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Quanto custa fabricar um iPhone? Bem mais do que dizem

É normal toda vez que a Apple lança um novo produto vermos algum “analista” divulgar qual seria o custo de fabricação daquele modelo, que geralmente é bem menor do valor final ao consumidor. Isso, claro, deixa muita gente bem indignada.

Os produtos Apple são bem caros e isso é inegável. Porém, esse lucro estimado pela imprensa é bem mal calculado, por não levar em conta diversas outras despesas. Jeff Williams, o COO da maçã, falou sobre isso na semana passada.


Em uma conferência para estudantes, um deles questionou se a Apple tinha planos de baixar seus preços algum dia, visto a enorme margem de lucro que ela tira em cada venda. Afinal, há quem afirme que o iPhone X, que chegou ao mercado pelo preço de mil dólares, tem um custo de fabricação de menos de $400.

Jeff respondeu destacando que o tal preço de custo divulgado pelos analistas não era real, por desconsiderar diversos outros fatores, como pesquisa, desenvolvimento, transporte e marketing.

“Alguns analistas não entendem realmente o custo daquilo que fazemos e o quanto de cuidado que temos ao fabricar cada um de nossos produtos.”

Jeff deu o exemplo do Apple Watch, que para criar a capacidade dele monitorar nossas atividades físicas precisou construir um grande laboratório de fisiologia, com 40 profissionais da saúde e mais de 10.000 pessoas participando dos testes.

De fato, como a empresa procura sempre entregar um produto completamente finalizado para o consumidor (diferente de outras empresas por aí), ela realiza diversos testes e muita pesquisa antes de lançar um produto. E isso custa dinheiro.

É fácil para outros fabricantes dissecarem um produto da Apple já lançado, verem como ele é feito e lançar um produto com várias ideias dele, sem precisar gastar milhões em pesquisa, e isso a gente viu no ano passado. Um exemplo prático? Alguns fabricantes (como Samsung e Huawei) estão lançando neste início de ano celulares com tela dobrável, algo que a Apple ainda não lançou (apesar de estar estudando o assunto há anos). Não tendo a referência da maçã, os fabricantes são obrigados a investirem em pesquisa própria. Resultado? O Samsung Fold chegará ao mercado pelo preço de 2 mil dólares. Sim, por um celular com uma tela maior.

Pesquisa e desenvolvimento requer tempo e muito dinheiro.

Na mesma conferência, Jeff Williams negou que a Apple queira ser uma empresa elitista:

“Nós temos consciência de que os preços [de nossos produtos] são elevados. Não queremos ser uma empresa elitista. Queremos ser uma empresa igualitária e temos muito trabalho a fazer neste sentido em mercados emergentes.”

Sim, os preços da Apple são estratosféricos, principalmente para habitantes de países como o Brasil. Ultimamente vários discursos da empresa estão destacando isso, o que faz crescer a esperança de que eles olhem um pouco mais para nós e pensem em políticas especiais de preços.

Mas entre discurso e prática, há um longo caminho pela frente. Veremos.

Fonte
The Times New
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iLex

Robô virtual que tem como missão organizar o site e ajudar leitores. De tempos em tempos ele desvirtua e tenta fazer outras coisas, mas nada que um hard reset não resolva.
  • Lucas Ramos

    Não acredito que vou dizer isso, mas….
    First!

    • Paulo Getirana Cotta Junior

      Usando essa mesma ideologia eu fiz isso no ano passado pegando um Galaxy S8. Hoje, eu não vejo a hora de passar pra frente esse celular e voltar para o iOS. rs

      • Tiago Feitosa

        Pois eu troquei o meu iPhone por um S9 e não tô querendo voltar pra maçã tão cedo. Completamente apaixonado. Paguei minha língua mesmo.

  • Blog do iPhone vamos falar de tela dobrável?

