serviços como Netflix, Spotify e iCloud. A diferença é que, desta vez, o produto da assinatura será o próprio hardware da Apple.
O que é o Apple Upgrade?
O Apple Upgrade é um programa que permitirá aos consumidores adquirir dispositivos da Apple por meio de pagamentos mensais.
Em vez de comprar um iPhone à vista ou financiá-lo da forma tradicional, o usuário poderá aderir ao programa e utilizar o aparelho durante um período determinado.
Ao final do contrato, haverá diferentes possibilidades. O cliente poderá trocar por um modelo mais novo, manter o dispositivo ou devolvê-lo.
A proposta é semelhante ao sistema de leasing bastante comum no mercado automotivo, em que o consumidor paga pelo uso do bem durante determinado período e decide o que fazer quando o contrato termina.
Qual a diferença para o iPhone pra Sempre do Itaú?
Talvez muitos estejam se dizendo: “Mas isso já é feito no Brasil“. Não é bem assim.
Programas de financiamento, como o iPhone pra Sempre, do Itaú, funcionam de maneiras diferentes.
No iPhone pra Sempre, o cliente é o dono do smartphone desde o primeiro dia. Trata-se de um financiamento com uma parcela residual no final do contrato.
Quando esse momento chega, o consumidor pode quitar o valor restante para ficar definitivamente com o aparelho ou utilizá-lo como parte da negociação para adquirir um modelo mais novo. Ou pode devolvê-lo sem pagar mais nada.
Já o Apple Upgrade segue uma lógica mais próxima do leasing.
O foco não está necessariamente na propriedade do aparelho, mas no seu uso durante determinado período. Ao final do contrato, o cliente pode optar por comprar o dispositivo, trocá-lo por um modelo mais recente ou simplesmente devolvê-lo.
Na prática, a Apple está aproximando seus dispositivos de um modelo de assinatura contínua.
No contrato, fica bem claro que o aparelho não pertence ao usuário e sim à Apple (essa é a principal diferença para os programas de financiamento).
| iPhone pra Sempre (Itaú) | Apple Upgrade |
|---|---|
| O iPhone é seu desde o primeiro dia. | O aparelho pertence à estrutura do leasing durante o contrato. |
| Você paga cerca de 70% do valor em 21 parcelas e deixa um saldo final de até 30%. | Você paga uma mensalidade durante 24 ou 36 meses. |
| No final pode trocar, devolver ou pagar o saldo restante para ficar com o aparelho. | No final pode devolver, comprar o aparelho ou trocar por um modelo novo. |
| Exige limite total do cartão de crédito. | Deve funcionar com análise de crédito da Klarna, sem necessariamente exigir limite integral no cartão. |
| Disponível apenas para iPhone e AirPods. | Inclui iPhone, Mac, iPad e Apple Watch. |
| É operado pelo Itaú. | Será operado pela Apple em parceria com a Klarna. |
E se parar de pagar?
Como o aparelho não pertence ao usuário, se deixar de pagar, algumas funções do iPhone poderão ficar bloqueadas.
Um detalhe descoberto no código do iOS 27 sugere que a Apple está preparando mecanismos para restringir aparelhos vinculados a contratos de leasing quando houver atraso nos pagamentos.
Segundo o site 9to5Mac, o sistema permitiria que instituições autorizadas verificassem a situação financeira do dispositivo e ativassem um modo de restrição em casos de inadimplência.
A Apple ainda não comentou oficialmente a descoberta, mas ela indica como o futuro Apple Upgrade poderá funcionar na prática.
Como funcionará o programa?
De acordo com a Bloomberg, os contratos terão duração diferente conforme o tipo de produto.
Os iPhones e Apple Watches terão contratos de 24 meses. Já os Macs e iPads terão contratos de 36 meses.
Durante esse período, os usuários poderão:
- Quitar o aparelho antes do prazo final.
- Fazer upgrade para um modelo mais recente.
- Permanecer com o dispositivo até o fim do contrato.
- Devolver o aparelho quando o período terminar.
Algumas dessas operações poderão gerar cobranças adicionais.
Para participar, os clientes precisarão passar por uma análise de crédito simplificada.
Nem todos os produtos serão elegíveis
Embora o programa cubra boa parte da linha da Apple, alguns dispositivos ficarão de fora.
Segundo o relatório, não serão elegíveis:
- Apple Watch SE
- iPad de entrada
- iPhone 16
- MacBook Neo
Além disso, compras feitas por empresas ou instituições de ensino também não poderão participar.
Outro detalhe importante é que o AppleCare não estará incluído no Apple Upgrade.
Uma resposta aos preços cada vez mais altos
O momento escolhido pela Apple chama atenção.
Recentemente, a empresa elevou os preços de diversos produtos, incluindo alguns Macs e iPads. Analistas também esperam aumentos nos preços da próxima geração do iPhone, que deverá ser apresentada em setembro.
Nesse cenário, um modelo baseado em mensalidades pode tornar mais fácil a aquisição dos produtos para consumidores que não desejam fazer um desembolso elevado de uma só vez.
Em vez de pensar no valor total de um iPhone topo de linha, o usuário passa a considerar apenas o custo mensal necessário para utilizá-lo.
O que a Apple ganha com isso?
A estratégia vai além de simplesmente criar mais uma opção de pagamento.
Ao facilitar a troca frequente de aparelhos, a Apple aumenta as chances de que os clientes permaneçam dentro de seu ecossistema e atualizem seus dispositivos com maior regularidade.
Ao mesmo tempo, a parceria com a Klarna permite que a empresa ofereça esse tipo de programa sem assumir diretamente os riscos financeiros relacionados ao crédito dos consumidores.
Vale lembrar que a Apple já estudava criar um programa próprio de assinatura para hardware, mas a iniciativa acabou sendo cancelada em 2024.
O Apple Upgrade surge agora como uma alternativa mais simples, viabilizada pela parceria com uma empresa especializada em financiamento.
O Apple Upgrade chegará ao Brasil?
Por enquanto, a Apple não anunciou planos para expandir o programa além dos Estados Unidos.
Ainda assim, não seria surpresa se a iniciativa chegasse a outros mercados futuramente.
O sucesso de programas que facilitam a troca periódica de smartphones mostra que existe demanda por esse tipo de serviço.
Caso o Apple Upgrade desembarque no Brasil, ele poderá se tornar uma alternativa para usuários que gostam de ter sempre o modelo mais recente do iPhone sem precisar comprar um novo aparelho a cada lançamento.
Se a proposta será bem recebida pelos consumidores, ainda é cedo para dizer.
O que já parece claro é que a Apple está buscando novas formas de transformar a relação dos clientes com seus produtos, tornando a atualização de dispositivos cada vez mais parecida com uma assinatura recorrente.

