Opinião

[opinião] Um ano se passou e o FaceTime ainda não se tornou o padrão que prometia ser

Em junho completará um ano que a Apple nos apresentou a “revolucionária” (sic) função FaceTime no iPhone 4, prometendo ser um novo padrão nas comunicações por vídeo. Na época, a tecnologia ainda era limitada por só funcionar no novo iPhone, mas a promessa era que, com o protocolo aberto, logo se tornaria popular na indústria, com vários aplicativos compatíveis tanto para iOS quanto para computadores.

Mas sejamos francos: o FaceTime não vingou tanto quanto se esperava, apesar de já estar presente em mais aparelhos, como Macs, iPods touch e iPads 2. O que aconteceu?

Na verdade, apesar da promessa de Jobs, a Apple até hoje ainda não publicou o padrão como aberto, o que impossibilita que ele seja usado por outras empresas ou desenvolvedores.


O FaceTime é baseado em uma série de padrões abertos: vídeo H.264, áudio AAC, e um monte de siglas de sopa de letrinhas. E vamos acabar com isso. Estamos procurando os organismos de normalização e à partir de amanhã vamos fazer do FaceTime um padrão aberto da indústria.

O tal “amanhã” ainda não aconteceu. O protocolo FaceTime ainda não é um padrão aberto, o que impede, por exemplo, que se crie soluções para computadores com Windows.

Segundo John Gruber, quando Jobs falou isso no palco, pegou de surpresa toda a equipe de engenheiros que trabalhava no projeto, que ficaram sabendo apenas naquele momento que o padrão se tornaria aberto. Desde então eles estão trabalhando para torná-lo público, coisa que ainda não virou realidade.

Mas este atraso da Apple dá margem para outros concorrentes crescerem. E me dei conta disso neste sábado, quando visitei minha vó de 99 anos, no interior do Rio Grande do Sul.

Ela queria muito falar com minha mãe, que está no outro lado do Atlântico. Não tive dúvida: peguei o iPad para fazer uma videochamada e colocar as duas em contato. Mas como fazer, se minha mãe não tem como acessar o FaceTime?

Foi o programa Skype quem salvou o dia.

As duas conversaram por 15 minutos, frente a frente mesmo estando fisicamente distantes 10 mil quilômetros. A qualidade de vídeo não foi tão perfeita como a do FaceTime (até porque ainda não há versão do Skype para a tela do iPad), mas mesmo assim foi boa o suficiente para deixar minha avó impressionada com a tecnologia. “Uma benção poder fazer isso hoje em dia”, disse ela.

A experiência me fez inclusive mudar a opinião que tinha a respeito da necessidade da câmera frontal no iPad 2 (leia “Conflito de gerações: quais são as reais diferenças entre o iPad 1 e 2?“). O novo tablet é ótimo para videochamadas, por ter um tamanho que passa mais a sensação de que a pessoa realmente está frente a frente com você.

É o Skype que está respondendo muito bem à necessidade que a Apple criou (e que ainda não foi capaz de suprir). Com a maioria dos computadores do mundo ainda não podendo acessar o FaceTime, é ele quem dá real utilidade à câmera frontal dos novos gadgets surgidos depois do iPhone 4. Com a vantagem de funcionar inclusive na rede 3G.

Se alguém quer uma falha da Apple para poder apontar, eis aqui uma: FaceTime. Enquanto continuar sendo uma função de nicho, disponível apenas para quem possui os dispositivos de última geração, será difícil dizer que é um sucesso.

Parabéns ao Skype por não ter perdido esta oportunidade de nos dar o que a Apple não conseguiu na prática. Espero que, daqui um ano, esta realidade seja diferente.

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iLex

Robô virtual que tem como missão organizar o site e ajudar leitores. De tempos em tempos ele desvirtua e tenta fazer outras coisas, mas nada que um hard reset não resolva.

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