    Segue abaixo uma tela de OLED dobrável lançada em 2017: https://uploads.disquscdn.com/images/65984f2cc557f63d170d0baec0d36860b28f23bec2e574804137adf8dc43830f.jpg

    Diapositivo: iPhone X

    • Caleb Jorge Pires Albuquerque

      Tela OLED dobrada (fixa) é diferente de tela dobrável (móvel, suscetível a desgaste maior por conta do abre-e-fecha)…

  • Bruno

    Pegou pesado ao dizer “Sim, por um celular com tela maior”, ao falar do Galaxy Fold. O conceito phablet não se resume a isso. A Samsung esse ano veio com inovações. O que dizer da Apple? Inovou ao trazer um celular custando 10 mil reais e uma case de silicone custando 349 reais no Brasil enquanto eu posso comprar um S9 Plus por 2 mil reais em operadoras no Brasil?! Sei que o S10 virá por valores exorbitantes, mas isso só irá acontecer pq a Apple permitiu acontecer. Se tem gente pagando 10 mil num iPhone, a Sammy pensa: pq não pagaria no meu S10?!

  • Carlos Frederico

    Resumindo: as outras empresas só servem para a Apple fazer algo melhor. No fim ela que dita, sendo pouquíssimas vezes o contrário. Gostaria que essas “pouquíssimas vezes” fossem mais frequente, pois se ela só ditar, teremos um monopólio de inovações, o que é péssimo para nós.

    Embora o que a Samsung fez seja fantástico, afinal, telas podendo ser dobradas não significam somente smartphones de duas telas e sim uma infinidade imensa de aplicabilidades e novas experiências, a experiência dela em software é deveras terrível. No fim ela acaba mais servindo como inovadora de processos tecnológicos do que o fim que é a experiência do usuário.

    • Michael de Santa

      “a experiência dela em software é deveras terrível”
      Já utilizou??

      • Tiago Feitosa

        Esse povo usou um dos 38575 Samsungs de entrada e acha que pode falar por todos os aparelhos da marca. Satisfeitíssimo com o software do meu S9.

      • Carlos Frederico

        Já ué. Mexa num celular “mediano” da Samsung para você ver.

    • Gl4diador

      What? Apple já deixou algum tempo de ditar e tá seguindo tendências isso sim.

      • Carlos Frederico

        Eu não acredito muito nisso não. Vamos ver o que virá por aí… e o que essa nova tecnologia trará de tendências reais.

  • A discussão é valida pois existem exageros (ou mentiras?) de todos os lados.
    Sim, é um erro agora um “bonitão” pegar o preço das peças de um iPhone “N”, somar a ele um preço médio de fabricação e dizer que na verdade o custo de fabricação é de 30% ou 40%. Claro que os custos de pesquisa e desenvolvimento são estratosféricos, são impossíveis de serem calculados por quem não tem informações detalhadas sobre todo o projeto e representam um bom tempo de “prejuízo” na venda do produto desenvolvido até que este custo se pague e então gere os lucros.
    Além disso a inteligência de um produto tem nela um custo imensurável, e para entendermos isso bem basta pensarmos como nossa vida seria sem o lançamento do iPhone em 2007 e como seriam os celulares hoje, sem isso. Se alguém tem alguma dificuldade em pensar neste cenário, lembre do Balmer rindo do primeiro iPhone.

    Porém (leia este porém com enfase), a Apple sabiamente se apoia neste conceito que acabei de escrever para cobrar sem dó nem piedade cada um de seus produtos, tanto os que custam anos de desenvolvimento, como os que custam NADA de desenvolvimento, como capinhas, cabos e acessórios que são RIDICULAMENTE caros.
    Além disso, se ela fosse realmente uma empresa que se preocupa com mercados emergentes, ela teria um celular mais barato sim, num modelo mais antigo, com tecnologia já paga, projeto pago, fabricação já bareteada e compartilharia isso com o consumidor. Ela tem isso? Não. (Se alguém falar do iPhone 7, por favor… ele custa U$ 450,00!! – MODELO DE ENTRADA!)

    Só isso já tira o mérito de qualquer profissional da Apple que tenta provar o contrário, querendo vender a ridícula imagem de que a Apple é boazinha e está de alguma forma ou em algum nível preocupada com mercados ou pessoas. Ela é mais uma empresa que faz produtos, vende por quanto aceitam pagar, quer o máximo de lucro possível e usará até trabalho escravo se for necessário para isso.
    Simples assim.

  • Guilherme

    Quem aí é parceiro fundar o site IPHONE SE Brasil?
    Somente para amantes do melhor aparelho da Apple lançado até hoje.

