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Governo alemão manda Facebook parar de coletar dados de usuários do WhatsApp

No final do mês passado, o WhatsApp surpreendeu a todos ao anunciar o compartilhamento de todos os dados de seus usuários com o Facebook, para fins de publicidade. Agora, o governo alemão, através da Comissão de Hamburgo para Proteção de Dados e Liberdade da Informação, ordenou que o Facebook pare imediatamente de coletar dados do WhatsApp. No pedido, o órgão afirma que os usuários não foram devidamente informados da mudança nos termos de uso e, dessa maneira, o Facebook estaria desrespeitando os direitos dos alemães que usam o aplicativo.

Mais um capítulo da polêmica envolvendo o uso de dados de usuários do WhatsApp pelo Facebook. No entanto, essa é a primeira vez que o governo de um país decide intervir para garantir a privacidade de dados dos usuários. Segundo nota divulgada à imprensa, a Comissão alega que, com a mudança nos termos do WhatsApp, o Facebook poderia ter acesso a listas de contatos de pessoas que não estão cadastradas na rede social, o que caracterizaria uma violação das leis alemãs. Países da Europa, principalmente a Alemanha, possuem leis rígidas que regem a privacidade de dados de usuários de serviços online e aplicativos, o que leva essas nações para a direção oposta das políticas praticadas por diversas empresas de tecnologia.

O imbróglio, segundo um representante do governo, também acontece devido ao atropelo de prazos estabelecidos pelo Facebook nesta ação. “O Facebook deveria pedir essa permissão com antecedência, o que não ocorreu“, afirma o comissário Johannes Gaspar. Em resposta, a rede social disse ter cumprido com as leis do país e que pretende trabalhar com o órgão do país para chegar a uma solução que não prejudiquem os usuários.

A partir do anúncio da mudança nos termos (que realmente pegou muita gente de surpresa), muitos usuários mostraram preocupação em compartilhar suas informações. O Facebook pode acessar números de telefone, dados do perfil, mensagens de status e outras informações importantes de sua conta no WhatsApp. A rede social, entretanto, diz que as conversas continuam criptografadas e, por conta disso, não possui acesso as mensagens trocadas no aplicativo. Vale lembrar que, ao comprar o WhatsApp em 2014, o Facebook afirmou que a política de privacidade do mensageiro não seria alterada. Essa contradição gera hoje muitas criticas a rede social criada por Mark Zuckerberg.

A alteração dos termos não foi tão imediata. Os usuários receberam prazo de 30 dias (que venceu ontem, dia 26) para decidir se aprovavam ou não o compartilhamento de dados. Vencido esse período, não é mais possível desfazer a integração entre os aplicativos – ao menos que você exclua seu perfil e não use mais o mensageiro. Daqui por diante, novos usuários precisam aceitar os novos termos de uso para criar um perfil no WhatsApp.

via Engadget

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Marvin Costa

Jornalista carioca apaixonado por cultura pop, fotografia, instrumentos musicais e produtos da Apple. Sempre que pode toca guitarra com amigos e utiliza seu iPhone como segundo instrumento.

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  • Cristiano Silva

    Como eu desativo isso no IOS? Nao achei a opção.

    • Já passou o período para desativar, agora não é mais possível.

  • Fabio Ricardo Bulgaron

    Desativei o compartilhamento a tempo, mas não acho que fará grande diferença. Seria muita infantilidade achar que o Mark não terá meus dados por causa disso!

  • Fabrício

    Experimente escrever a palavra anexo em um Gmail e não anexe nenhum arquivo. Gentilmente você receberá uma mensagem: talvez você tenha esquecido de enviar um aquivo em anexo. Tem certeza que quer enviá-lo assim?

    Tão bonzinhos, não?

    Por outro lado, como oferecer serviços gratuitos e não lucrar com eles? Filantropia?

    • Isso não tem nada a ver, amigo. O Google não precisa ler seu e-mail para saber que você escreveu “anexo” no e-mail.

      Quando você se cadastra em algum lugar e esquece um campo, recebe um aviso “O campo X é obrigatório e está em branco”, “o e-mail digitado é inválido”, e por aí vai. O caso do anexo do Gmail é EXATAMENTE a mesma coisa. 😉

      • Se o iLex autorizar o link, fiz um exemplo bem simples pra lhe mostrar como não precisa ter um servidor lendo seus dados para avisar sobre o anexo: https://jsfiddle.net/bv343gx4/

        (além de “anexo”, experimente terminar um texto com “Fabricio”! 😉)

      • Fabrício

        Dentro do corpo de mensagem é a mesma coisa? Respeitosamente, acho que não, pois, no mínimo, sua mensagem é varrida em busca de palavras chaves.

        • Isso é feito por um código que roda dentro do navegador, esse é o ponto. Eu concordo com você: nos termos de uso do Gmail você autoriza que o Google utilize o conteúdo do seu e-mail para exibição de anúncios “relevante”, e acho absurdo também.

          Meu ponto foi especificamente sobre a questão do anexo, que é outra história. O código que avalia se existem palavras relacionadas a “anexo” rodam no seu navegador, não no servidor, logo o Google não está acessando o que você está escrevendo nesse momento (como mostra o código que eu escrevi para lhe mostrar como a coisa acontece). É uma verificação que não tem conexão nenhuma com o Google e funciona até se você estiver sem internet. Abraços!

