Aplicativos

Como aprender do zero a criar aplicativos para iPhone e iPad, de forma gratuita

Uma história real de um autodidata determinado

É normal termos a ideia de que ser um desenvolvedor que cria aplicativos para serem publicados na App Store é algo difícil e longe de nosso alcance. Imaginamos que é preciso anos de formação e pagar cursos caros para aprender. Porém, mesmo para quem não sabe nada de código, sempre é possível aprender do zero, e o melhor: de forma gratuita.

O nosso leitor Fábio Sousa é um exemplo disso. Em poucos meses ele conseguiu não só aprender a programar, mas já está com dois aplicativos disponíveis na loja da Apple para o mundo inteiro baixar.

Contaremos neste artigo a história do Fábio, e como ela pode ser inspiradora para você também.


Fábio vive em Portugal e formou-se em gestão, algo que não tem muito a ver com informática ou programação. Criar aplicativos era um sonho distante, que em seu conceito era algo bem difícil de alcançar.

No dia 4 de março de 2018 (ou seja, há menos de um ano), nascia Vera, a sua filha. Em Portugal os pais tem direito a 5 semanas de “licença paternidade”, para dar apoio à mãe no árduo trabalho que é ter um novo bebê em casa.

Entre uma fralda e outra, Fábio pensou que poderia se arriscar a matar um pouco de sua curiosidade estudando o material gratuito oferecido pela Apple, chamado “Everyone can code” (Todo mundo pode programar). O material é composto de livros e vídeos gratuitos que ensinam as noções básicas de programação para iOS.

O Fábio nos contou emocionado como foi o início:

“Nunca vou esquecer a minha primeira linha de código: print(“Olá mundo”) já da praxe para novos programadores como acabei por descobrir. E a data não esqueço porque abri o playground do XCODE dia 4 de abril, no dia que a minha filha fez 1 mês.”

A partir daí, Fábio passou a ler e treinar todos os capítulos, ficando mais entusiasmado com os resultados a cada dia. Ele ainda não tinha definido que tipo de aplicativo faria, e por isso passou a anotar uma lista de ideias de coisas que poderiam ser úteis para ele e para as outras pessoas.

Foi em seu ambiente de trabalho que ele percebeu que havia uma oportunidade: seus colegas viviam pedindo a ele ajuda para calcular quanto receberiam de salário líquido no final do mês. O salário deles não é fixo, o que faz com que as taxas mudem todos os meses. E apesar de haver diversas calculadoras do tipo na internet, nenhuma é intuitiva o bastante para ser usada no dia a dia. Foi então que ele resolveu mergulhar no projeto e, depois de 3 meses de muita pesquisa no Google e resolução de diversos bugs, o aplicativo ficou finalmente pronto.

Salário Líquido
Salário Líquido
Desenvolvedor:
Preço: R$ 1,90

Em poucas semanas, o app atingiu o 3º lugar na lista de Top Pagos na App Store portuguesa. Isso de alguém que, poucos meses antes, nunca havia programado na vida.

Após esse sucesso pessoal, Fábio partiu para seu segundo projeto, aproveitando todo o conhecimento adquirido com o desenvolvimento do primeiro aplicativo.

Sabe quando você vai ao supermercado e encontra promoções de pacotes de produtos? Por incrível que pareça, nem sempre o pacote maior é o mais econômico. Faça a conta quando for comprar água mineral ou papel higiênico e tente dividir pela unidade. É bem comum (pelo menos no Brasil) o pacote maior não compensar tanto quanto aquele que vem com menos.

O Fábio sentiu isso na pele ao comprar fraldas para a Vera. Como ele sempre usava a calculadora do iPhone para fazer manualmente as contas, ele resolveu criar um aplicativo que faz isso para ele de forma mais prática, e ainda registra a economia feita para você ter ideia de quanto economizou no mês. Sensacional!

Assim nasceu o app O mais barato. Ele é gratuito na App Store e você pode baixar no link abaixo. O usuário só tem que escrever o preço e quantas unidades esse preço equivale, e o aplicativo (ou aplicação em Portugal) faz todo o resto e indica imediatamente qual a promoção é a mais barata.

O mais barato
O mais barato
Desenvolvedor:
Preço: GRÁTIS

Fábio é modesto e diz que ainda é um aprendiz em crescimento. Porém, achamos a história dele incrível e inspiradora, para que mais pessoas possam ser estimuladas a começarem a programar por si mesmas.

Tudo o que ele aprendeu foi com o material grátis oferecido pela Apple. Há livros tanto em português como em inglês que dão uma noção por onde começar:

Livros

Vídeos

Tudo de graça!
Então o que você está esperando para começar a criar seus próprios aplicativos para a App Store? O Fábio é a prova viva de que realmente todos podem programar, sem precisar pagar por curso nenhum. Basta dedicação e força de vontade.

Por isso, mãos à obra! Se seu aplicativo ficar bom, teremos o maior prazer de divulgá-lo aqui no blog. 😉

Coragem e bons estudos!