    • Edson Calvinista

      Eu tenho esse! Muito bom!

  • MateusPerdigaoDomiciano

    Problema é nem é tanto o preço do iPhone, mas sim o ecossistema que rodeia ele.

    Um cabo lightning de 1m custa 149 reias … Difícil argumentar que esse cabo teve tanta pesquisa para custar esse preço.

    Um adaptador lightning para p2, 79 reias … Novamente difícil argumentar.

    O iphone acho o mais fácil de se argumentar o preço. É um celular muito bem feito, com um ótimo sistema, seguro, você pode confiar que suas informações estão seguras e que não estão indo parar na china.

    Por esses motivos eu descordo um pouco da sua matéria iLex

    Alguém mais concorda comigo ?

    • Gabriel

      Não concordo.
      Meus cabos são todos de marcas alternativas (conhecidas) e paguei no máximo R$40,00, e nenhum deles quebraram desde que comprei. E além disso, com a Apple adotando o padrão Qi nos celulares de USB-C no iPad, já temos padrões universais pro carregamento de ambos os dispositivos.

      Pra minha realidade, pagar R$7.200,00(XS)/5.200,00(XR) em um iPhone é impraticável. Quando comprei o meu já foi uma bagatela (6S Plus no lançamento direto na Tim). Se pra sua realidade pagar estes preços é sussa, e depois R$150,00 é caro pra ti, me parece confuso, mas não to aqui pra julgar seu senso comum.

      As práticas mercantilistas da Apple que são questionáveis meu caro. Ela continuar produzindo o iPhone 7 tendo o 8 no mercado. Ela sumir com o iPod Nano e manter o Touch. E os preços eu nem preciso comentar, mesmo levando em consideração a alta carga tributária.

      • MateusPerdigaoDomiciano

        Em nenhum momento disse que era barato um iphone, falei que é justificável, são coisas totalmente diferentes.

        Para mim todos os preços dos produtos da Apple são fora da curva.

        40 reais em um pedaço de fio me parece ainda caro, mas ainda é aceitável. A Apple deveria vender por esse preço o dela tbm, pois, tenho certeza que o que vendeu por 40 está tendo lucro e ainda repassando uma parte para Apple por causa do padrão proprietario.

        Não estou defendendo a Apple pelo contrário, acho q os produtos da apple tem o preço inflacionado.

    • Erick

      Concordo com você. Para se ter os acessórios oficiais é preciso uma fortuna, sem falar nos adaptadores.

  • Ariel

    Imagina o tamanho da pesquisa que fizeram pra cobrar $39 em uma case de plástico.

  • Paulo Júnior

    Concordo que parte do preço embutido no aparelho se deve ao custo de P&D que é realmente importante. Ela acaba gerando inovações ou melhorias de UX que são sempre muito bem vindas.
    No entanto,

    Não tendo a referência da maçã

    chega a ser um desrespeito para os engenheiros de empresas como a Samsung. Galaxy Fold, o fold da Huawei são resultados (e muito bons resultados na minha opinião) de anos de pesquisa, que com certeza a Apple (e outras empresas) vão se utilizar para melhorar, corrigir ou simplesmente copiar nos seus modelos (caso essa tendência de dobráveis permaneça).
    Quando, ou se, a Apple lançar o aparelho dobrável dela ( o iPad Pro não conta) eu tenho quase certeza que vai ser um aparelho muito bom em qualidade de construção e num preço igual ou superior ao dobrável da Samsung que estiver sendo vendido na mesma época. Esses folds de primeira linha são nada mais que aparelhos para entusiastas da tecnologia (e.g. beta testers). A estratégia padrão da Apple, é esperar, pegar esses resultados, e melhorar para lançar o dela. Se ela vai conseguir ou não, o tempo dirá.
    Na minha visão o mercado ta andando muito bem sem a Apple servindo de referência.

  • Fabrício

    De fato o custo com pesquisa e desenvolvimento é substancial e nem sempre é lembrado pelos analistas.
    Mas com relação à tela dobrável, estou um pouco cético em termos de durabilidade. Se no passado tive muito problema com cabos flat por sua fadiga com o abrir e fechar dos aparelhos, imagina um display.
    Costumava ser um entusiasta de novas tecnologias, mas acabei percebendo que pagava muito caro para ser um beta tester. Vamos ver lá para a 3ª geração como a tecnologia estará.

