Depois da confirmação de que a primeira loja oficial da Apple (Apple Store) será no Rio de Janeiro (leia “Apple confirma que irá mesmo abrir sua primeira loja oficial no país“), a discussão sobre a decisão da Apple escolher o Rio, e não São Paulo, foi intensa e acalorada.

Entenda por que faz todo o sentido a Maçã ter escolhido o Rio de Janeiro para estrear a primeira Apple Store no país.

Antes de tudo, é preciso entender que abrir uma Apple Store não é algo tão comum para a empresa, e seu planejamento é sempre feito com minúcia e antecedência. Não basta apenas abrir a loja e começar a vender: tem todo um marketing em cima, não só para o mercado local, mas para todo o mundo.

Quando a Maçã decidiu abrir sua primeira loja em Paris, por exemplo, quis fazer com pompa. Ao escolher o lugar, tentou por muito tempo encontrar uma loja na Champs-Elysée, a avenida mais famosa do mundo, coisa que não conseguiu. Acabou adiando seus planos e quase desistiu, até ter a sorte de encontrar depois um espaço no Museu do Louvre (que é o lugar turístico mais visitado do mundo). Era importante começar com destaque mundial, não só abrir as portas. O mundo todo falou desta inauguração e hoje a loja é quase um ponto turístico da cidade.

Em Barcelona, a primeira loja da cidade foi em um centro comercial (La Maquinista), meio distante do centro. Era difícil ir até lá e por isso não fez muito sucesso. Neste ano, finalmente a Maçã conseguiu um lugar dos sonhos: o Passeig de Gràcia, que os próprios catalãos chamam de “a Champs-Elysée de Barcelona“. Este sim foi cheio de pompa, chamando a atenção do mundo inteiro, principalmente por causa do tapume artístico.

Estreias de Apple Stores não podem vir sozinhas, é preciso criar toda uma magia em volta para o mundo todo ser envolvido.

Por isso mesmo, não há outro lugar no Brasil inteiro melhor do que o Rio de Janeiro para chamar a atenção do mundo da estreia no país.

Quem já viajou para fora ou até mesmo já viveu em outro país, sabe que, para os estrangeiros, o “Brasil” é definido por três coisas: carnaval, futebol e Rio de Janeiro. O Cristo Redentor e o Pão de Açúcar são os símbolos nacionais escolhidos por 100% das agências de viagem para promover o país lá fora, pois são ícones reconhecidos em qualquer lugar no mundo.

Isto quer dizer que o Rio de Janeiro é o melhor lugar do Brasil? Claro que não, felizmente nosso país é maravilhoso e possui diversos lugares de dar inveja a qualquer turista do mundo. Mas se a Apple quiser impressionar o resto do planeta, não pode escolher outra cidade que não o Rio de Janeiro.

Mas São Paulo é o centro econômico do país, não teria mais sentido comercial começar ali?

Não necessariamente.

Há pessoas ricas tanto em São Paulo quanto no Rio, Brasília ou Salvador; não seria por falta de consumidores que a Apple não faria sucesso em qualquer uma destas cidades. Então, deu-se prioridade primeiro à projeção internacional da Cidade Maravilhosa.

E não se iluda em achar que uma loja da Apple no país irá fazer com que seus produtos fiquem mais baratos e acessíveis. A loja continuará a ter um público bem específico, que já paga mais por qualidade (e impostos). Portanto, abrir em São Paulo não faria ter mais clientes que no Rio. Engana-se também quem acha que será uma loja para turistas, pois não há lugar mais caro do mundo para comprar produtos da Apple. Vir de fora e comprar aqui não seria nada inteligente.

São Paulo terá um dia uma loja da Apple? Tenho certeza que sim, afinal a maior cidade da América do Sul não poderá ficar de fora da rede de lojas da maçã. Mas tudo depende do desempenho da filial carioca. Ninguém sabe como realmente será a experiência de ter uma loja da Apple no Brasil, e o Rio será um grande teste para traçar a estratégia em nosso território.

Não se sabe ainda onde a loja carioca será, mas muitos apostam no Village Mall, um novo shopping de luxo na Barra da Tijuca.

Por tudo isso, não há razão para paulistanos, brasilienses, mineiros e gaúchos ficarem chateados da Apple Store não estrear em suas cidades. Temos é que ficar felizes por finalmente a maçã nos olhar mais seriamente como consumidores, e torcer para que faça tanto sucesso que outras capitais logo recebam também uma filial da loja.

Esta não é uma conquista dos cariocas, mas sim do Brasil. :)