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iLex

Robô virtual que tem como missão organizar o site e ajudar leitores. De tempos em tempos ele desvirtua e tenta fazer outras coisas, mas nada que um hard reset não resolva.

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  • Claudio

    Aprenda a ser médico, do zero, de forma gratuita… (Sim, é a mesma coisa, sistemas derrubam aviões, já dizia meu professor de qualidade de software). Engraçado como uma profissão séria se tornou simples e acessível para qualquer um via internet. Essa acessibilidade digital não é exatamente motivo de orgulho. Ninguém se torna um bom desenvolvedor por cursinho de internet, muito menos se não trabalhar com outros sêniores por pelo menos 5/6 anos. Parabéns pelo esforço do amigo e principalmente pela modéstia, aconselho que se gostou, prossiga seus estudos em uma instituição séria e tenha foco na profissão. Se já conseguiu fazer um app sem apoio, imagina com uma instituição de ensino superior séria… Não tenho nada contra quem estuda em casa, mas me sinto desrespeitado por pessoas leigas que incentivam um cursinho online afirmando que minha profissão é aprendida em XX horas através de vídeo aulas. Nesses cursos você aprende sintaxe, não lógica de programação, algoritmos de tudo que é tipo, robustez, qualidade, segurança e por aí vai.

    • Renato

      Sou analista de sistemas, programador, e apoio todo mundo que aprenda a fazer seus próprios programas e ganhar seu próprio dinheiro.
      Não tenho medo de roubarem meu emprego. E se o cara aprendeu a programar com XX horas de vídeo e eu com 3 anos de estudo… e dai?

      https://uploads.disquscdn.com/images/61c780b73eaf4188c2131ae95776df49ed042117cb9909eed25d6a2451fcdc98.png

      • Claudio

        👍🏻

    • Carlos Frederico

      Embora em partes eu concorde com você, a comparação é meio injusta. Tudo se baseia na importância do risco. Você mesmo deu o exemplo: sistemas que derrubam aviões. Um sistema voltado para aviões jamais vai ser feito por alguém que começou a programar estudando por conta própria, até porque o indivíduo não teria nem por onde começar, além dos enormes requisitos de conhecimento adicionais.

      Um médico precisa estudar pelo menos nove anos porque ele não pode errar. Ele mexe com vidas e ações irreversíveis. E mesmo assim ele ainda erra! Já um profissional em banco de dados, basta ter uma infraestrutura adequada (virtualização, por exemplo), para que tudo seja reversível. E, ainda assim, os profissionais das áreas críticas também não são pessoas que fizeram Letras (exemplo) e, um belo dia, resolveram estudar para ser programador.

      O fato é que existem profissões cujo riscos são reversíveis e facilmente aprendidas por um autodidata. Que bom. Assim que a evolução se torna constante.

      • Claudio

        Comentário super pontual. Concordo com você! O que me preocupa é que existem hoje muitas iniciativas de startup que geralmente contam com desenvolvedores não profissionalizados o que pode expor os dados dos usuários. As pessoas, principalmente as que não tem foco em tecnologia, confiam em sistemas até para aprender o português, ou seja, a confiança nos sistemas é muito forte, quase divina e isso precisa ser respeitado. Profissionais altamente qualificados comentem erros, como você mesmo disse, imagina se o sistema que o desenvolvedor de vídeo aulas publicou possui login/senha e não foram respeitadas regras de segurança básica…? Temos muitas e muitas pessoas que ainda usam a senha de banco, do cartão de crédito, em todos os lugares e as pessoas confiam que aquilo é seguro. A profissão não é autodidata, sair do outro lado não é o suficiente e isso precisa ser respeitado. Eu tenho 13 anos de experiência, sendo que comecei com 19 e se há uma lição aprendida é que a base de 4/5 anos de estudos foi muito importante até para eu entender que não sairia um desenvolvedor Sênior da faculdade, incluindo entender minhas responsabilidades até com a língua portuguesa. É um conjunto e troca de experiências com pessoas que tem muita experiencia com desenvolvimento que faz um desenvolvedor completo, não infalível, mas completo. Meu texto deveria ser mais uma reflexão, apesar de eu ter colocado um tom excessivo de crítica.

        • Carlos Frederico

          É bem isso mesmo! Complementando o que você falou, eu sou bastante contra a mentalidade de que Universidade/Faculdade serve só para diploma. Num curso de 4 anos se aprende muita coisa, inclusive coisas relacionadas à metodologia de pesquisa, ensino, etc. Se ficarmos só na prática, da parte técnica, tornamos-nos robôs que só executam.

          Contudo, aqui no Brasil falta muita qualificação técnica. Inverteram tudo! Muita gente com canudo e zero de técnica. Aí dá-lhe as FATECs, SENACs, etc…

          • Francisco Clbr

            FATECs e SENACs são bons, pois são presenciais. O problema são os cursos à distâncias que estão pipocando. Há alguns bons tbm, pois exigem alguma aula presencial, mas a maioria é só para pagar o diploma em suaves prestações.