          • Alex Mclennan Valentim

            Gui, semana passada eu baixei o Google Trips para testar seus recursos de dicas e organização de viagens e na configuração tive que informar meu gmail no cadastro. Em menos de 1 segundo ele criou uma timeline com TODAS as minhas últimas viagens e as que estão programadas para os próximos meses( nacionais e internacionais) , com datas de ida e volta, itinerário, números de voo/cia aérea… isso é o meu navegador ou o google lendo a porra toda?

            • É o Google lendo a porra toda!

              O Inbox (caixa de e-mail alternativa do Google) também faz isso: identifica e-mails que tenham relação com viagens e organiza todo o conteúdo pra você (voos, hotéis, etc).

              Pessoalmente eu acho essa parte boa. Não é uma pessoa lendo sua caixa de entrada, é o sistema juntando todas as informações das suas viagens para ajudar com a organização. É só um jeito diferente de mostrar os e-mails (ao invés de uma lista, o Google junta tudo e organiza por “viagens”). Quando criamos um filtro para marcar como spam os e-mails que tenham a palavra “promoção”, por exemplo, estamos fazendo a mesma coisa: pedindo para o Google ler e catalogar, só que temos a falsa impressão de que nesse caso é muito diferente só porque “configuramos” isso. 😉

              Eu bato na tecla de que muito o que lemos por aí é mimimi porque trabalho com isso. Sei que o Google tem acesso a muitas informações e (infelizmente) faz uso disso para publicidade; esse é o lado negro da força. Mas serviços como o Inbox, Google Trip e outros parecidos, ao contrário do que se pensa, NÃO são invasão de privacidade só por mostrar seus e-mails de um jeito diferente. 🙂

  • André

    Consegui desativar a tempo mas acho que mesmo assim utilizarão os dados. Muito poder para seu Zuckerberg… o dia em que o povo começar a debandar do WhatsApp para mensageiros alternativos (o que não falta no mercado!) eles respeitarão os usuários.

    • Estan Duarte

      É inútil desativar o compartilhamento, assim que apareceu pra mim eu o fiz, e ainda aconteceu de pessoas de grupo de whatsapp ou contatos desconhecidos que fizeram breve contato, aparecer na lista de amigos sugeridos do facebook, notei que isso já ocorre desde o ano passado.

      • André

        Percebi o mesmo, Duarte. O jeito vai ser cancelar Facebook e WhatsApp, e mesmo assim não é garantia de apagarem os nossos dados.

        • Estan Duarte

          Estou quase fazendo isso André, sem paciência já kkkkkk

  • Fabrício

    Evidente que existem altos custos para que este serviço nos seja disponibilizado, ainda mais quando o usuário não paga nenhum tipo de assinatura.

  • Alecs Lima

    https://uploads.disquscdn.com/images/9515a5dea16d24850241adbb27525a2775e0e5b0a91fbd2ce230b142301aa407.png Eu não acredito que mesmo desativando o compartilhamento, de fato, meus dados não serão compartilhados.
    Esses dias chamei um amigo para comer pizza, pelo WhatsApp, e logo em seguida recebo uma recomendação de uma pizzaria de minha cidade pelo Foursquare.
    Já aconteceu com mais alguém?

  • Alecs Lima

    Eu não acredito que mesmo desativando o compartilhamento, de fato, meus dados não serão compartilhados.
    Esses dias chamei um amigo para comer pizza, pelo WhatsApp, e logo em seguida recebo uma recomendação de uma pizzaria de minha cidade pelo Foursquare.
    Já aconteceu com mais alguém? https://uploads.disquscdn.com/images/7e72f6416692b6d0628a6b7b6be4a429becf20fedf902e0b90951c028d37568b.png

    • Não acredito que tenha alguma coisa a ver, nesse caso (além de uma incrível coincidência). O Foursquare não pertence nem tem ligação nenhuma com o Facebook (em 2011 a rede social inclusive comprou um concorrente do Foursquare chamada “Gowalla”).

      • Alex Mclennan Valentim

        Pior Gui! Eu desativei o recurso no primeiro dia de atualização ( sempre leio os termos nas atualizações e essa dica ainda não estava aqui no Blog) pois bem, usei o whatsapp para me comunicar com um pedreiro aqui do prédio e ele nem está salvo na minha lista de contatos, só tem o número do telefone direto. Adivinha quem apareceu como sugestão de amizade no meu Facebook logo em seguida?! Sim! O pedreiro! E eu nem tenho meu número de telefone cadastrado no Facebook hein!

    • Alex Mclennan Valentim

      Pior Alecs! Eu desativei o recurso no primeiro dia de atualização ( sempre leio os termos nas atualizações e essa dica ainda não estava aqui no Blog) pois bem, usei o whatsapp para me comunicar com um pedreiro aqui do prédio e ele nem está salvo na minha lista de contatos, só tem o número do telefone direto. Adivinha quem apareceu como sugestão de amizade no meu Facebook logo em seguida?! Sim! O pedreiro! E eu nem tenho meu número de telefone cadastrado no Facebook hein!

  • Alex Mclennan Valentim

    Obrigado pela resposta! Abs 🙂