  • Eng. GuiMaxx

    Pra mim, a tela dobrável é o de menos! O que a Samsung arrebentou foi o sensor de digital na tela! Agora, a empresa pode escolher de diversas maneiras como diluir os seus custos de P&D. Colocar no preço do produto é um deles, mas não o único.

    • Deixando a minha opinião sobre o assunto…
      Concordo com você, Eng. GuiMaxx.
      Na verdade o que a empresa pode escolher é ponderar EM QUAIS produtos ela vai diluir determinados custos. Ou seja, colocar no preço dos seus produtos é, em termos operacionais, a única forma de não consumir seu “caixa” – em última instância, seu patrimônio líquido.
      O que a gente precisa entender, no caso da Apple, é que sua estratégia de preços para os EUA é mais baseada em Valor do que em Custo.
      Disclaimer: para o resto do mundo, me parece que a estratégia é a manutenção de uma margem bruta média. Ou seja, por não se importar com a variação cambial, é como se ela (matriz) recebesse mais ou menos a mesma quantia em dólar, seja vendendo para os EUA, seja para outros países.
      Nesse sentido, creio que estão revendo suas políticas para os Emergentes pois o efeito continuado do câmbio está tornando praticamente insustentável a estratégia atual. (O poder de compra dos países emergentes subiu menos do que a cotação do dólar).

      • Eng. GuiMaxx

        Mas por isso que isso é bem estranho do lado da Apple, dado o caixa absurdo que ela tem. Poderia facilmente absorver qualquer P&D, por mais caro que seja, diretamente no caixa. Porém, isso reduziria o preço das ações. Então, a estratégia dela é bem o que você falou: precificar pelo quanto ela acha que vale é mantendo uma margem mínima, além de criar valor para ação mantendo um caixa absurdo.

  • Leonardo Kubota

    A margem de lucro da Apple é um assunto interessante. Mas a Apple aplica este método no mundo todo e obviamente sofrem os países prejudicados pelo cambio. Mas USA, EU e Japão, vemos empresas provedoras de serviço subsidiando estes aparelhos ao ponto de chegarem a custo ZERO, com certeza realizando lucros através de contrato anual, o que chamamos por aqui de “fidelização”.

    Por terras tupiniquins, aplica-se o método “metade do dobro” em tudo. Programas de fidelidade de 12 meses, com descontos pífios de 10%. E o brasileiro compra.

    Essas operadoras de telefonia deviam sofrer punições severas e devíamos ter leis e regulamentações severas por parte da Anatel. Mas ao invés disso, temos uma agência de regulamentação que trabalha para as operadoras ao invés de trabalhar em benefício do povo. Obviamente porque trabalhar para o povo não trás lucros através da corrupção, do suborno, da formação de cartel, da lentidão em regular qualquer coisa, de equipamentos a medicamentos.

    Corrupção em todos os setores, dos privados aos públicos, da fabricação à regulamentação, das margens de lucro aos impostos que são inúmeros e extratosféricamente altos, tudo isso é o CUSTO BRASIL. E viva nós.

  • KB

    Excelente texto! Existem diversos custos associados à produção dos iDevices que nunca são considerados nas críticas, mas são de extrema relevância na composição do preço final. É uma realidade numa empresa focada em inovação. O que pega mesmo infelizmente na nossa realidade é o custo Brasil (dólar e tarifações) – e isto não está nas mãos da Apple.

  • Gl4diador

    O preço alto dos iphones ultimamente se dá em conta pelas altas cobranças dos investidores querendo mais e mais lucros logo teremos iphone custando $1500 se a diretoria da Apple não controlar a situação. Nesse ritimo de aumento dos valores as pessoas não mais trocarão todo ano de iphone.

  • Fabio Santos

    Eu sempre achei esta informação vaga por ser unitário exemplo se uma câmera custa 6 dólares pra Apple em milhares vai custar bem menos o unitário final.
    Exemplo clássico o compras de um hospital paga 2 reais numa dipirona gotas não pois comprando milhares ao mês isto vai pra 0,25 centavos.

    Não faz lógica na real ninguém nunca saberá ao certo que está no contrato fornecedor com fabricante.