            • Yuri

              Francisco, o problema não é de jeito nenhum os cursos à distância, pelo contrário, é solução. Curso presencial é bom, mas não é nada prático. Fiz cursos presenciais e fiz cursos à distância. Gostei de ambos e todos deram resultado. O que faz um profissional ser bom ou ruim é o esforço que ele emprega e cabe ao contratador detectar o nível de capacidade de seu funcionário.

            • Francisco Clbr

              Então, independe se fez curso em escola ou aprendeu algo em casa.

    • João Vitor

      Cláudio, respeitosamente, acho sua comparação uma exagerada falsa simetria. Um desenvolvedor de sistemas aeronáuticos nunca será o mesmo de um aplicativo mobile que faz contas de divisão, existe lugar no mercado para todos. As universidades existem por um motivo e esse não é limitar quem está fora dela, e o Facebook esta aí para provar que experiência não é sinônimo de responsabilidade com os usuários. É um absurdo criticar a acessibilidade digital, chega a ofender. Comunidades pobres/remotas que nunca tiveram desenvolvedores resolvendo seus problemas, agora têm.

    • Lima

      Ninguem está afirmando que sua profissão é aprendida por cursinho e sim que tem pessoas esforçadas o bastante pra conseguirem aprender sozinhas. A conclusão que tirei do seu texto é que você queria ter aprendido tudo o que voce sabe como ele aprendeu(no conforto de sua casa e com os proprios esforços) e nao conseguiu. Agora vem lastimar em cima do rapaz que conseguiu, uma pena.

    • Yuri

      Claudio, eu trabalho com TI há anos e não vi desrespeito nenhum, além de TI, já trabalhei também com educação à distância e te afirmo que essa é a tendência para o futuro. Você pode estar confundindo as coisas, pois o cara não aprendeu a ser analista de sistemas, analista de requisitos, gerente de projetos nem nada disso que precisa uma formação superior e EM ALGUNS CASOS, convívio com pessoas da área, o que ele aprendeu foi a programar, criar apps e facilitar a vida das pessoas. Não vejo nada de errado nisso e nem alguém querendo tomar o seu lugar.
      Parabéns ao Fábio pela conquista e que continue assim, sempre melhorando cada vez mais!

  • Ricardo Soares

    História inspiradora, fico muito feliz por ele. Grato por compartilhar!
    Sou fã de carteirinha do IOS e do blog (rs), recentemente realizei um sonho de ter um Macbook, espero construir meu primeiro App em breve. Ainda no inicio da faculdade mas muito determinado em aprender.

  • Luciano Assunção

    Gente, esses cursos não vão fazer você virar um profissional, mas é um incentivo às pessoas a tentar e, caso criem gosto, desenvolvam esse talento mais à frente.

  • Fábio Sousa

    O artigo ficou espetacular, nunca a minha imaginação chegou a este nível. Muito obrigado mesmo ao Blog do iPhone por partilhar a minha história. Gostava só de deixar uma palavra a todos os leitores, tenho consciência das minhas limitações, e tenho também consciência que para um nível avançado é necessário muito mais. Não julgo que a ideia alguma vez tenha sido diminuir os verdadeiros programadores, os que dedicam sua vida à programação. Abraço a todos. Sejam felizes.

    • Vector

      Parabéns pelo esforço e iniciativa! Continue correndo atrás dos seus objetivos!

    • Diego Azevedo

      Fábio, verdadeiro programador é quem programa, e só. Você é um de nós agora, não tem mais volta 😂.

      De verdade, parabéns pelos apps, vou prestigiá-los em breve, assim que passar as fotos para o computador

  • Elisio Moreno

    O livro “ Aprenda a programar 3 “ não está disponível ? Alguém com o mesmo problema ? https://uploads.disquscdn.com/images/fde1560ad1d9b8605f9275438055d847dc57d38bcde058e492ce5795cd8d7da0.jpg

  • Diego Azevedo

    Sou desenvolvedor, com curso superior e pós (inclusive, a pós é em mobile) e recomendo fortemente o curso de Stanford para aqueles que já possuem alguma base de programação (POO, em particular). É um curso atualizado constantemente, com os recursos novos da linguagem, ótimo já aprender o que se tem de mais atual em Swift.

    Parabéns ao Fábio, que mostrou que com dedicação se chega longe. Programar, de fato, não é o bicho de sete cabeças que muitos presumem ser, mas é preciso tomar cuidado com a segurança e privacidade do usuário. Em geral, cursinhos on-line e apostilas ensinam práticas de segurança defasadas, e raros se aprofundam minimamente em estruturas de dados e complexidade de algoritmos. Mas, de novo é possível encontrar ótimos recursos on-line gratuitos, a comunidade de desenvolvimento é muitas vezes bastante solícita em divulgar conhecimento. E é com a prática que mais se aprende, então continue sempre desenvolvendo!