Opinião

A nostalgia do tempo em que a Apple criava produtos que ainda não existiam

O site americano MacRumors lembrou neste domingo que no dia de hoje completam-se 20 anos exatos do lançamento do computador iBook, o primeiro laptop no mundo a incorporar conexão Wi-Fi.

Mais do que informação, o artigo serviu para nos lembrar os doces e brilhantes anos da Apple. E isso que era apenas 1999, o início do reerguimento da maçã como empresa e referência tecnológica.

Vamos aproveitar a tarde deste domingo para viajarmos um pouco na nostalgia daquela época.






MacWorld Expo 1999

A saudosa MacWorld Expo era um evento que acontecia todos os anos (organizado pela revista homônima) em que se discutia sobre o universo da Apple, exposições de fabricantes que criavam acessórios voltados para a plataforma e onde a empresa apresentava oficialmente, em primeira mão, seus novos produtos. A cidade de Paris também tinha um evento similar em setembro (a Paris Expo, a qual tive o prazer de participar de duas edições e ver Jobs ao vivo), que era tipo uma versão europeia desse evento.

Porém, depois de 2008, a Apple decidiu não participar mais de nenhum evento externo e apresentar seus produtos somente em eventos próprios que ela mesmo criasse (como a WWDC, por exemplo). Isto foi o fim tanto da MacWord Expo quanto sua versão parisiense.

Mas até então, este evento anual era o centro das atenções de todos, pois era certeza que veríamos novidades impressionantes. E por isso, em julho de 1999, as expectativas eram grandes.

Fazia apenas 2 anos que Steve Jobs tinha voltado para a então quase falida Apple e já tinha lançado alguns produtos para tentar reverter os resultados trimestrais que ainda eram negativos naquela época. O iMac transparente era um sucesso e o processador G3 chamava a atenção pela sua potência.

Jobs já tinha feito um enorme trabalho em enxugar toda a linha de produtos (que era confusa e bagunçada) e reduzir o conceito em 2 focos diferentes (desktop e portátil) voltados para dois públicos separados (profissional e consumidor).

Em vez de nomes técnicos horríveis de decorar (Performa 6360cd, 500 series, 600CD, etc), havia apenas um computador para o grande público (o iMac) e outro para o público profissional (Power Mac). Como laptop, existia o PowerBook (que era na época meu sonho de consumo) para o mercado profissional, mas nada para o mercado consumidor. Aliás, naqueles tempos laptop era coisa de executivo; estudantes ou pessoas que não trabalhavam com isso não tinham nenhum modelo para eles.

Pelo menos não até aquele dia.


Um laptop sem fios

Naquele dia, Jobs completou a lacuna que faltava, lançando o primeiro laptop voltado ao público consumidor.

O nome iBook foi tempos depois usado para o aplicativo de livros digitais da maçã, mas na época Jobs explicou que era o nome mais lógico a se adotar. A letra i era usada para os computadores voltados para o mercado consumidor (como iMac), enquanto que o prefixo Power era usado em máquinas profissionais (como o Power Mac). Visto que o notebook profissional levava o nome de PowerBook, a lógica era o novo produto se chamar mesmo iBook.

Com o conceito de ser “um iMac pra viagem“, o iBook foi uma pequena revolução na época: era o primeiro computador que já vinha de fábrica com possibilidade de se conectar via Wi-Fi, em uma época que a própria palavra Wi-Fi era desconhecida. A Apple deu um nome próprio à tecnologia (conexão AirPort) e lembro na época que a gente chamava de conexão wireless. Somente depois de um tempo, com a popularização de lugares e cybercafés que ofereciam o padrão, o nome Wi-Fi começou a ser adotado mais amplamente.

Já que comentei que eu vivia o mundo Apple nesta época, vou confessar: quando o iBook foi lançado, eu achei ele horrível. Era grosso, pesado e a alça em acrílico dele não aparentava ser resistente o bastante; dava medo de quebrar ao ser segurada. Clássico que sempre fui, também achava bizarro o teclado ser todo branco, em plástico.

