iPhone 5$

Não precisamos ser óbvios em repetir uma notícia que damos desde 2008 e que se repete todos os anos: no Brasil, temos o iPhone mais caro do mundo. E isto é algo do qual não nos orgulhamos.

Mas como curiosidade, vamos listar os 16 países onde ele é mais caro, para entender melhor a situação.

O levantamento foi feito pela empresa MobileUnlocked, mas não incluía o Brasil. Nós incluímos.

 País Preço (em dólar) Equivalente em Reais
1. Brasil US$ 1.223 R$ 2.799
2. Jordânia US$ 1.091 R$ 2.496
3. Turquia US$ 1.063 R$ 2.432
4. Romênia US$ 1.012 R$ 2.316
5. Hungria US$ 1.004 R$ 2.297
6. Grécia US$ 999 R$ 2.286
7. Malta US$ 985 R$ 2.255
8. Itália US$ 985 R$ 2.254
9. Dinamarca US$ 978 R$ 2.238
10. Lituânia US$ 958 R$ 2.192
11. França US$ 958 R$ 2.191
12. Suécia US$ 953 R$ 2.181
13. Polônia US$ 953 R$ 2.180
14. Noruega US$ 946 R$ 2.165
15. Finlândia US$ 944 R$ 2.160
16. Portugal US$ 944 R$ 2.160

Como se vê, o iPhone não é um aparelho barato em nenhum lugar do mundo. A diferença é que na maioria destes países listados, o salário mínimo é muito maior que o nosso e a população tem mais acesso aos produtos sem precisar fazer grandes esforços financeiros.

Na tabela, é interessante notar que o Brasil é o líder isolado, com um preço de quase US$200 a mais do segundo colocado. É muita coisa. E isso que estamos falando de países que também cobram taxas “exóticas”, como a França que põe um imposto de “cópia privada” sobre eletrônicos com capacidade interna de armazenamento, pois os usuários podem usar o iPhone para copiar músicas digitais e, por isso, este valor é repassado às gravadoras musicais.

O mais estranho é constatar que em todos os países o iPhone 5c de 32GB tem exatamente o mesmo preço do iPhone 5s de 16GB. No Brasil, a diferença entre os dois modelos é de R$400, quantia que já daria para comprar um Apple TV. Por que isso?

No início da semana, fizemos aqui um gráfico comparando a evolução de preços do iPhone no Brasil. Não tem sentido dizer que os preços aumentaram sem analisar o mesmo aumento do dólar no período. E neste ponto, a variação na moeda americana não é tão gritante quanto aquela em real.

Variação de preços do iPhone

A culpa é de quem? Bem, não temos a pretensão de responder aqui a esta pergunta filosófica. Só sabemos que os preços no Brasil, não só do iPhone, são absurdos há tempos. E não é xingando os outros de “otário” e “trouxa” que mudaremos isso. Aprendamos a respeitar, antes de tudo, a liberdade de cada um usar o seu próprio dinheiro como bem quiser.

O que vimos nos comentários nos últimos dias foi uma prova de que o brasileiro adora reclamar e apontar o dedo para o outro, mas não faz nada de efetivo para as coisas realmente mudarem. Vir na internet e dizer “tem trouxa que compra” é o escape vicioso do brasileiro que se sente, assim, em dia com suas obrigações e não faz mais nada para mudar o país. É o mesmo que, muitas vezes, vota em branco ou vota em qualquer um porque não tem “saco” de analisar todos os candidatos. É o mesmo que compartilha a página da Unicef sem nunca ter doado nada para ela.

Se você acha o preço caro, não compre. Sério. E não se iluda com parcelamentos, o preço continuará salgado da mesma forma. Arranje formas alternativas, compre o aparelho usado de alguém ou então consiga uma forma de comprá-lo fora do país. Há diversas formas de não precisar pagar este preço absurdo pelos produtos aqui no Brasil. Mas ao mesmo tempo, não menospreze quem optar por comprar aqui, pois todos temos o direito de decidir o que fazer com o próprio dinheiro. Não aceitar isso é ser autoritário e infantil.

O que precisamos é amadurecermos como cidadãos, tanto na hora de decidir o que comprar quanto na hora de respeitar a liberdade individual em um sistema democrático. Só assim conseguiremos começar a mudar as coisas.