Opinião

Testes mostram que o iPhone 7 pode ser mais rápido no dia-a-dia que o novo Galaxy S8

Nos últimos dias, com o lançamento oficial do novo Galaxy S8, surgiram na internet vários testes de velocidade para compará-lo, óbvio, com o iPhone. Mas enquanto o normal seria ele apresentar um desempenho muito mais rápido, por ser um modelo 2017 (o iPhone 7 é de 2016, sempre bom lembrar, pois no mundo da tecnologia isso conta), os testes mostram o contrário: que o iPhone 7 ainda seria mais veloz em tarefas do dia-a-dia.

Este artigo não tem o objetivo de afirmar qual é o melhor aparelho. Inclusive, queremos levantar dúvidas sobre as avaliações feitas, em uma discussão saudável, para analisar diversos pontos a serem considerados no momento de adquirir um smartphone.

O teste do dia-a-dia

Em vez de comparar benchmarks e números técnicos de processamento, os testes medem o tempo que aplicativos comuns levam para abrir, tentando refletir o uso real dos aparelhos, que é no final o que verdadeiramente importa. Confira primeiro o vídeo, antes de começarmos a comentar sobre ele:

Apesar dos resultados darem uma larga vantagem ao iPhone, eu serei sincero: tenho algumas críticas quanto a este tipo de teste e não sei se eles são válidos para realmente decretar se um aparelho é mais rápido ou não. Basta um ou dois aplicativos estarem menos otimizados para aquela plataforma para que o atraso na abertura deles influenciar no resultado final.

Eles pegam os mesmos aplicativos em ambos os aparelhos, mas esquecem que o fato de estarem rodando plataformas diferentes. Por exemplo, o Facebook é um dos primeiros a serem testados, e nós já sabemos que o app roda muito pior no iOS que no Android, e isso provavelmente é culpa da equipe que fez o app. Depois, alguns jogos específicos demoraram bem mais para abrir no Android que no iOS, e aí começou a fazer a diferença na corrida.

O que eu quero dizer é que a sua sensação de mais ou menos rapidez vai depender dos aplicativos que você usa no dia-a-dia. Alguns são mais otimizados em uma plataforma que em outra, e não dá para julgar o hardware por causa disso, dá? É como julgar que o iPhone seria mais lento só porque o app do Facebook se arrasta nele. Não seria justo.

Hardware é forte, mas apanha

O que realmente impressiona é que na teoria, o hardware do Galaxy S8 deveria apresentar um resultado muito melhor que o do iPhone 7. O dispositivo testado traz o Snapdragon 835, com 8 núcleos (contra 4 do A10 Fusion) funcionando em 2,35 GHz (contra 2,3 GHz no iPhone 7) e memória RAM de 4 GB (o iPhone 7 traz 3 GB). Números que a Samsung divulga com orgulho, mas que na prática não parece apresentar reais vantagens.

O modelo brasileiro do Galaxy S8 traz o processador Exynos no lugar do Snapdragon, e apesar de alguns afirmarem que o primeiro tem um rendimento melhor, a diferença entre os dois obviamente não é gritante e não faria muita diferença no teste.

Como pode um hardware que na teoria deveria ser mais potente e performático, não conseguir demonstrar uma diferença significante em um simples teste do dia-a-dia?

A força do iOS

Meu palpite é simples e fácil de deduzir: a diferença está no sistema operacional.

Por mais que as fabricantes se esforcem para colocar em seus aparelhos os mais rápidos e performáticos processadores possíveis, se o Android como sistema não seguir esta evolução, todo o aparelho ficará comprometido.

E isso fica mais evidente na segunda rodada de teste, em que se abre novamente os mesmos aplicativos depois que eles foram abertos. A gestão de memória do iOS é surpreendente, mesmo o aparelho tendo menos memória RAM física. Neste caso, os apps no iPhone 7 abrem na metade do tempo que no Galaxy S8. Isso é resultado de sistema, não de hardware.

E essa diferença não acontece apenas com dispositivos da Samsung. Em um outro vídeo, são comparadas as velocidades do iPhone 7 em relação a outros modelos top que rodam Android, todos lançados em 2017. E mais uma vez, o iPhone 7 humilha.

O tipo de teste é o mesmo, com a abertura de diversos aplicativos diferentes e depois uma segunda rodada abrindo os mesmos aplicativos, já com eles na memória.

A diferença neste caso é que ele também testou tarefas que exigiam mais do processamento da máquina, como aplicação de efeito em uma imagem do Photoshop, e o iPhone mais uma vez foi o mais rápido, mesmo com um hardware “do ano passado“. Em termos de velocidade gráfica de jogos, mais uma vez eu daria o crédito ao iOS, que disponibiliza para os desenvolvedores o framework Metal, que acelera os gráficos. O GTA San Andreas, que provavelmente não usa o Metal por ser uma adaptação de outras plataformas, tem quase a mesma performance no iPhone que no Galaxy.

Conclusão

Mesmo gostando bastante do iPhone, eu acharia natural modelos mais atuais serem melhores em hardware que dispositivos lançados no ano passado. É algo normal da indústria e é o que esperamos de qualquer fabricante. Por isso, fico surpreendido e admirado com o trabalho que a Apple fez no A10 Fusion e no iOS como um todo, capaz de colocar o modelo de 2016 no mesmo nível que os mais atuais modelos da concorrência. E a tendência é isso evoluir ainda mais, quando a maçã lançar o seu modelo deste ano, com o A11 e um iOS 11 ainda mais performático, sem as amarras dos 32 bits.

O iPhone 8 (ou seja lá como deva se chamar), promete!

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Ale Salvatori

Applemaníaco desde 1995, quando precisou aprender a usar um Mac em uma semana para conseguir um emprego em uma agência de publicidade. Acha que a Apple não é mais a mesma depois da saída do Gil Amelio.

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