Mas vamos falar menos do computador e mais do vídeo em si, pois ele nos remete a uma época que a Apple ia atrás de coisas novas para introduzi-las no mercado.

Era ela quem puxava toda a indústria para onde ela queria caminhar, tanto que, um ano antes, o iMac trazia um novíssimo conector que ninguém usava na época, chamado de USB (não sei se você já ouviu falar dele…).

Para lançar o iBook, a Apple fez parceria com a Lucent Technologies, trabalhando juntas por 18 meses para desenvolver a tecnologia de conexão sem fio que seria adotada no notebook. Duas antenas nas laterais da tela possibilitavam a conexão à distância, sem necessidade do uso de fios. Sim, hoje você pode achar estranho que um notebook fosse obrigado a estar todo tempo conectado a um fio, mas naquela época isso era o normal se você quisesse navegar pela internet.

Steve Jobs não se conformava em ser impedido de fazer uma coisa só porque não existia tecnologia para aquilo. Se ele olhava um laptop e não via sentido em um aparelho se chamar “portátil” ser obrigado a estar preso a um fio, ele faria de tudo para criar uma maneira de mudar aquilo.

Foi assim em vários outros produtos que vieram nos anos seguintes, sob direção dele.

Essa era a velha Apple que adorávamos.

Se você tem um tempinho e não tiver problema com o idioma inglês, veja o vídeo com parte da apresentação da época, mostrando como o mundo conheceu um laptop que poderia se conectar à internet sem nenhum fio ligado. Repare na reação do público na parte “One More Thing“, quando Steve Jobs começa a caminhar pelo palco com o iBook na mão:

Foi neste mesmo dia que aconteceu a famosa aparição do ator Noah Wyle, do filme Piratas de Silicon Valley, entrando no palco e imitando Steve Jobs. Confira:

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Ale Salvatori

Applemaníaco desde 1995, quando precisou aprender a usar um Mac em uma semana para conseguir um emprego em uma agência de publicidade. Acha que a Apple não é mais a mesma depois da saída do Gil Amelio.

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  • iCardeX

    WI-FI é apenas um selo de homologação e significa

    • Você parece estar concordando com o texto.
      Naquela época a conexão wireless não era chamada de Wi-Fi, como é hoje em qualquer computador ou celular. Por não ter um nome padrão, a Apple chamou de AirPort, mesmo nome dado ao seu roteador em forma de nave espacial.

  • Filipe André Cruz Adegas

    A Apple está passando por uma fase um pouco ruim. Mas é nas dificuldades que tudo se ajeita e volta a fazer sucesso. Na minha opinião, a Apple deve repensar o preço de seus produtos, visto que o mercado mudou muito em 10 anos e hoje todos querem preços mais em conta

    • Eu discordo com a frase “está passando por uma frase um pouco ruim ”.
      Enquanto empresa, ela está no auge. Lucros altíssimos a cada trimestre e com uma quantidade de dinheiro em caixa maior que o PIB de muitos países. As vendas de smartphones caíram mundialmente, mas foi para todo mundo, não só para a Apple.
      Ela está em uma situação que qualquer outro concorrente daria tudo para estar no lugar dela.

      Só não existe mais o cara que era obsessivo e inventava coisas que não existiam. Mas como empresa, é uma das maiores do mundo.

      • KB

        Exatamente, disse tudo!

  • Rene Fraga

    Posso fala com clareza que uma das coisas que me incomodam é o fato do valor elevado dos aparelhos, manutenção e acessórios. Já tive 4S, 5S e hoje com o 6S a mais de 2 anos, a bateria esta pela hora da morte, o aparelho desliga sozinhos, todos os meus cabos originais estão ruins, já estou a algum tempo namorando Zefone e Xiaomi, talvez seja o futuro da maioria dos usuários que querem o mesmo que eu, acessibilidade e qualidade.

    • Eu concordo com você: o preço altíssimo atual também me incomoda muito.
      Mas a Apple sempre foi cara. É só lembrar que reclamávamos quando o iPhone custava R$1.700…
      A diferença é que hoje o dinheiro está mais escasso para todo mundo (soma-se a isso o dólar mais alto e a Apple ter aumentado um pouco demais os valores).

      Opções mais baratas sempre existiram, desde o início. Nesses 12 anos, lembro deste exato mesmo discurso falando do Palm Pré, do Windows Phone, do BlackBerry… Exatamente o mesmo discurso.

      • Rene Fraga

        A unica coisa que mesmo assim me mantem na Apple é a confiança no sistema operacional e segurança, mas é só, quando comprei o 4S lembro que meu salario “que não era um absurdo” dava p comprar o aparelho em algumas parcelas, inclusive comprei 2, para mim e minha esposa, mas hoje eu não consigo mais fazer isso sabe, o valor da parcela em cima do meu salario é muito alto para um Smartfone, hoje eu preciso trocar a tela de vidro que trincou e a bateria que esta com, 78% de vida útil, o valor que a Apple cobra esta fora da minha realidade, 2 cabos estão ruins, também fora da realidade comprar, fone de ouvido quebrou, já sabe a resposta kkk, vamos aguardar para ver se as coisas no nosso pais melhoram e possamos igualar salario+lazer.

  • Tatianepr

    Aparelhos da Apple são ótimos, lindos, mas fora da realidade dos brasileiros. Encareceu muito para nós. Sem contar, que ninguém que ama tecnologia como eu consegue ficar vários anos com um mesmo smartphone…. Eu gosto de trocar todo ano e com Iphone atualmente, é impossível. Há 3 anos, decidi que não usaria mais um Iphone. Estou utilizando atualmente um Galaxy S10 plus e estou muito satisfeita. O sistema Android evoluiu muito e o custo-benefício compensa demais.

    • Michael de Santa

      Antigamente eu tbm vivia trocando de aparelhos, mas parei com isso depois que notei que os aparelhos não mudam tanto de um ano para o outro (tirando os preços). Saí dos tops de linha para os intermediários e não sinto falta dos tops. Atualmente utilizo um galaxy da vida e funciona mto bem wpp, instagram, chrome, calculadora, despertador, chamadas, agenda… só troco o aparelho se ele der problema ou se eu der para alguém da família 🙂

    • Bruno Seolin

      Faço das suas, minhas palavras.

  • A estruturação das apresentações de Jobs é uma aula! Coisa linda de assistir (e re-assistir)! Valeu por compartilhar! 😊

    • O cara era um mestre na arte de contar uma história para envolver o consumidor. A parte de passar o arco ao redor do iBook pra demonstrar que não havia fios, é coisa que os mágicos fazem nos shows =).

  • Carlos Henrique

    Ótimo artigo.
    Muito bom relembrar a expectativa que se tinha quando ouvia falar de um lançamento da Apple.
    Com o passar do tempo a “inovação” foi se tornando repetição, tanto para a Apple quanto para as outras empresas, porém como a Apple sempre foi muito inovadora, as repetições repercutem e frustam na mesma proporção.
    Me lembro da vontade e do sonho de consumo que era o iMac e iBook, totalmente diferente de tudo que havia no mercado… coisa parecida só em se tratando de laptop e desktop, só quando foi lançado o MacBook Air que não era necessariamente revolucionário, mas tinha toda a cara de inovação da Apple.
    Nos resta esperar que ventos inspiradores e inovadores voltem a soprar dentro da Apple, para que vejamos produtos os quais tenhamos desejo em adquirir.

  • André

    Acabou a mágica…

  • Luciano Ribeiro de Abreu

    É a diferença entre inovação e Evolução, a muito tempo a Apple não faz uma inovação, acredito que a ultima foi lançamento do Ipad, de lá pra cá apenas Evolução, nenhuma inovação.

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